#ContoRápido – Mais que amigas

Em um relacionamento homossexual na maioria das vezes é difícil se expor, se assumir para a família, para os amigos e a sociedade em geral, por isso, muitas vezes, os casais acabam se escondendo, e justificam a proximidade, os carinhos e a atenção como uma mera amizade. O que na realidade é um amor bonito e inocente que ali cresce e se desenvolve, até o momento que as flores desabrocham e não é mais possível se manter no anonimato.

A vontade de amar e demonstrar esse amor é maior que o mundo. Queremos gritar aos quatro ventos que ela é o meu amor, que eu não consigo mais viver sem seus beijos e seus abraços, que eu quero beija-la na rua, na chuva, no bar, que eu quero andar de mãos dadas, dividir o sorvete e adotar um gato para que a gente possa amar e cuidar, para sempre, como qualquer relacionamento clichê.

Bom, todos já passamos por um momento assim. Às vezes mais de um relacionamento em que a parceira não é assumida e você tem todo aquele cuidado com a pessoa, os motivos para manter algo tão doce e tão bonito no anonimato.

Por vezes, o que condiciona esse relacionamento ao anonimato, é a dependência financeira, ou a intolerância dos pais, a religião que condena, o status a ser mantido, enfim, são inúmeros os motivos. E por mais que sejam importantes, cedo ou tarde estes mesmos motivos tornam-se insignificantes diante da vontade de dividir a vida com uma pessoa.

Pois bem, hoje eu tenho um relacionamento assim, onde eu cuido e respeito o tempo da minha namorada, as suas limitações para que mais além, em um futuro, o qual eu espero que seja próximo, nós possamos desatar as amarras que nos prendem e viver um relacionamento pleno da porta para fora.

Namoro faz pouco tempo, apenas há 3 meses, mas eu sinto como se nos conhecêssemos a uma vida. Os pais moram na área rural de uma cidadezinha e o meu amor, Angela, mora sozinha, pois assim é possível que ela frequente as aulas da faculdade.

Por ela morar sozinha, temos toda a liberdade de nos encontrarmos e passarmos um tempo juntas como um casal. E durante uma conversa ela me convidou para conhecer os pais, passar um fim de semana na propriedade da família e é claro que eu topei.

Cheguei na casa de seus pais, fui apresentada como amiga, claro, e assim continuamos durante todo o tempo. Conheci a propriedade, andamos pelos campos, comendo frutas direto do pé, brincamos no córrego, vimos o gado e no fim do dia fomos até o morro, nos sentamos no capim para admirar o pôr do sol e realmente a vista era linda, e a companhia era maravilhosa. Tudo estava perfeito.

Trocamos beijos e carícias deitadas na relva, até que a noite começou a tomar o lugar da claridade do sol e fomos obrigadas a ir para casa. Os passeios que fizemos eram regados a carinhos e beijos às escondidas. Um clima de romance proibido, que trazia um friozinho na barriga e uma felicidade extrema.

Após o jantar, nos sentamos na varanda e conversamos durante horas, devo dizer que os pais de Angela agora são meus fãs, e com o avançar das horas chegou a hora de ir para a cama. Ocupamos o quarto ao lado do quarto dos pais de Angela, dormimos juntas na cama de casal do quarto, e é claro que no silêncio da noite as coisas esquentaram.

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Trocamos beijos ardentes durante horas, as mãos urgentes procuravam o corpo uma da outra, percorrendo caminhos já conhecidos. O cheiro, o gosto, o toque, tudo tinha um teor especial naquela noite, talvez pela situação. Quem já dormiu em um sítio sabe que a noite o silêncio é profundo, no máximo há o barulho do vento balançando os galhos das árvores, um grilo que canta despreocupado, ou o gato que resolve fazer uma serenata. Mas, no geral, o silêncio impera e durante a madrugada, qualquer ruído poderia ser ouvido.

Os nossos beijos, compassados, cheios de vontade, eram milimetricamente calculados para que o barulho não pudesse chegar ao quarto vizinho. A urgência do sexo se fazia presente, o desejo tomava conta de nossa racionalidade, e ali, deitadas, uma ao lado da outra, explorando os detalhes dos corpos o desejo se fez mais forte.

Coloquei a mão por debaixo de seu pijama, alcançando os seios, massageei devagar, sentindo a respiração de Angela aumentar, devagar, desci minha mão pelo seu abdômen, invadindo sua calcinha. Ela não me impediu. Comecei massageando seu clitóris, sentindo seu sexo ficar molhado, denunciando o prazer que tomava conta de seu corpo, sem demora eu a penetrei e ali comecei o vai e vem, intenso e compassado, tomando cuidado para que meus movimentos não fizessem barulho e abafando seus gemidos de prazer com beijos. Suas unhas cravaram em minhas costas e para abafar o gozo ela mordeu meu ombro.

A abracei, sentindo sua respiração acelerada.

As cortinas da janela do quarto estavam abertas e pelo vidro o brilho do luar invadia o quarto, era lua cheia, e essa luz me permitia ver em seu rosto as suas expressões que eram um misto de prazer, desejo e satisfação. Não foi preciso dizer uma palavra, rapidamente Angela mudou a posição, tomando o controle da situação, deitou seu corpo sobre o meu me beijando ardentemente. Eu sabia quais eram as suas intenções, sabia que ela estava transbordando de desejo e sabia que não seria fácil segurar os gemidos, mas não a impedi.

Os beijos foram se tornando cada vez mais invasivos, sua mão explorava meu corpo como se fosse a primeira vez, o perigo da situação tornava tudo mais intenso. Ela desceu a mão pelo meu abdômen, alcançando a minha calcinha, puxou de lado e sem avisar penetrou dois dedos, continuou olhando fixo em meus olhos, buscando cada expressão de prazer em meu rosto.

Senti meu sexo pulsar de desejo, e ela também sentiu, continuou penetrando, com estocadas fortes que estavam me levando a loucura, eu sentia meu sexo cada vez mais molhado e também sentia que não demoraria para alcançar o gozo. Com uma mão eu arranhava suas costas e com a outra eu ditava o ritmo da penetração, com os olhos fixos nos dela, até que uma onda de prazer já conhecida tomou conta de meu corpo. Gozei em suas mãos, sentindo o liquido quente escorrer por meu sexo. Nos beijamos mais uma vez, deitamos de conchinha e adormecemos.

Ao amanhecer o dia, senti o calor do sol entrar pela mesma janela a qual a lua havia nos iluminado, os pássaros anunciavam a chegada de mais um dia.  Nos levantamos, tomamos café, sentadas a mesa com os pais de Angela, como se fossemos apenas amigas.

Fim.

assinatura.Gi Medeiros.fw

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