A FLOR – PARTE XIV

– Mas…

– Mas nada! Levanta e vai lá.

– Luna…

– Nem menos Luna, mais Luna. Estou te expulsando do quarto, do seu quarto. Vai logo. – Ela pegou no meu braço e me levou até a porta. – Vai beijar na boca. – E fechou a porta na minha cara.

Fui para sala, Isa estava deitada, dormindo. Tão linda. Sentei no sofá, entrei debaixo da coberta, abracei-a e ela acordou.

– Luna me expulsou do quarto. – Falei baixinho.

– Me lembre de agradecê-la.
– Posso ficar aqui?

– Pode, gruda em mim… Vou dormir melhor.

– Também vou. Estou morta de cansaço.

– Será a primeira vez que dormimos juntas, espero não roncar. – Ela começou a rir.

– Se roncar, eu te acordo. Me abrace bem forte, estou com saudades do seu abraço.

– Durma bem, Rosa. – Ela disse e eu adormeci.

Acordei com o barulho das panelas.

– Filha, já são quase quatro da tarde. Nossa senhora, dormi muito.
– Nossa eu também apaguei mamãe.

– Demorou porque pelo visto demorou a dormir. – Meu pai apareceu me dando um abraço.

– Até que não. Eu ia dormir no meu quarto, mas a Luna me expulsou, dizendo que precisava dormir na sala.

– Luna é terrível. – Meu pai caiu na risada. – Acordei e ví vocês duas dormindo abraçadas, é namoro?

– Ainda não me pediram.

– Ué, e porque você não pede?

– É uma boa ideia.

Duas horas depois.

– Nossa, acho que dormi demais, já tá anoitecendo. – Isa surgiu na cozinha coçando o olho.

– Boa noite, Isa. – Meus pais falaram animadamente.

– Boa noite, gente. Desculpa por ter dormido tanto.

– Sem problemas, não faz muito tempo que acordamos. Luna está dormindo até agora. – Respondi enquanto enxugava minhas mãos.

– Está com fome, querida? – Minha mãe perguntou.

– Um pouco.

– Estou fazendo strogonoff para o jantar, daqui a pouco está pronto.

– A senhora precisa de ajuda?

– Não, está tudo sob controle, Rosa me ajudou.

– Está bem, vou trocar de roupa, tomar um banho, já volto.

– Gente, porque não vamos ao cinema? – Meu pai disse animado.

– Mas amor, e a comida que eu fiz?

– Vida, é só comermos e sairmos para ir ao cinema, faz tanto tempo que não vou. – Ele abraçou-a apertado. – Quero levar minha gata ao cinema. – Deu um beijo no pescoço dela, foi impossível não sorrir com a cena. Os dois apesar de anos de casados se comportam como um casal novo.

– Ótima ideia papai, vou acordar Luna, comemos e vamos. – Levantei e fui em direção ao meu quarto.

– Faça isso, minha filha.

Cheguei no meu quarto, Luna estava dormindo profundamente de um lado. E Isa com o celular ligado fazendo lanterna procurando algo no meu guarda roupa.

– Oi.

– Oi… Tá estranho essa cena, não é? Mas posso explicar, eu preciso de roupas novas e como eu decidi de ultima hora vir da Irlanda para cá, eu peguei a mochila, coloquei documentos e uma troca de roupa. Como ontem você disse para ficar à vontade, eu nem te pedi hoje.

– Tudo bem, use e abuse, pegue o que quiser. Meus pais decidiram ir no cinema, vamos? – Cruzei meus braços e encostei na porta.

– Vamos, sim… Aproveito e passo em uma loja compro algumas roupas.

– Eu não importo de te emprestar as minhas. – Ela foi se aproximando e me deu um selinho. – Até que ficaram boas em você.

– Também gosto das suas roupas. Desculpa ter apagado ontem, eu estava muito cansada. Não dormi nada no avião, tava apreensiva, quando deitei, dormi.

– Tudo bem, foi muito bom dormir com você.

– Podemos repetir isso hoje?

– Se você se comportar bem no cinema, eu penso no seu caso… Mentira, vou dormir com você, sim. – Ela me abraçou.

– Sentirei saudades de você. Não vou conseguir ficar muito tempo longe de você.

– Não me diga que precisa ir embora agora? – Falei assustada.

– Calma, tirei 15 dias. Ainda posso ficar 12 dias aqui.
– Ainda sim é pouco.

– Também acho, mas na Irlanda é tudo muito rigoroso, eu não posso não fazer o combinado.

– Entendo.

– Me diz, quais são seus planos?
– Ingressar no mercado de trabalho… Vendi esse apartamento, saio daqui um mês.

– Mas a Luna não vai vir estudar aqui?

– Vai, mas, não quero ela nesse apartamento. Vai que algum ex cliente descobre que eu moro aqui e vem. Então comprei um apartamento mais perto da faculdade e ela vai poder ir a pé.

– Está certa. Não vai morar aqui?

– Não.

– Vai voltar para Canoa?

– Não.

– Já sabe onde vai morar?

– Sendo bem sincera, não.

– Então eu vou te ajudar com isso.

– Como?

– Vai morar comigo.

– Sério?

– Você viria?

– Acho que sim.

– Acha?

– É. – A respondi e ela se aproximou, segurando em minha cintura e me cobrindo de beijo.

– E agora? Acha ainda ou tem certeza?

– Você está falando sério?

– Claro que estou! Eu fiquei dois anos da minha vida longe de você, pensando em como seria se você tivesse nos lugares que conheci. Eu não aceito ficar mais tempo longe de você.

– Eu vou.

– Prometo me empenhar todos os dias para você não se arrepender disso.

– Sei que não vou me arrepender.

– Vou para o banho, acorde a bela adormecida se não vamos nos atrasar para o cinema.

Fomos para o cinema, como uma linda família. Saímos da sessão e percebi os olhares curiosos dos meus pais, afinal Isa tinha me dado a sua mão e andamos por todo o shopping assim.

A noite, após o revezamento do banheiro, todo mundo resolveu dormir.
Ficamos na sala conversando, ela me falando mais sobre a Irlanda, me mostrando fotos no seu celular… Me apaixonei pelo lugar e pelas coisas que ela me contou sobre lá.

Mas não há no mundo, nada que eu esteja mais apaixonada do que ela.

– O que foi? Você tá me olhando demais, fiquei com brigadeiro nos dentes?

– Não… Estou te olhando… Tão linda.

– Sou nada.

– Aceita ser minha namorada? – Peguei em sua mão.

– Isso depende. – Ela disse em um tom sério.

– O que preciso fazer para você aceitar ser minha namorada?

– Aceitar ser minha noiva… Aceitando isso, eu até aceito ser sua namorada.

– Claro que eu aceito. – Isa abriu um sorriso e me pegou no colo, me fazendo sentar nela.

– Sinto tanta saudade do seu corpo grudado no meu. – Ela disse se aproximando da minha boca.

– Podemos matar essa saudade agora. – Mordi seu lábio inferior.

– Podemos começar… Uma noite só é pouco.

– Tudo bem, temos a vida inteira.

– Chega de papo. – Ela tirou minha blusa com rapidez em seguida meu sutiã. E ficou olhando meus seios. – Eu nunca vou me acostumar com seu corpo, toda vez que eu vejo é como se fosse à primeira vez. Você é minha.

– Sempre fui. Sempre. – Isa capturou minha boca e apertou de leve meus seios, fazendo meu corpo acordar. Só ela consegue fazer isso.

– Vamos para o tapete. – Ela apenas seguiu meu desejo e nos sentou no tapete.

– Deixa que daqui para frente eu assumo o comando.

No dia seguinte

Noite perfeita, eu estou exausta porem extremamente feliz. Perdi as contas de quantas vezes eu gozei. De quantas vezes a fiz gozar nesse tapete.

As únicas coisas ruins é que tivemos que vestir nossas roupas, caso alguém acordasse nos pegaria dormindo peladas. E que não pudemos gemer alto, e quantas vezes eu quis fazer isso, mas ela tampava minha boca. As vezes tenho medo de tudo isso ser apenas um sonho bom, acordar e não ter ela comigo… Por Deus eu a amo tanto.

 

Continua…

Já leu?

A flor – Parte I

A flor – Parte II

A flor – Parte III

A flor – Parte IV

A FLOR – PARTE V

A FLOR – PARTE VI

A FLOR – PARTE VII

A FLOR – PARTE VIII

A FLOR – PARTE IX

A FLOR – PARTE X

A FLOR – PARTE XI

A FLOR – PARTE XII

A FLOR – PARTE XIII

 

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Celine Ramos
Baiana, feminista, negra e publicitária. Fundadora do SouBetina. Vivo na ponte-aérea Salvador-São Paulo. <3