A flor – Parte II

O jantar está sendo super tranquilo, conversamos de tudo e ela é tão inteligente, sexy, atraente, educada e linda. Mulheres que conseguem ser sexy mesmo agindo sem a intenção de ser, me deixam louca. Ela é diferente, engraçada e me deixou super relaxada. Inúmeras vezes me pego esquecendo que isso é um encontro pago.

– Olha, faz quase duas horas que estamos conversando e só agora que eu me toquei que não sei quase nada sobre você, tipo sua profissão.

– Verdade! Você quer saber?

– Claro, me diga tudo sobre o que você faz.

– Sou oceanógrafa. Pós-graduada em oceanografia e trabalho coordenando projetos relacionados aos recursos marinhos, para uma empresa privada.

– Desculpa minha ignorância, mas, o que é exatamente oceanografia?

– Basicamente, é estudar os rios, mares, zonas costeiras e oceanos. Descrever a situação física dos ambientes e interpretar fenômenos naturais que neles ocorrem e sua interação com continentes e a atmosfera. Também desenvolvo técnica para exploração dos recursos naturais, mares e preservação do meio ambiente.

– Interessante. Nossa que incrível. Deve ter muito cálculos e formulas não é?

– Demais, para você ter uma ideia, algumas matérias são oceanografia física, oceanografia química, oceanografia biológica e oceanografia geológica, preservação ambiental em órgãos do setor público, gestão de projetos ambientais no setor privado e educação ambiental.

– Nossa, você deve ser bem inteligente.

– Porque acha isso?

– Para fazer esse tipo de curso, tem que ser gênio.

– Olha quem fala. Qual é seu curso mesmo? – Caímos na risada.

– Esse restaurante tem uma área externa linda, foi o que me falaram. Quer ir conhecer comigo?

– Claro. – Caminhamos em silêncio até o jardim. – Realmente uma vista linda.

– Sim, é.

– Anita, você trabalha todos os dias?

– Não. Procuro não atender todos os dias, invisto no meu corpo, que é literalmente minha ferramenta de trabalho e nos fins de semana atendo.

– Você não se importa de atender homens ou mulheres?

– Não, sou bem profissional. Tenho minha preferência pessoal, mas sei ser bem profissional.

– Serei invasiva se perguntar qual é a sua preferência?

– Sou lésbica.

– Nossa, você não tem jeito.

– Jeito? Ai, que decepção Isabelle. Sério que você acredita em estereótipos? Você também não tem jeito de lésbica mais é, não é? – Meu rosto corou, eu estava levando uma bronca. E pensando bem, é ridículo rotular as pessoas. – Você precisa assistir canal das bee, Lorelay Fox. Ler o site Sou Betina.

– Desculpe. Eu não queria estragar tudo.

– Não estragou, ainda gosto de falar com você. Mas anote e assista esses canais e acesse esse site, ok?

– Ok. – Peguei meu celular para anotar.

– Não precisa. – Ela caiu na risada. – Eu te mando por whatsapp. – Ela ficou me encarando atentamente. – É… Quer me perguntar algo mais? Porque olha ao invés de oceanógrafa você deveria ser jornalista. – Fiquei vermelha como um tomate.  – Ai meu Deus. Adoro seu jeito tímido. Vamos, me pergunte o que quiser.

– Você me elogia só para me deixar vermelha!

– Para. Te elogio porque você merece! Dá vontade de apertar você.

– Aperte então! – Disse em tom de brincadeira, mas ela prontamente apertou minha bochecha, nossos corpos quase colados, e nossas bocas bem próximas, me deu uma tremenda vontade de beija-la, mas sei que não podia. – Você é linda, muito linda.

– Não estou acostumada com elogios.

– É impossível não te elogiar. Algum cliente já foi ríspido com você?

– Acontece. Sempre tem os que acham que por estarem pagando podem fazer o que quiser, mas ai, eu coloco eles na linha. Se é grosso comigo, eu nem termino meu serviço, vou embora. Prefiro devolver a grana e ir embora. Não sou paga para isso.

– Concordo.

– E tem uns que não querem papo, mas tudo bem.

– Entendo. Estou tomando seu tempo, não é?

– Não! Não pense assim, eu realmente gostei de conversar com você. É difícil ter alguém que a conversa dê tão certo! E… – Ela se aproximou de mim. – Para que pressa? Temos todo tempo do mundo.

– Prometo não lhe fazer mais pergunta. Não mais por hoje.

– Hum gostei…

– Do que?

– De você falar que é só por hoje, significa que pretende me encontrar mais vezes.

– Admito que sim. – Sem me avisar, ela juntou meu corpo ao dela, me encostando em uma pilastra e me deu um beijo no canto da boca. – Posso pagar a conta para irmos?

– Claro.

– Deseja mais alguma coisa? – Perguntei.

– Não, quer dizer. Só ficar sozinha com você. – Ela sabe me intimidar, só me olhando ela já me faz tremer.

– Volto logo. – Saí sem olhar para traz, se não provavelmente não sairia do lugar.

Saímos do lugar, fizemos todo o caminho em silêncio. No caso, eu em silêncio e ela cantando todas as músicas que tocam aleatoriamente no rádio. Chegamos no motel, escolhi a melhor suíte. Anita merece… Bom papo, linda e super inteligente. Meu tesão está no auge.

– Escolheu um belo quarto. – Colocou a bolsa em cima de uma mesa.- Está nervosa?

– Estou, nunca fiz isso antes. – Ela me olhou com desconfiança. – Digo, eu já tive relações com mulheres, fui até noiva. Mas você é diferente.

– Porque eu sou paga? – Fiquei sem jeito. – Tudo bem, não tem problema.

– Eu não sei por onde começar.

– Deixe comigo, tire seu vestido para mim. – Obedeci de imediato, enquanto ela me olha atentamente. – Deite-se, vamos jogar um pouco.

– Como será o jogo?

– Eu vou te tocar, te provocar e você não poderá me tocar. Só quando eu permitir.

– Está bem. – Por Deus, eu topo qualquer coisa que essa mulher me propor. Ela me devora com seus olhos, enquanto tira seu vestido. – Puta que pariu. – Ela soltou uma risada, bom até eu iria rir se eu estivesse tirando a roupa e uma garota me olhasse com cara de idiota. – Desculpa pelo palavrão.

Ela subiu na cama, e veio em minha direção engatinhando de maneira graciosa. E intimidadora, se sentou em meu colo, passando as mãos em minha nuca me fazendo um cafuné.

– Seu cheiro é muito bom, Isabelle. – Beijou a minha nuca. – Pele macia, isso é tão bom. Você é tão gostosa. – Seu quadril ganhou movimento, um vai e vem lento, ameacei encostar nela. – Não pode tocar em mim, você me disse ser bem competitiva, pois seja uma adversária a altura.

– Eu não ligo de perder para você, até porque se você continuar por muito tempo eu não vou aguentar.

– Desculpe, baby. – O tom da sua voz é carregado de sarcasmo. – Vou facilitar as coisas para você. – Sua boca saiu do meu ouvido e foi percorrendo meu pescoço, suas mãos tiraram meu sutiã e sem demora começou a torturar meus seios. – Assim está melhor, Isabelle?

– Ohh porra… Por favor me deixa encostar em você, Anita!

– Na na ni na não. – Mordeu minha orelha, com vontade, me fazendo arrepiar. – Mas eu posso te tocar. – Ela se abaixou sugando meu seio esquerdo, enquanto maltratava o outro. – Você é tão gostosa.

– Se acha isso, porque não prova¿

– Tem toda razão. – Ela foi até meu sexo e começou a suga-lo com força, me fazendo arfar de tesão. – Você realmente é gostosa. Não vou sair do meio das suas pernas tão cedo.

– Então chupa, vai. Vamos ver se você é boa mesmo. – Ela me olhou com um olhar provocante e totalmente determinado.

– Eu sou a melhor. – E voltou a me chupar com provocação, sua língua serpenteava sobre meu clitóris, fazia alguns meses que eu não ia para a cama com ninguém. Não sei se era isso ou se ela era boa mesmo, mas não demorou mais do que dez minutos para que eu me derramasse em sua boca. – Seu gosto é o melhor Isabelle, quero gozar junto com você. – Ela enlaçou nossas pernas até conseguir contato do seu sexo com o meu, começou a rebolar. – Porra!

– Você tá me deixando louca. – Ela sorriu.

– É essa a intensão… Droga! Vou gozar. – Comecei a rebolar no mesmo ritmo e não demorou muito para nós duas começarmos a tremer… Gozamos.

Ficamos deitadas recuperando o folego, meu Deus que mulher incrível.
Eu não queria que ficasse um momento constrangedor então fiz a primeira pergunta que me vem na cabeça.

– Você está bem?

– Sim, e você? – Ela me encarou com serenidade, muito diferente daquela leoa de minutos atrás.

– Também. – Fiquei calada.

– Foi muito bom. – Não sei se ela me disse isso porque sou sua cliente ou porque realmente é verdade, prefiro acreditar na segunda opção. – Seu sorriso é lindo.

– Seu sorriso também é lindo…. Permita-me dizer que você inteira é linda.

– Acha mesmo? – Ela parece animada com o meu elogio, eu apenas confirmei balançando a cabeça. Seu corpo nu é um convite e tanto para começar tudo de novo, talvez de um jeito diferente, eu paguei por esse encontro sem hora marcada, preciso aproveitar. Passei meus dedos por seu abdômen de um jeito calmo, sua pele se arrepiou, então me coloquei em cima dela sem demora. – Você é linda vista desse ângulo também. – Fui em direção a sua boca, queria testa-la, chegar bem perto da sua boca, e ver se ela me impedia de beija-la. Foi o que fiz, e ela nada fez, quando estava milímetros de encostar minha boca na dela, abaixei-me indo até seu pescoço. Sua mão entrou em meu cabelo, e seu corpo se elevou.

– Posso fazer isso? – Desci minha boca e suguei o bico do seu seio bem devagar sem desconectar nossos olhos.

– Você pode tudo. Tudo o que quiser.

– Tudo mesmo? – Ela gemeu com satisfação aos meus carinhos, lambi cada canto do seu seio, revezando sem deixar de dar atenção com a minha mão ao outro.

– Tudo. –  Apertei Sua cintura fazendo-a arfar, ela não parava de maltratar meu couro cabeludo com seus puxões e aquele tesão estava voltando. – Aiii.

Desci percorrendo seu corpo deixando distribuindo mordidas leves pelo seu corpo. Entendendo bem aonde eu queria chegar ela abriu suas pernas, me dando livre acesso ao seu sexo encharcado.

Foi impossível não sorrir ao ver que não era fingimento ela realmente estava gostando, distribui beijos por sua virilha, apertando seu corpo quente. Seu clitóris inchado totalmente convidativo, mas preferi esperar mais um pouco, só para ouvir ela implorar por mim.

– Por favor, não me tortura mais.  – Ela disse se remexendo na cama, com uma voz manhosa.

Continua…

A flor – Parte III

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Celine Ramos
Baiana, feminista, negra e publicitária. Fundadora do SouBetina. Vivo na ponte-aérea Salvador-São Paulo. <3