#ContoRápido – Avassalador

Gabi

O despertador tocou estridente às 7 horas em ponto. O que me fez abrir os olhos de uma só vez praguejando todos os anjos e demônios do universo. Todos os dias esquecia um mínimo detalhe: mudar o simples toque. Assim, aconteceu como em todas as manhas. Levantei, fiz minha higiene pessoal, escolhi uma roupa que não fosse nem vulgar, nem desleixada. Queria mesmo era estar mais confortável e despojada, mas meus compromissos exigiam rigor ao me apresentar. Eu sou uma mulher bonita. De estatura mediana, pele branca, olhos e cabelos negros. Modéstia a parte, tenho um corpo de violão que atrai muitos olhares por onde passo, além do meu estilo poderoso, meio fatal. Sou diretora de uma multinacional em São Paulo e especialmente hoje terei um dia cheio de reuniões com parceiros externos da empresa.

– Bom dia, senhora!

– Bom dia! Cassia, por favor, me traga os documentos que te pedi ontem. E peça também um suco de abacaxi com hortelã. Obrigada. – Passei pela mesa da secretária e entrei em minha sala no 16º andar na avenida mais fervida em termos de empresas gigantes. Joguei a bolsa na mesa e corri para a grande janela de vidro admirando a vista e o céu que, inesperadamente, estava azul e convidativo. Mas hoje, só sairia do escritório depois de resolver questões sérias e urgentes.

Fui interrompida de minha contemplação com as batidas na porta, de Gisele, que entrou na sala falando pelos cotovelos com aquela voz que me irrita com a maior facilidade.

“Mas que inferno! Tão cedo e essa praga já está aqui na minha sala?”. Me virei para encarar Gisele com cara de monstro e ela nem se inibiu, continuou falando das reuniões sem parar, de como queria participar, de como tinha pra acrescentar. Eu já estava explodindo com ela, e a única forma de me ver livre daquilo era topando que ela participasse de alguma.

– Gabriela, você sabe. Acompanhei todo aquele projeto, desde o seu nascimento. Sei de informações que vocês talvez nem saibam que precisam e se eu estiver lá vou po…

– Ok! Você participa da reunião com o pessoal da comunicação. – Interrompi, respirando fundo.

– Agora, sim! Por isso que você chegou nesse lugar. Porque você sabe a importância dos pequenos detalhes. – Gisele abriu um sorriso vencedor.

– Agora, você precisa ir. Tenho uns relatórios para ler. Bom dia, Gisele. – Falei dando um sorrisinho, virando as costas e sentando em minha cadeira, esperando não vê-la mais na minha frente.

Gisele saiu apressada. Revirei os olhos me encostando na poltrona macia e pensando porque eu mantinha Gisele ainda na empresa se eu não suportava aquela voz, o jeito e a mania dela querer estar envolvida em tudo. Mas a ordinária era uma ótima profissional e, de fato, tinha ótimas ideias.

Cassia bateu na porta da sala e entrou após meu consentimento, trazendo meu suco e uma pasta com os documentos solicitados, deixando ambos em minha mesa.

– Senhora, sua primeira reunião deve começar em 40 minutos. Deseja alguma coisa, além dos documentos solicitados?

– Não, Cassia. Obrigada! – Ela sorriu e se retirou, voltando à sua mesa.

Fiquei ali bebendo o suco e lendo os documentos. Estava completamente envolvida com o mesmo que não vi o tempo passar. Fui interrompida da leitura e anotações com as batidas de Cassia novamente na porta.

– Pode entrar!

– Senhora, o pessoal da ZunkCom já chegou. Acomodei-as na sala de reunião. Estão apenas esperando a senhora. Dona Gisele e os demais diretores também já se encontram lá.

– Ótimo! – Falei me levantando e indo em direção a grande sala de reunião. Eram 9:40 da manhã, mas já me sentia cansada. O ritmo de trabalho nos últimos meses não estava fácil. Estávamos lançando um projeto social para melhorar ainda mais a nossa imagem com a população e eu estava acompanhando com muito interesse essa ação. Afinal, era a primeira vez que a empresa fazia algo do tipo sob minha gerencia. Precisava ser perfeito.

Entrei na sala de reunião cumprimentando a todos e me sentando na ponta da mesa. A ZunkCom estava ali para nos apresentar uma proposta para campanha de lançamento de nosso projeto, em todas as mídias que fosse possível. Era uma agência parceira da nossa empresa há muito tempo, mas o executivo que nos atendia estava de férias e teríamos uma nova pessoa à frente de nossa conta. Confesso que estava um tanto preocupada com essa pessoa que eu não conhecia e estaria segurando o meu projeto tão importante.

Sentei e fiz um sinal de que pudessem começar, e uma negra se levantou na outra ponta da mesa.

– Bom dia a todos! Me chamo Nina, sou a nova executiva de conta da ZunkCom e estou aqui para apresentar a nossa proposta de campanha para o projeto. A campanha foi pensada em cima do briefing que colhemos aqui na empresa, conversas com funcionários e pesquisas de público e mercado. Tenho certeza de que vocês irão gostar. Vamos começar!

Nina falou de um jeito tão delicado, porém firme e aquilo chamou minha atenção. Fiquei curiosa para ver a campanha, mas confesso que estava me esforçando para prestar atenção na proposta. Algo na moça estava me distraindo.

– Gostei dela! E você? – Fui interrompida de meu transe com a voz irritante de Gisele sussurrando do meu lado. Mas será possível. Gisele estava olhando para moça e sorrindo. Franzi o cenho e voltei para Nina que continuava apresentando, gesticulando e apontado para a projeção.

– Sim! Estou gostando da campanha. – Me dei conta de que tinha que prestar mais atenção na proposta dela, não podia de jeito nenhum tomar uma decisão dessas errada.

Minutos e minutos de apresentação se passaram, e eu ainda estava brigando entre prestar atenção na projeção e na mulher falante ao lado. Nunca me distraí tanto no trabalho. Estava quase exigindo a volta de Rafael, o antigo executivo da conta.

– Então, o que acharam? – Nina falou com um sorriso largo no rosto, olhando para todos os diretores que estavam na mesa. E depois me encarando esperando minha resposta. Afinal, quem decide sou eu.

– Errr… Está…muito bom! – Todos me olharam confusos. Eu estava sem ter o que dizer? Se não tivesse gostado teria dito sem pudores. A mulher estava com uma expressão curiosa me olhando e fiquei por fração de segundos encarando-a. Pareceu uma hora. – Eu gostei! Você está de parabéns, Nina. A campanha está aprovada, vocês podem definir os pormenores com a equipe de marketing. – Falei para quebrar o silêncio e minha falta de ação. Mas confesso que prestei atenção apenas em algumas coisas, o que gostei ainda assim.

Nina deu um sorriso satisfeito e foi acompanhada por todos que também haviam gostado da campanha. Gisele se levantou e foi até ela para parabeniza-la e ficaram trocando algumas palavras, o que me incomodou um pouco. Gisele já a conhecia? Por isso que quis estar na reunião?

– Oi, Gabriela. Fico muito feliz que tenha gostado. Quando poderemos nos encontrar? – Nina me perguntou e eu fiquei completamente sem ação.

– Nos encontrar? Nós duas?

– Sim! Para a primeira entrevista, como está na proposta. – Nina falou com uma expressão divertida. Ela percebeu que eu estava um tanto perdida.

– Ah, sim, claro! Amanhã? – Falei um tanto vermelha e ela assentiu com um sorriso de canto de boca.

– Está ótimo. Amanhã às 10 estarei aqui. – Ela estendeu a mão para que eu apertasse, sorriu para Gisele, pegou suas pastas e saiu. Foi inevitável acompanha-la com os olhos até a saída da sala. Sendo interrompida por Gisele. Aff!

– Vejo que está impressionada com ela. Eu também fiquei. Ela me disse tantas coisas e me fez tantas perguntas quando veio colher informações e…

– Você já a conhecia? Ela veio aqui na empresa? Por que não conversou comigo?

Gisele me olhou confusa. Afinal, eu não fazia questão de estar envolvida com os detalhes.

– Não importa, ela fez um ótimo trabalho. – Saí, deixando Gisele com cara de paisagem me observando.

 

Nina

O número dos andares ia mudando devagar, eu precisava sair daquele prédio. A felicidade de ter conseguido a aprovação de Gabriela estava me fazendo querer pular e gritar, mas não podia ser ali, ne? Cheguei ao estacionamento e antes de entrar no meu carro, fiz uma pequena dancinha, e finalizando com um hi5 na mão de Larissa, que tinha me acompanhado na reunião.

– Mulher, você foi destruidora! A poderosa lá nem piscou o olho e aprovou sem pedir nenhuma alteração. Isso é inédito!

– Eu sei, Lau. E estou aqui ainda em êxtase. Essa conta vai fazer toda a diferença pra mim dentro da agência.

– Eu não quero colocar coisa na sua cabeça, mas em algum momento eu achei que ela estava te olhando demais. Hummmm… de repente você pode se dar bem nos dois setores da sua vida. Hahahahahaha – Lari falou gargalhando e dando um tapinha na minha perna.

– Tá doida? Ela é linda, toda poderosa e eu sou uma pobre mortal. Ela estava atenta à proposta. Nem deve lembrar do meu nome mais.

– Humrum, sei. Vamos acompanhar. Amanha você vai ter que entrevistá-la sozinha. Tenho outra reunião e agora você já conhece a peça, então…

– Não, Lari! Por favor. Venha comigo. – Quase gritei pra ela.

– Sinto muito. Não poderei estar para quebrar esse clima de vocês. Esse choque de monstro. Hahahaha

– Idiota! – Fiquei refletindo por alguns segundos na possibilidade dela ter me olhado demais. Mas balancei a cabeça negativamente voltando a falar com Larissa. – Você sabe que estou numa outra fase. Agora, só tenho olhos para meu trabalho e minha carreira. Romance é para os fracos.

– Quem falou em romance? Estou falando em mais uma para sua listinha e aventura. – Lari falou me encarando engraçada no banco do carona.

– Claro! – Falei um pouco sem graça e tentando entender por que diabos eu pensei em romance. Arg – Nesse caso, posso até pensar sobre, mas depois que essa campanha estiver no ar, finalizada e com todos os resultados esperados.

Seguimos em direção à agência, precisava começar o roteiro de perguntas para a entrevista que ia fazer com Gabriela na manhã seguinte. Cheguei na agência, e após dar as boas novas ao pessoal da criação e meus superiores, fui para a minha sala e sentei em frente ao computador, começando a trabalhar. Mas me peguei distraída pensando no que Larissa tinha dito no carro.

– Será? – Pensei alto. Gabriela é tão focada. Havia lido sobre ela em algumas revistas de negócios e tudo que ela deixava parecer era que vivia para trabalhar e realizar grandes feitos profissionais. Sabia que não era casada, mas poderia ter alguém. Peraê, eu nem sei se ela curte mulheres e já estou aqui pensando besteiras.

Voltei às perguntas e uma ideia me veio à cabeça: e se eu encontrasse um meio de perguntar sobre a vida pessoal dela, bem discretamente no meio da entrevista amanhã? Poderia saber um pouco mais e… e o que? Quieta, Nina. Não tá vendo que isso é loucura, que você pode arriscar o seu trabalho? Culpa de Larissa. Sempre coloca minhocas na minha cabeça, me fazendo entrar em confusões. Mas não dessa vez.

Antes de voltar ao computador, vi a porta da sala se abrindo.

– Você não morre mais.

– Tava pensando em mim? Não tem menos de 1h que tava com você e já deu saudades? Hahahahahaha – Rimos juntas. E Larissa continuou. – Vim te chamar para almoçar, lembra? Vamos, que tô azul de fome.

Peguei minha bolsa e saí com Lari falando bobagem e rindo pelos corredores até chegar ao elevador.

Gabi

Acordei mais uma vez com aquele barulho insuportável do despertador. Como era difícil acordar cedo, jamais me acostumarei com isso. Levantei preguiçosa e fui até o banheiro. Arregalei os olhos quando pensei na agenda do dia e lembrei que teria uma reunião com Nina. Meu coração palpitou.

“Mas que merda!” – Pensei quando percebi que estava ansiosa por isso.

Tomei um banho demorado e escolhi a minha roupa a dedos. Queria algo um pouco mais provocante e resolvi usar uma blusa social de botão que deixava um pouco do meu decote à mostra. Uma calça social bem justa e uma bota preta com salto fino. Prendi meu cabelo num coque um tanto folgado e no rosto apenas um batom vinho escuro e lápis preto. Dei uma piscadinha para mim mesma através do espelho e saí decidida a me exibir um pouco para a linda mulher. Algo em mim dizia que ela ia gostar. Com certeza ela era lésbica. Meu lesbeep nunca falha.

Tomei um café rápido e fui para a empresa. Cheguei na minha sala e ouvi o som do celular tocando dentro da bolsa. Peguei o mesmo e joguei a bolsa sobre a mesa indo direto para a grande janela de vidro. Adoro ver São Paulo do alto. Me inspira.

– Alô!

 GabGab!

Oi, Cris! Bom dia! Tudo bem?

Eii, mais animação! Hoje é sexta feira. E eu tenho planos pra nós.

– Ah, Cris. Não sei. Tô cansada, a semana foi exaustiva e tô querendo ficar de pernas pra cima mesmo.

Nada disso! Que uó. Parece uma velha senhora. Vamos! Você é a única pessoa de sua idade que tem o fígado intacto. Vamos beber e dançar. Garanto que você vai relaxar bem mais.

– Mas eu…

Nada! Passo em sua casa às 10h. Esteja pronta. Beijos.

Ela desligou o telefone, me deixando no ar. Que ódio! Cristina é uma amiga antiga que conheci quando cheguei em São Paulo. Há alguns anos atrás. É super divertida, disposta, o que me irrita algumas vezes. Mas confesso que ela sempre me faz curtir quando mais preciso. Não tinha muita saída, né? Vamos beber um pouco nessa sexta feira.

Sentei em minha cadeira e comecei a trabalhar avaliando números, relatórios. Lendo e-mails, respondendo e-mails e nem vi o tempo passar, quando fui interrompida por Cassia batendo na porta.

– Entra!

– Senhora, Nina está aqui para a reunião.

Meu coração saiu pela boca. Havia esquecido completamente. Levantei ajeitando minha blusa e cabelo e pedi para que Cassia a mandasse entrar. A secretária saiu e vi Nina entrando pela porta. Analisei-a de cima a baixo e a mesma deu um sorriso sem graça.

– Bom dia, Gabriela.

– Bom dia, Nina. – Nos cumprimentamos com um aperto de mão.

Ela estava com um vestido cintura alta preto e um salto vermelho. Cabelos cacheados soltos e um batom da mesma cor do sapato. Estava sexy.

– Então, preparada para a entrevista? Não vou me alongar. Preciso apenas saber algumas informações da empresa e suas.

– Fique tranquila, estou com tempo. E isso é importante. Sente-se aqui no sofá. Quer beber alguma coisa?

– Não, estou bem. Obrigada. Então, vamos lá. Vou gravar nossa conversa, ok? – Consenti com a cabeça.

Sentei na outra ponta do sofá e percebi uma olhada discreta de Nina ao meu decote. Bingo! Sorri de canto de boca. Ela pegou um iPad e um gravador e virou-se para mim, sentada com a coluna ereta me encarando por alguns segundos. Senti um frio na espinha.

– Me conta como foi seu primeiro contato com Bleman Foundation? Como conheceu a empresa e como veio trabalhar aqui?

– Conheço a Bleman desde que eles começaram a anunciar na televisão, jornais e revistas, mas meu interesse em trabalhar aqui surgiu na faculdade. Sempre foi uma empresa muito elogiada pelos professores e comecei a acompanhá-la com mais dedicação…

(…)

Alguns minutos de conversa depois, já me sentia mais a vontade com aquelas perguntas, com o gravador e com a presença de Nina. Ela era divertida, mesmo sendo profissional ali comigo. Poderia jurar que estávamos trocando alguns olhares mais intensos. E eu não podia evitar olhar para as pernas dela em alguns momentos, cruzadas na minha frente.

Eu não sou uma dessas pessoas muito fogosas, loucas por sexo e etc. Estou há alguns meses sem ter nada com ninguém e isso não me incomoda de jeito nenhum. Tinha muito trabalho para fazer na Bleman e, como eu disse, estamos em um momento delicado de lançamentos e tal. A última mulher com quem tinha saído foi uma fotógrafa que conheci por acaso numa galeria em que estava visitando.

Estávamos admirando a mesma foto e ela tomou a liberdade de falar comigo. Respondi por educação, mas quando virei para vê-la fiquei encantada na hora. Ela era tão linda e estilosa, que eu senti um desejo por ela no exato momento. Puramente sexual. É assim. Eu tô tranquila, mas quando me atiço é meio avassalador.

– Fantástica essa fotografia, não é? Que registro no momento exato! Quantos sentimentos essa foto passa.

– É! Muito bonita, mesmo. – Falei ainda olhando para a tela, para só depois me virar para ela e ficar boquiaberta.

– Prazer, eu sou Natalie. – Ela falou sorrindo e eu pude ver todos os dentes brancos naquela boca com um batom rosa forte um piercing no canto direito.

– Gabriela! – Falei estendendo a mão. A qual ela segurou e eu continuei apertando.

– Gosto do seu nome. Ele desliza na boca. – Natalie falou completamente provocativa, ou era eu que já estava acesa apenas em vê-la?

– Eu não curto muito, mas… É o que eu tenho. – Falei tentando ser divertida e arranquei uma gargalhada dela, deixando-a mais interessante ainda.

– Então, tava indo tomar um café aqui no bistrô da galeria. Aceita?

– Sim! Estava mesmo precisando de um. – Segui a garota até o local, no fundo da galeria. Um lugar pequeno e aconchegante.

Ficamos ali por horas e horas numa conversa cheia de mistérios e olhares, e bocas. Com certeza, ela também estava querendo. Até que senti sua perna roçar na minha por debaixo da mesa. Foi a gota d’água. Saímos dali direto para um motel próximo, onde ficamos por horas e horas e horas. Depois disso, não nos vimos, nem nos falamos. Foi realmente um maravilhoso sexo casual no meio de uma tarde de domingo em São Paulo.

Acordei dos meus devaneios com uma pergunta curiosa que Nina me fez, desta vez sem me encarar, fitando o iPad, como se não estivesse interessada em saber.

– O trabalho costuma interferir na sua rotina familiar? Marido, filhos…?

Sorri com a boca fechada. Eu sabia exatamente o que ela queria com aquela pergunta. Será que ela não sabe com quem está falando para pensar que eu ia cair nessa? Agora, eu estava pronta para entrar no jogo de vez. Era a deixa que precisava.

– Não tenho marido, nem filhos. – Falei me levantando e me mantendo parada em frente a ela, que agora havia levantado a cabeça para mim. – Nem tenho namorada.

Vi nos olhos de Nina a surpresa diante da minha resposta. A mesma ficou sem reação. Mas porque? Não era isso que ela queria saber? Não estava mexendo com fogo? Qual espanto em se queimar, agora?

– Ah, tá. Ok. – Ela falou sem graça. – É, acho que estou ok de informações por aqui. Essa ultima peça publicitária será criada e eu venho aqui na segunda para apresentar. – Ela falou levantando e guardando os aparelhos na bolsa. E ficou parada a poucos centímetros de mim.

Nos encaramos por alguns segundos, nos quais eu nem pisquei. Acho que ela ficou com medo. Hahaha Não estava esperando aquilo.

– Gabriela, foi muito boa nossa conversa. Eu preciso ir. Nos falamos. – Apertamos as mãos e ela saiu pela minha porta, foi então que eu pude ver como ela tinha uma bunda linda e convidativa. O que mais me atraia numa mulher. Pronto. Nina tinha acabado de atiçar a minha faísca.

Nina

Saí daquela sala com meu coração acelerado. Será que eu tinha sido indiscreta demais na pergunta? Será que ela tinha odiado? Pela forma que levantou, alguma coisa fora do normal ela achou. E aquelas olhadas? Ai, meu Deus. Onde eu estou me metendo? Ela é rica. Eu não posso perder meu emprego. Mas ela é linda. E aqueles olhos gigantes e penetrantes? Minha fraqueza. Será que ela notou que eu saí correndo depois de sua resposta? E como é que eu vou conquistar essa mulher? O que? Eu já tô pensando em conquista-la? Tô fudida, mesmo. Se segura aí, Nina.

Entrei na velocidade da luz em minha sala e fui direto ao computador. Queria pesquisar um pouco sobre Gabriela Matos na internet. Vi muitas reportagens sobre negócios, sucesso profissional, mulheres no poder. Mas não encontrei nada que desse a entender sobre sua homossexualidade, ou bissexualidade. NADA sobre sua vida pessoal. Até que encontrei um perfil numa rede social, que estava desbloqueado. Ow glória. Que mulher trancada a sete chaves.

“Gabi Matos”, na descrição “You better work”. Esse era o perfil dela no Instagram. Porém, para a minha tristeza, pouquíssimas fotos. E tudo de coisas, nada dela. Quadros, ruas, árvores, cachorros, livros. Ela que é boa, nada. Fiquei ali fuçando alguns comentários, até que encontrei um comentário um tanto curioso.

“JulianaM – Fotos lindas como sempre, Gabi. Saudades de você <3”. No meio de vários comentários, esse me chamou atenção. Fui no perfil desta mulher e lá encontrei várias fotos dela com Gabi, em Brasília. Fotos de muitos meses atrás. Será uma ex namorada? As fotos tinham descrições meio melosas, às vezes, só corações. Com certeza, rolava alguma coisa ali.

Gabriela estava linda em todas as fotos. Me permiti ficar admirando. Vendo sorrisos sinceros. Vendo que ela em algum momento era leve. Fiquei intrigada. Fui interrompida por ninguém menos do que Larissa, que chegou relaxada em minha sala, sentando à minha frente.

– Bonita, não se atrase hoje, viu? Estarei pronta as 10. E não quero ter dificuldade de achar um lugar bacana. Então, por favor, não se atrase.

– Não sou de atrasar. – Falei rindo como quem tivesse contando uma piada. E era. Sempre demorava mais do que o planejado para sair. – O que posso fazer? Não tenho roupa!!! – Falei com as mãos para o céu.

– Se vire. Vá nua! Mas não se atrase. – Ela falou gargalhando e ficamos ali conversando e combinando sobre a noite.

Cheguei em casa e Jude, meu gato, estava esparramado no sofá dormindo deliciosamente. Abriu os olhos sonolentos e nem sequer respirou ao me ver. Voltou a dormir. Amo esse jeito blasé e pouco se importando que os gatos tem. Esse ar superior, meio arrogante, indiferente a nós, reles mortais. Isso me fez pensar diretamente em Gabriela Matos. Ela era um verdadeiro gato persa deitado no meu sofá. E eu estava pronta para apertar ela inteirinha.

“Como deve ser o gemido dela?”, “Será que ela gosta de arranhar?”, “Será que ela tem a pegada?”. Isso está estampado na cara dela. Ela deve deixar qualquer uma doida. Por trás daquela cara de work aholic, tem uma mulher cheia de desejos. E ela não tem cara de quem obedece, nem na cama. Revirei os olhos com desejo. Será possível que eu ia ficar pensando nela o dia todo agora? Hoje é sexta feira, dia oficial de beijar na boca. E era o que eu iria fazer.

Tomei um banho demorado, me arrumei mais demorada ainda. E saí para pegar Larissa e irmos direto ao Uppub. O bar era muito legal, dava todo tipo de gente, era ótimo para paquerar, dançar e de quebra, tinha drinks deliciosos que eu amava. Chegamos lá e encontramos uma mesa perto do palco, onde logo mais uma banda ia tocar. Hoje era noite de samba e eu estaria na pista, sem dúvidas.

– Vão beber algo? – A garçonete nos perguntou simpática.

– Sim! Traz um BlueSpirit, por favor. – Falei entregando meu cartão comanda para a moça que anotou e me devolveu.

– Eu quero uma cerveja. – Larissa disse fazendo o mesmo. – Como é que você fica pedindo drinks quando se tem cerveja para tomar?

– Ta louca? Mil vezes minhas frutas misturadas com vodcas, licores, caldos e etc. E deixa doida mais rápido, hein? – Falei rindo, e ficamos conversando e bebendo, até que fomos surpreendidas com as luzes do palco. A banda iria começar.

– Filhaaa, pronta ralar essa tcheca no asfalto hoje? – Larissa falou levantando o copo em brinde.

– Completamenteee! Minha pussy é o podeeeeer! – Brindamos e já fomos levantando para dançar.

Baiana é aquela que entra no samba de qualquer maneira.
Que mexe, remexe, dá nó nas cadeiras.
Deixando a moçada com água na boca”

Já estávamos entregues ao ritmo e a bebida. A noite ia ser longa e a gente estava afim de se divertir demais. Sempre!

Gabi

Cris foi britanicamente pontual ao estacionar na porta do meu prédio, me mandando mensagem para descer. Eu já estava pronta. Vestindo uma saia preta, uma regata branca, um blazer básico preto e um salto médio. O cabelo solto. Estava como eu gosto. Sabia que estávamos indo a um bar mais tranquilo, com música e gente open mind. Como Cris é hétero, tínhamos que ir nos lugares onde as duas ficariam satisfeitas.

Chegamos ao Uppub, nunca havia ido lá. Estava cheio, uma energia boa e tocando um samba agradável. Eu gosto de samba, apesar de nunca sambar. Eu gosto de ouvir.  Cris foi logo arranjando uma mesa para sentar perto do palco.

– Boa noite, meninas! O que bebem? – a garçonete nos perguntou solícita

– Duas cervejas, por favor. – Respondi entregando a comanda. Ela não demorou com nosso pedido e ficamos assistindo a banda e conversando. Estava animado aquilo ali.

– Gabi, vamos ver quem beija primeiro?

– Sai, Cris. Sabe que não sou assim. – Falei e ela ficou rindo.

– Você é uma besta, mesmo. O bar está cheio, tem muitas mulheres bonitas dando sopa e você vai continuar aí, parecendo que tá na Bleman ainda?

– Calma! Eu estou me divertindo. Só não preciso sair por aí caçando. Se me interessar por alguém, vai acontecer. Você sabe que é assim. – Tomei mais um gole da bebida.

– Pois então, fique aí nessa, que eu já tô com um gatinho na mira e é hoje! – Cris falou virando o copo de cerveja e pedindo outra.

Ficamos ali conversando, eu estava olhando o palco e as pessoas quando uma bunda remexendo perto do palco me chamou atenção. “Que é isso?”. Pensei cerrando os olhos pra conseguir ver melhor. A moça estava sambando, rebolando com um copo de bebida na mão. Se divertindo, rindo para uma outra garota, animada do mesmo jeito.

Não conseguia ver os rostos naquela confusão de gente e balanço. A dona da bunda dançante estava com um shortinho jeans curto, uma blusa folgadinha e uma botinha com salto nos pés. Cabelos cacheados, como eu acho lindo. Fiquei ali admirando por alguns minutos até que ela, ao som da música, foi rebolando e virando em minha direção e eu pude ver seu rosto claramente. Era Nina!

– Que foi, Gabi? Viu fantasma na pista? – Cris me perguntou tentando descobrir para onde eu olhava.

– Não. É que eu acho que conheço aquela mulher ali. – Falei sem tirar os olhos dela, que não tinha me visto.

– Hummmm… hahahahaha É assim que eu gosto. Já encontrou a presa de hoje.

Olhei para ela e revirei os olhos.

– Você só pensa nisso, né?

– Não. Mas hoje é sexta a noite. Você está subindo pelas paredes que eu sei. Nem negue.

– Eu não estou subindo pelas paredes. Se eu estivesse já teria resolvido isso. Estou ótima.

Me virei para ver Nina dançando mais um pouco. E ela não cansava, ficou a noite inteira dançando e bebendo. Estava apenas me deleitando com a visão, quando vi uma terceira moça encostar nelas e começar a dançar atrás de Nina. Vagarosamente foi encostando em sua bunda, sambando juntas praticamente de conchinha.

“Mas que inferno! Sai daí que está me atrapalhando ver”. A mulher não saiu, ela simplesmente pegou na cintura de Nina e ficaram ali indecentemente daquele jeito. Fiquei nervosa com aquilo. Queria que aquela mulher sumisse dali e me deixasse continuar admirando aquela bunda. Apenas.

Já tinha perdido a conta de quantas cervejas tinha tomado e Cris estava dançando com um cara na maior azaração. Pedi mais uma cerveja pra garçonete e me deparei com Nina beijando aquela mulher na minha frente. Meu sangue ferveu. “Mas que merda é essa? Ela não perde tempo?”. Senti vontade de ir lá separar as duas, mas o fio de sanidade que ainda tinha jamais me deixaria fazer isso.

Qual é? Tô com ciúme dela? Queria tá no lugar daquela mulher, que a essa altura já estava passando a mão na bunda de Nina. Mas eu mal a conheço. Se bem que ela quem começou, ela me atiçou. Ela não ia me deixar na mão agora. Tantos bares na cidade e eu estava justo ali sentada na frente dela? Não era por nada.

Vi Nina se afastar da mulher e ir em direção ao banheiro. Era a minha chance.

Nina

“Nossa! Que beijo!”. Entrei no banheiro me esbarrando em algumas garotas saindo e outras entrando. Estava um pouco bêbada e bastante animada. Adoro dançar a noite inteira. Quando estava entrando na cabine, um braço impediu de eu fechar a porta.

– Não vai entrar sem mim. – Gabriela já estava dentro da cabine comigo e fechando a porta. Fiquei parada sem reação, por alguns segundos nada se passou pela minha cabeça até sentir a boca quente da mulher encostar na minha.

Ela me beijou com vontade e eu ainda estava processando qualquer coisa na minha cabeça, gemi abafado e a afastei com muito esforço apenas para dizer algo.

– Estou desejando esse beijo desde aquela primeira reunião. – Falei olhando-a nos olhos e depois mirando sua boca entreaberta.

– Você não pode me atiçar e achar que vai ficar por isso mesmo. – Gabriela falou com uma cara convencida para logo em seguida me beijar com mais vontade ainda.

Não pensamos em nada, nem no banheiro, nem nas mulheres que estavam circulando por ele. Nem em Cris, Larissa, Bleman, campanha. NADA. Estávamos focadas apenas em nossos corpos.

Ela segurava em minha nuca com uma mão guiando todos os movimentos daquele beijo, enquanto a outra mão estava suspendendo minha perna em sua cintura. Minhas mãos estavam em seu cabelo e dei um gemido abafado quando ela pressionou sua perna entre as minhas. Aquela língua nervosa estava me deixando louca e Gabriela foi descendo com sua boca pelo meu pescoço e subindo até minha orelha, o que me excitava mais ainda. Já estava nas mãos delas naquele momento.

A mulher me virou de costas, me encostando à parede e sussurrando no meu ouvido coisas que me deixaram com a calcinha encharcada. “É assim que você gosta?”. Ela encostou em minha bunda fazendo um movimento gostoso, enquanto puxava meu cabelo e lambia meu pescoço. Gemi arrastado, o que fez Gabi apertar com força a minha bunda dando alguns tapas.

– Você é muito gostosa! Tava te olhando rebolar essa bunda lá fora. Você me deixou com muito tesão. – Falou no meu ouvido enquanto tentava abrir meu short com dificuldade. – Abre essa merda pra mim.

Como ela poderia imaginar que eu adoro ser mandada, principalmente por uma mulher tão poderosa como ela? Ela não imaginava. Ela era assim. Abri meu short com velocidade, estava ansiosa pelos próximos segundos. Gabi desceu com as mãos dos meus seios, passando pela minha barriga até chegar entre as minhas pernas. Dei uma tremidinha com seu toque ousado, seus dedos encostando em meu sexo. Ela apenas gemeu no meu ouvido.

– Hummmmm. Molhada, assim?  – Gabi massageou rápido e gostoso e eu sabia que aquilo não ia durar muito. Eu gozaria em breve com todo aquele tesão. Ela estava com a boca enfiada em meu ouvido, gemendo e arfando, me fazendo delirar. Enquanto se esfregava na minha bunda querendo mais contato.

Não pensei duas vezes e coloquei um de meus braços para trás, subindo sua saia e alcançando sua calcinha entre suas pernas que já estava deliciosamente molhada. Gabi se afastou um pouco e eu pude colocar minha mão por dentro, encostando naquele mar delicioso e quente, molhadíssimo. Gememos juntas.

Acompanhei o mesmo movimento que ela fazia em mim e isso não durou muito. Gozamos juntas encostadas naquele banheiro apertado, parecendo duas gatinhas no cio, perdendo as forças nas pernas. Ficamos na mesma posição recuperando o fôlego. Quando ela se afastou, se ajeitou, me deu um selinho na boca e saiu sem dizer nada. Fiquei sem reação, ainda respirando fundo, extasiada com o orgasmo. Decidi que não pensaria sobre nada além do quão gostoso foi.

“Aquela louca… e gostosa” – pensei sorrindo.

Gabi

Acordei completamente nua na cama, me espreguiçando. Quando num pulo fiquei sentada na cama. Havia me lembrado da noite anterior. “Meu Deus, o que eu fiz?”. Lembrei de cada detalhe naquele banheiro e um sorriso assustado saiu da minha boca. “Não! Não podia ter feito isso”. Pensei negando para mim mesma. Ela presta serviço para a minha empresa. Temos uma reunião marcada para segunda. Como vou olhar na cara dela depois de tê-la atacado no banheiro de um bar? Onde eu estava com a cabeça? “Na bunda dela, eu sei”.

Levantei com uma leve ressaca. Peguei o celular com várias mensagens de Cris. “Meu Deus, eu saí correndo sem nem avisá-la. Ela deve estar preocupada”. Mandei uma mensagem:

“Amiga, bom dia! Desculpa por ontem. Vim embora, peguei um taxi e não te encontrei para me despedir. Esta tudo bem. Nos falamos depois. Beijos”

Em menos de 2 minutos recebi a resposta.

“Ai, Gabi. Ufa! Eu que sai desesperada com o boy e nem tive tempo de te procurar. Estamos quites. Beijos. Tô com ele ainda, 4 º round. Kkkk”

Sorri com a mensagem dela. Vaca! Preparei a banheira, para um banho demorado e foi inevitável não refazer cada momento da noite anterior, na minha mente. “Nina”. Não é possível que estou suspirando por um sexo casual. É isso! Ela foi mais um sexo casual e na segunda vamos agir da mesma maneira. Com isso no passado.

“Será que ela também está intrigada, como eu?” Afundei minha cabeça na banheira tentando afastar os pensamentos.

O sábado passou, o domingo também e já era segunda feira de manhã. Acordei naquele conhecido mal humor e me preparei para ir a Bleman. Me peguei trocando de roupa três vezes. Mas será possível! Peguei uma calça social coladinha, uma blusa de tecido fino por dentro e uma echarpe delicado tipo gravata no pescoço. Um salto alto e batom vermelho.

Cheguei no escritório e Cassia me informou dos compromissos do dia, da reunião com a ZunkCom e meu coração palpitou. “Calma! Tá tudo sob controle”. Conversamos sobre mais algumas demandas e já estava na hora de ir até a sala de reunião, onde Nina estaria. Respirei fundo, olhei São Paulo e fui.

– Bom dia! – Falei séria sem olhar para ninguém. Apenas para Gisele que estava na cadeira ao lado da minha com um sorriso largo no rosto. Hunf. Todos responderam e Nina se levantou para iniciar a apresentação. Fiquei paralisada quando nossos olhos se encontraram.

– Bom dia! – Ela falou me encarando com uma expressão calma e curiosa. – Vou apresentar a nossa principal publicitária e a mais importante da campanha. – A projeção se iniciou e eu não me lembro de mais nada, além de cada gesto que ela fez, cada passada de língua na boca, cada sorriso.

Nina estava com uma calça super colada e uma camisa de botão, meio masculina. Um salto alto e cabelo completamente de lado, deixando um volume de cachos preenchendo meus olhos. De lado eu poderia ver aquela bunda e meus pensamentos estavam sem controle naquele momento.

Fui retirada do transe com as palmas de todos na sala e Gisele me cutucando. Bati palma também enquanto encarava Nina que me olhava com um sorriso de canto de boca. “O que ela está pensando? Está me provocando ali na frente de todo mundo?”

– E então, Gabi, aprovado? – Gisele me perguntou, ansiosa para ver a campanha no ar e se vangloriar pelos corredores de que tinha feito isso também.

– Com certeza, aprovadíssima. – Falei olhando para Nina de cima a baixo e ela entendeu sobre o que eu estava me referindo.

– Ótimo! Vamos rodar! – Gisele falou empolgada e foi em direção a Nina a fim de acertar detalhes da veiculação. Saí da sala e percebi os olhos da morena me acompanhando.

– Cassia, não deixe Nina ir embora antes de vir até minha sala. – Falei e entrei fechando a porta. O que eu estava pensando? Chamar ela para que? Ter uma DR sobre o que aconteceu no banheiro, não, né? Mas porque eu precisava vê-la de novo? Não tive tempo de achar as respostas e ouvi as batidas na porta.  Nina entrou séria e curiosa.

– Fecha a porta, por favor.

– Você quer falar comigo? Alguma coisa na campanha?

– Não. Está ótima! Mesmo não tendo prestado muito atenção nela. – Falei com um sorriso no canto da boca. Ela sorriu também.

Fui chegando mais perto de Nina e pude sentir seu perfume. Nos encaramos por alguns segundos e não resisti. Me joguei naqueles lábios carnudos mais uma vez. Ela retribuiu o beijo no mesmo momento, me apertando contra seu corpo, pedindo por mais contato. Num lapso de juízo, me afastei dela, empurrando-a.

– Não podemos! Aqui, não. É loucura demais.

– É! Com certeza… Eu vou indo. Nos falamos depois. – Ela se virou desconcertada e saiu rebolando, o que me fez correr e impedir que abrisse a porta.

– O que é a vida sem umas loucuras vez em quando, não é? – Sorri e nos beijamos novamente.

contorapido22

Estávamos acesas de novo e Nina me encostou na porta beijando cada pedacinho do meu pescoço, mordendo e chupando, me deixando cada vez mais excitada. Minha mão não saia de sua bunda, apertando, puxando-a contra mim. Como pode uma pessoa que mal conheço me deixar nesse estado? Com mãos ágeis, Nina tirou minha blusa e abriu meu sutiã me deixando nua da cintura pra cima em pleno escritório. Confesso que pensar nisso me deixou nervosa e  excitada. Ela desceu os beijos pelo meu pescoço, apertando meus dois peitos com força, me arrancando gemidos baixos para que Cassia não ouvisse lá fora.

Nina passou a língua pelo meu peito, o que me fez arrepiar todos os pelos do corpo e num impulso ir empurrando-a até a minha mesa. Derrubando alguns papeis, canetas e o telefone. Estava com as mãos em sua perna para colocá-la sentada, quando ela me virou e suspendeu minha saia, me sentando na mesa. Ela estava furiosa de desejo. E eu ficando mais louca ainda.

Sua língua passeou pelas minhas pernas, apertando minhas coxas e arranhando de leve. Ela, com os dedos, afastou minha calcinha, senti sua respiração bem pertinho do meu sexo. Olhei para baixo enquanto ela admirava o que estava vendo para depois encostar a língua quente em mim, que já estava molhada. Gemi, arqueando meu corpo para trás. Nina me chupou deliciosamente devagar alternado lambidinhas com chupões, eu estava ficando cada vez mais excitada. E um orgasmo foi se formando entre minhas pernas. Perdi o controle do meu corpo e tremi na boca da mulher abaixada em minha frente. Puxei seus cabelos e ela entendeu a situação, me chupando cada vez mais rápido. Gozei intensamente.

Ela se levantou e beijou minha boca de forma carinhosa. Pegou sua bolsa no chão, me deu uma ultima olhada, um pequeno sorriso e saiu. Fiquei sentada na mesa, completamente exposta e sem reação, ainda recuperando o fôlego.

Nina

O resto daquela manhã foi completamente inútil para mim. Não conseguia me concentrar em absolutamente nada, a não ser em Gabriela aberta em cima daquela mesa, enquanto eu a chupava. Que delicia! “Como isso pode ter acontecido?” “Como ela pode ser tão gostosa, assim?”. Fui despertada das boas lembranças com Larissa entrando na sala.

– Com licença, ami! Desculpa interromper o silencio de seu descanso, mas precisamos falar sobre a campanha do banco. Pode ser agora?

 – Claro! Vou abrir os arquivos aqui, vá me falando o que pensa.

Larissa começou a dar opiniões e sugestões de ajustes e mudanças na campanha e eu me esforçando para estar ali naquele momento. Queria muito contar para ela o que aconteceu, mas só depois do expediente, senão nem eu, nem ela faríamos mais nada. No meio da conversa, checando meu computador, recebi um email intitulado “Essa mesa…”. Senti um calafrio em todo meu corpo e fui ler o e-mail, completamente ansiosa pelo que estaria escrito.

“Como você pode ter saído e me deixado assim? Não consigo trabalhar olhando para essa mesa. Quem te deu a ousadia de invadir meus pensamentos?”

Fiquei sorrindo igual uma boba olhando para a tela do computador. Larissa me fitou desconfiada.

– O que foi, Nina? Tá aprontando o que ai?

– Nada, uê. Apenas vendo uns e-mails.

– Rum. Te conheço! Mas quero saber depois, primeiro vamos terminar isso aqui.

Ouvi Larissa falando e assenti com a cabeça, mas eu precisava pensar em como responderia aquele e-mail e já.

“Digo o mesmo para você. O seu gosto ainda está na minha boca. Tenho a impressão de que ele não sairá tão cedo ;)”

Enviei o email e voltei minha atenção a Larissa em minha frente. Ainda completamente desconcentrada. Agora estava atualizando o email por segundo para ver se havia chegado algo. E numa dessa vezes, eis que chegou.

“Você pode sentir esse gosto mais vezes. Contanto que não seja nessa mesa. rs”

A brincadeira de e-mails estava ficando uma delicia. E se eu já não estava concentrada, fiquei pior. Larissa me chamou para almoçar e não desgrudei do celular, atualizando, lendo e respondendo e-mails de Gabriela Matos.

“Rs, tenho outras mesas que a gente pode usar ;)”

“Na verdade, estava pensando em usarmos uma mesa hoje a noite. Para jantar. Você aceita?”

Fiquei parada com o celular na mão. Ela estava me chamando para jantar. Meu coração estava quase saindo pela boca. Larissa mais uma vez percebeu.

– Chega, Nina. Vai me contar o que é que você ta aprontando ou vou ter que tomar esse celular e descobrir sozinha?

Respirei fundo, olhei para Lari atenta em minha frente e falei.

– Eu transei com Gabriela Matos. – Larissa estava com a boca aberta e os olhos brilhando em minha frente – Duas vezes. E ela está me chamando para jantar.

– Pelo amor de Deus! Eu quero detalhes, eu necessito. Como assim? Quando foi isso? – Larissa falou rápido, quase gritando.

– Na sexta, no bar. E hoje, na mesa da sala dela.

– O que?! Você é ninja demais. – Larissa falou não acreditando, o que me fez rir.

– Sério! Vou aceitar o convite. – Falei em suspiro, sentindo meu corpo todo arrepiar.

– Claro que vai! Você não é nem louca de recusar. Meu Deus. E eu achando que tinha rolando uns olhares e só. Essa é minha garota. – Gargalhamos na mesa e respondi o email.

“Onde te encontro? E que horas?”

Às 20h, estava chegando no SPOT para encontrar Gabriela, mais nervosa do que qualquer coisa, e já excitada antes mesmo de olhar para ela.

Gabi

Não tinha mais volta. Convidei ela para jantar e não tinha espaço para arrependimentos. Até porque já estou aqui no restaurante sentada esperando por ela. Sim! Cheguei mais cedo, não tinha como ficar em casa. Pedi um drink e fiquei tentando me acalmar. O que iriamos fazer? Transar ali seria impossível. Mas porque eu estava com essa vontade de estar perto dela? Nunca faço isso. Nunca marco nada com alguém no dia seguinte. Nunca mando uma mensagem tão rápido. Essa mulher tá me tirando do trilho.

Fui interrompida de meus pensamentos quando vi Nina entrar no restaurante. Linda! Me procurando pelas mesas. Acenei a mão para ela, que veio em minha direção. Me levantei para cumprimenta-la.

– Você está linda! – Ela disse me encarando.

– Você, também! – Falei olhando para seu corpo.

Ficamos por alguns segundos nos olhando, sem ter o que falar. Até que eu quebrei o gelo.

– Olha, eu sei que você deve estar confusa com meu convite. Mas é que eu sou assim. Vivo seguindo meu instinto. E algo aqui dentro me fez querer sua companhia hoje de manhã. Algo além do seu corpo. – Ri discretamente. – Eu quero te conhecer melhor. E eu sei que você também quer. – Falei mandona, ela riu.

– Se você não tivesse mandado aquele e-mail. Bem provável que eu voltaria a sua sala. Pensei em você o dia inteiro. Aliás, tô pensando em você desde que te vi em nossa primeira reunião.

Nossos olhos se encontraram de uma forma diferente dessa vez. Mais calmos, conversando sem abrir a boca. Poderia jurar que uma pequena paz tomou conta do meu corpo e eu já imaginava os dias dali para frente. Com Nina! Eu não estava procurando por isso, mas quando algo tão avassalador chega até nós, só sendo muito burra para deixar passar. E burra, eu realmente não sou.

Dei uma piscada de olhos para Nina. A gente estava apenas começando.

Fim!

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