#ContoRápido – Tempo ao tempo

 

Tudo acontece em eu tempo certo, não adianta querermos apressar o destino, ou enganá-lo. O que é pra ser será e quando é pra dar certo, até quem quer atrapalhar ajuda. E assim nasceu essa história baseada em fatos reais, em um amor ainda recente, mas forte e corajoso. Meu nome é Gi, sou uma das protagonistas dessa história tão bonita que eu vou contar para vocês.

Era mais um show desses de musica sertaneja, onde uma dupla renomada agitava a multidão. Milhares de pessoas se espremiam eufóricas cantando os sucessos daquela dupla. Quase que 100% dos presentes naquele show seguravam uma latinha de cerveja na mão, inclusive eu.

Entre um gole e outro eu observava a multidão, andando acompanhada de meus amigos, Bia e Ricardo, todos solteiros, buscando diversão. Encontramos um grupo de amigos de Ricardo, e ficamos juntos ali curtindo o show, dançando e bebendo. Henrique, o amigo de Ricardo, estava acompanhado de mais 3 amigas, 2 eram um casal e 1 estava solteira, e claro que Henrique e Ricardo trataram de nos juntar. Conversa vai e conversa vem, eu e Julia acabamos ficando. Foi só uma aventura de uma noite, sem importância.

As outras duas amigas de Henrique formavam um casal, mas o que era nítido naquele dia era que aquele casal já não tinha intimidade, não havia amor, carinho ou companheirismo e quando olhei nos olhos de Gabi vi que era uma pessoa especial, daquelas que vale a pena conhecer, mas diante do clima entre o casal, era melhor eu ficar na minha.

E assim terminou aquela noite, mais uma noite comum, de festa e curtição. Sem maiores danos ou número de telefone, eu fui pra casa e segui meu caminho.

Passado alguns meses, essa noite já estava esquecida em meu consciente, foi quando, ao chegar na quadra onde eu jogava futsal toda semana, estava lá Gabi esperando o jogo começar. Cumprimentei-a normalmente, jogamos e depois sentamos Eu, Gabi e mais algumas meninas do time saímos para descansar e tomar um têrere. Conversa vai e conversa vem, eu e Gabi estávamos cada vez mais entrosadas,  a afinidade era nítida, ninguém podia negar. E eu queria aquela menina para mim.

 

– Gabi, posso te fazer uma pergunta?

– Claro Gi, pode perguntar.

– Cadê a sua namorada?!

– Ah, ela está na casa dela.

– Ah sim… – A resposta dela me desanimou um pouco.

– Porque a pergunta?!

– Porque achei que você estivesse solteira.

– E se estivesse?!

– Se estivesse solteira eu seria obrigada a te convidar para sair comigo.

– Pena que eu não posso, estou namorando.

– Ok, se um dia isso mudar a gente pode conversar.

– Desculpa, mas tenho que ir embora.

– Tudo bem, nos vemos no próximo jogo?

– Talvez eu venha.

 

E assim ela foi embora, na outra semana ela não apareceu no jogo. Passada mais uma semana, ela veio, jogamos e como de costume paramos para conversar e tomar uma cervejinha, todas as meninas do time. Gabi sentou ao meu lado, e começamos uma conversa paralela a das outras meninas.

 

– Gi, agora posso aceitar aquele convite pra sair.

– Sério?! O que aconteceu?!

– Conversei com minha ex e achamos melhor terminar. Nosso relacionamento estava pesado, já não havia mais aquele amor do começo.

– Te entendo perfeitamente. Então, já que é assim, quer sair comigo sexta-feira?

– Convite aceito. Onde vamos?

– Podemos ir tomar um chopp e conversar, o que você acha?

– Por mim tudo bem, na sexta-feira então?!

– Sim, combinado.

 

Os dias passaram e a sexta-feira chegou, busquei ela pra sair e fomos tomar um chopp e conversar. A conversa fluía bem, a intimidade era incrível, haviam os mesmos interesses e opiniões, era como se nos conhecêssemos a vida toda. Os olhares eram compenetrados, perdidos um no outro, havia interesse, paixão, vontade. Ao fim da noite, parei o carro na frente da casa dela, e continuamos a falar sobre qualquer banalidade, mas o que eu realmente queria era um beijo.

 

– Gabi, a noite foi uma delicia, adorei a companhia e a conversa.

– Eu também gostei, estava tudo perfeito.

– Pra ficar perfeito ainda falta uma coisa

– O quê?

– Um beijo.

 

Puxei ela para um beijo, os lábios se colaram urgentes, havia intensidade, paixão, malícia e vontade. Ficamos ali por um tempo, nos despedimos e fomos para casa.

Ao acordar no sábado de manhã já havia um SMS de bom dia, e assim passamos o dia, trocando SMS, conversando, e as conversas eram entrosadas e leves.

 

– Gi, agora o convite é meu, topa assistir um filme comigo?!

– Convite aceito, vamos no cinema?

– Não, vamos assistir em casa mesmo, escolhemos alguma coisa no netflix, estouramos pipoca, compramos sorvete e chocolate e fazemos a nossa própria sessão de cinema.

– Olha, adorei o convite, eu topo.

 

E assim chegou a noite, e eu já estava ansiosa para vê-la, tomei um banho, me arrumei, caprichei no perfume e fui para a casa de Gabi.

Conforme ela tinha proposto, estouramos pipoca, deitamos na cama com um monte de guloseimas e escolhemos o filme, Elena Undone, que tem uma linda história de amor. O filme estava no fim já, Gabi estava deitada em meu peito, aconchegada, linda, com seus cabelos castanhos e enrolados contornando seu rosto, os olhos compenetrados no filme, a boca pequena me convidava, inconscientemente, para um beijo, e sem pensar duas vezes a tomei em meus braços. O beijo quente, urgente, cheio de vontade e tesão, nossos corpos se entrelaçaram, entre mãos e braços, beijos e abraço, a pele macia, o cheiro do perfume, mãos ágeis que mesclavam força e delicadeza simultaneamente.

As roupas pouco a pouco foram atiradas ao chão, o suor se misturou, o clima sexy e a trilha sonora foi substituída pelo barulho das nossas respirações ofegantes e dos gemidos que ecoavam no ambiente, tornando a trilha sonora do filme muito mais interessante.

Em meio aos nossos corpos entrelaçados havia muito mais que desejo, havia paixão, carinho, cumplicidade e também um amor que estava nascendo e crescendo, rápido e forte.

Pegamos no sono ali abraçadas, nossos corpos eram um só, perdidos na tranquilidade de um sono profundo, e também na reciprocidade de um amor que nasce e é alimentado em cada gesto de carinho e cuidado.

Assim começou nossa história, que hoje ainda segue, trilhando caminhos, vencendo obstáculos e se fortalecendo a cada dia.

Hoje olho para trás e me pergunto, se lá naquele show nós estivéssemos solteiras e ficássemos, será que hoje estaríamos juntas, ou seriamos mais uma aventura de uma noite?! Por isso tudo tem seu tempo, estamos alheios as vontades dessa divindade que é o tempo e o destino, que andam sempre juntos e sincronizados, inspirados em escrever lindas histórias de amor e também de aprendizados.

O que nos resta é confiar, esperar e aproveitar as coisas boas que a vida nos proporciona.

assinatura.Gi Medeiros.fw

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Time limit is exhausted. Please reload CAPTCHA.