A FLOR – PARTE XI

POV ISA

Ontem foi maravilhoso, tirando o contra tempo com a Erica. Eu não gosto de ser agressiva e grossa com as pessoas, mas foi o único modo de fazer ela cair na real. Espero que ela entenda isso daqui para frente e não me odeie, porque sei que ela deve me odiar. Eu não quero deixar sentimento de ódio nos outros, mas no caso dela foi necessário.

Hoje é o nosso ultimo dia inteiro em Canoa, tá batendo uma saudade. Resolvemos passar o dia todo com a família de Isa, Luna até foi autorizada a faltar de aula. O jantar foi regado de frutos do mar e foi divertido.

– Oi. – Bateram em minha porta. – Entra.
– Sou eu. – Rosa apareceu pela fresta da porta.

– Entre.

– Desculpa não ter saído com você hoje, mas precisava ficar mais perto deles, inteiramente para eles.

– Eu entendo. Faria o mesmo. – Ela sorriu com a minha fala, e ficou me olhando atentamente. – O que foi?

– É surreal imaginar você aqui, lembrar de quando te conheci, jamais imaginaria estar com você aqui, na casa da minha família, compartilhando coisas e momentos com eles. Integrada aqui.

– Gosto muito deles.

– Eles também.

– Está tudo bem, Rosa? – Estava preocupada, ela parecia tensa.

– Sim, queria te pedir um favor.

– Tá bom, pode pedir.

– Ok, isso vai ser bem estranho de se dizer, mas, ao mesmo tempo eu sinto que com você eu posso falar tudo sem filtro.

– E pode mesmo.

– Isa… Bom, vou ser bem clara. Devido a minha profissão, eu não posso dizer que faz tempo que eu não faço sexo, eu trabalho com isso. Eu não sei se na sua cabeça tem essa divisão, mas para mim sexo é uma coisa, amor é outra e faz muito tempo que ninguém faz amor comigo. Eu queria poder uma vez ser amada. E desculpa mas, eu não consigo imaginar outra pessoa para me fazer se sentir assim.

– Rosa, não peça desculpas por isso. Eu fico feliz que eu consiga fazer você sentir isso.

– Você poderia me fazer sentir isso hoje? – Ela disse envergonhada, como se fosse uma menina virgem pedindo para perder a inocência. Rosa tem dessas coisas, ela é de surpreender.

– Claro. – Levantei calmamente da cama e fui até a porta para trancá-la. Voltei em direção a cama, me aproximei dela e dei um beijo em seu pescoço. – Por mim eu faria isso todos os dias da minha vida.

– Eu sei que faria. – Tirei sua camisola, deixando-a somente de calcinha. – Deite-se. – Ela fez o que eu pedi. Tirei meu short e minha blusa com rapidez. Me deitei lentamente do seu lado, comecei a acariciar seu rosto. – Você é linda, Rosa.

– Você é linda, Isa…Essa noite é muito importante para mim. Pode ser besteira, e até eu mesma julgaria ser, mas, toda vez que eu penso na minha primeira vez, em todas as vezes que eu fiz amor eu lembro da Erica e eu não quero lembrar dela. Não cabe na minha cabeça pensar que a pessoa que me fez mulher também seja a que mais me fez mal. Eu não quero associar ela a coisas importantes, eu sei que a única pessoa que nunca vai me machucar é você.

– Jamais te machucaria. Relaxe, vou apagar seu passado, prometo só te dar boas lembranças, vou ser carinhosa.

– Sei que vai. – Ela disse com um sorriso tímido.

Beijei-a com ternura, segurando em sua cintura, deixando ela me tocar de um jeito calmo. Fui para sua nuca e senti sua pele se arrepiando, sua respiração acelerada. Desci com minha boca até seus seios e de maneira lenta fui lambendo e sugando. Pretendo fazer tudo nesse ritmo, devagar e intenso.
Desci dando beijinhos em sua barriga, chegando até seu sexo macio e cheiroso. Beijei sua virilha, e sem demora comecei a suga-la lentamente. Ouvindo sua respiração aumentar, senti suas mãos percorrendo meus cabelos, ombros  e costas. Voltei a beija-la fazendo-a sentir o seu gosto em minha boca. Meus dedos começaram a fazer carinho em suas coxas.
A pressa fez morada em minha mente, e sem demora, penetrei-a com dois dedos, em um vem e vai gostoso e lento que foi aumentando conforme as nossas respirações. Seus gemidos baixos me fazendo sair de mim, sentir seu corpo tremendo suado, sua boceta se fechando ao redor dos meus dedos. Ela gozou acompanhada de um gemido baixo e manhoso. Saí de dentro dela, enchendo-a de beijos e carinhos.
– Sou louca por você. – Confessei em um sussurro.

– Eu também… Me dê mais de você. – Atendi seu pedido prontamente. – Me posicionei de modo que nossos sexos se encostassem. – Isso.

– Espero que essa cama não seja barulhenta. – Sussurei.

– Eu também. – Ela afirmou em um tom divertido.

– Vamos ver. – Comecei a me movimentar, sentindo o atrito do meu clitóris com o dela. – Perfeito. – Senti suas mãos me arranhando com vontade.

– Não para. – Ela suplicou olhando nos meus olhos.

– Só vou parar quando você e eu gozarmos juntas. Por Deus você é tão gostosa.

– Mais rápido, mais mais. – Fiz o que ela me pediu, senti meu meu corpo perdendo a força, uma vontade louca de continuar e as pernas tremendo assim como todo corpo.

Gozamos juntas.

Me deitei do seu lado, puxando-a mais para perto.

– Como se sente? – Apertei-a junto a mim.

– Amada. – Percebi que ela sorria. – E segura. – Ela beijou minha mão.

– Então me deixa te amar pelos outros dias.

– Já falamos sobre. – Ela suspirou pesado. – Você sabe.

– Eu sei, me desculpa parecer chata… Mas quando se trata de você, eu preciso insistir.

– Tudo bem.

– Dorme comigo.

– Não posso, preciso dormir com a minha irmã, acordar do lado dela. – Ela me encarou. – É melhor eu ir. – Ela se desfez do meu abraço, pegou suas peças de roupa e começou a se vestir. – Boa noite, Isa. – Saiu do quarto da mesma forma que entrou, de maneira rápida.

No dia seguinte

Voltando à realidade, foram os melhores três dias da minha vida.

– Posso ir com você até seu apartamento, levar as malas. – Falei quando terminávamos de pegar as bagagens.

– Melhor não. – Rosa disse fria.

– Rosa, eu sei que você já me avisou dos três dias mas, nós precisamos conversar, quem sabe resolver isso.

– Como? – Ela explodiu. – Isabelle, me diz como?

– Olha, eu não me importo de arcar com suas despesas até você se formar.

– Isso seria me comprar!

– Mas não é isso que todo mundo faz? Porque eu não posso fazer? – Ela não disse nada, seus olhos ficaram molhados.

– Nunca mais diga isso, ok? – Ela apontou o dedo para minha cara. – Eu aceito ouvir isso de qualquer, um menos você. – Comecei a chorar, porque percebi a merda que tinha acabado de dizer.

– Desculpe, eu não queria.

– São dois anos Isa, faltam dois anos. Eu nunca fui mulher de ser sustentada pelos outros. Não mudaria isso agora.

– Rosa, eu preciso de você. De verdade. Eu preciso muito de você, e você sabe que isso não é algo unilateral.

– Por favor, Não vamos piorar as coisas mais do que já estão. Cada uma segue seu rumo, Isa.

– Como? – As pessoas no aeroporto nos olhava. – E você vai esquecer tudo o que a gente passou? – Rosa ficou em silêncio.

– Isa, é o certo a se fazer. – Ela começou a acariciar meu rosto, seus olhos se encheram de lagrimas. – Promete não me procurar nunca mais.

– Não posso prometer isso.

– É para o seu bem. Nós não podemos.

– Ficar sem você não vai me fazer bem, Rosa.

– Me desculpe. – Ela me abraçou. – Por favor não me procure. – E saiu.

Vi Rosa sumir no mar de gente correndo atrasado para o voo, saí do céu para cair no inferno. Eu não sei se vou conseguir evitar procura-la, mas preciso tentar.

Treze dias depois.

A mão chega a coçar. Não procurei mais por Rosa ou Anita, bloqueei o site dela, mesmo se eu quiser acessar, o sistema vai me impedir. Não bloqueei-a no whatsapp mas não procuro por ela, eu não sei o que fazer ou o que pensar, eu estou no automático, trabalhando e trabalhando. Eu não quero ter tempo para pensar… Mesmo assim, eu penso.

– Isa, você viu a notícia que saiu no sciELO? – Eduardo tentou puxar papo comigo. Enquanto eu fico apenas digitando e estudando gráficos. – Isa? Isa?

– Oi, Edu! – Bati na mesa, fazendo ele se assustar. – Desculpe.

– Calma, cara. Desde que você voltou das férias você tá no automático, nervosa pra caralho, o que tá acontecendo?

– Nada.
– Ok, se não quer comentar não precisa.

– Você me chamou pra que?

– Pra te perguntar se você viu aquela noticia que saiu na revista sciELO.

– Ata, ví sim… recebi notificação faz uns 20 minutos.

– Hum… Vai beber hoje?

– Vou sim.

– Que pergunta não é? Quando você não vai.

– Tá sendo sarcástico por que?

– Porque as vezes você vem de virote. Isa, você não era assim!

– Todo mundo muda, me deixa Eduardo.

– Ok, vou te deixar então.

Três meses depois
POV ROSA

Vivendo para estudar, trabalhar e pensar na Isa. Fecho olhos e lembro dos momentos que passamos juntas, das risadas, beijos, abraços e tudo.
Lembrando da primeira vez que a vi, de como eu me senti diferente no primeiro programa com ela.

 

Hoje é dia de trabalhar, uma mulher quer sair para dançar em uma boate acompanhada e depois vamos para um hotel ou motel. Está cada vez mais difícil deixar Rosa de lado e pensar como Anita.

A boate está lotada Paloma até é uma pessoa engraçada, divertida e me trata bem. Nunca tinha vindo nessa boate, é um bom lugar para se divertir. Meu marketing está dando certo, as pessoas não param de me olhar, de me cobiçar faz parte do meu trabalho, faz parte do meu show atrair olhares maliciosos e curiosos.

Até que ví encostada no bar, um pouco curvada… Isa. Vi mulheres chegando nela, e ela sempre recusando, admito que fiquei feliz em vê-la dispensando todas. Tão linda, porém tão triste, ela parecia não ter me notado até então, mas acho que passei tanto tempo olhando-a que ela me viu.

Eu não sabia ler seu rosto, eu não sei imaginar o que ela deve estar pensando. Mas ela não tirou os olhos de mim, até eu desviar meu olhar. Tentei fazer meu trabalho e apenas olhar para Paloma, mas não consegui, hora ou outra me pegava olhando na direção de Isabelle vendo-a beber como nunca tinha visto antes, o que me preocupou bastante.

– Tudo bem, gata? – Paloma me perguntou curiosa.

– Está sim, eu só estou com um pouco de sede. – Menti.

– Seu pedido é uma ordem! – Ela soltou um sorriso simpático. – Quer beber o que? – Me perguntou curiosa, eu não estava com sede então qualquer coisa servia.

– Pode ser água.

– Serio?

– Serio, te falei não bebo em serviço.

– Sendo assim, já volto.

Resolvi fechar meus olhos, tentar não olhar para ela mas foi em vão, saber que ela está no mesmo ambiente que eu, sem poder conversar com ela, tocar… Beijar.

Paloma voltou com minha garrafa de água e no primeiro gole quase cuspi, Isa tinha se rendido a uma garota, as duas iniciaram um beijo quente, foi mais do que meu coração podia aguentar ver.

Eu preciso sair daqui. Uma mistura de dor, com raiva dessa garota, raiva da Isa por estar beijando outra boca que não seja a minha. Mas o pior sentimento talvez seja o meu, raiva de mim. Se eu não fosse garota de programa, se eu tivesse largado tudo quando ela tantas vezes insistiu, poderíamos estar aqui dançando e se curtindo juntas. Ou, na melhor das hipóteses, vendo alguma série juntas enquanto comemos pizza.

– Paloma. – Segurei nos braços dela. – Que tal sairmos daqui?

– Nossa, mas já baby? – Paloma me pegou na cintura.

– Sim, quero agora.

– Você que manda, vem comigo.- Ela me arrastou de lá.

 

Continua…

Já leu?

A flor – Parte I

A flor – Parte II

A flor – Parte III

A flor – Parte IV

A FLOR – PARTE V

A FLOR – PARTE VI

 

A FLOR – PARTE VII

A FLOR – PARTE VIII

A FLOR – PARTE IX

A FLOR – PARTE X

 

 

 

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