A FLOR – PARTE XVI (ULTIMA PARTE)

Meu dia até se alegrou, fui até a floricultura olhar os arranjos, infelizmente encontrei a ex dela que tentou me tirar do sério, mas não conseguiu. Por fim, eu que deixei ela nervosíssima.

Meus pais e Luna chegaram faz dois dias e estão encantados com tudo aqui. Falei que não exagerava quando dizia que aqui é lindo. A noite caiu, tentei ligar para Isa, mas ela não atendeu. Prometi esgana-la, mas toda essa raiva passou quando escutei sua voz dentro de casa.

Sai correndo e fui abraça-la.

– Quis te matar.

– Eu te amo, amor… Te amo muito. Que saudades

– Saudades também, amor.

– Parem de agarramento vocês duas, mana deixa a Isa abraçar pelo menos os pais dela!

– Ai verdade… Desculpa gente.

– Sem problemas, querida. – Isa saiu dos meus braços e foi correndo abraçar seu pai. – Filhinha.

– Filinha não, pai.

– Eu entendo seu pai, a Rosa sempre será minha filhinha.

– Filhos nunca crescem não é, meu amigo?

– Exatamente.

– Estou com fome, já jantaram? –  Isabelle perguntou.

– Daqui a vinte minutos a comida tá pronta, filha… Vem, vamos te acomodar.

– Vamos.

Jantamos em clima de festa, todos rindo do trote que ela passou no começo do dia, menos eu, isso a rendeu belos tapas nos ombros. Todos foram dormir, resolvemos ficar na sala conversando.

– Ei, ei. Vem aqui…  Saudades de você, amor.

– Também estou com saudades. – Roubei um beijo.

– Que saudades que estava do seu beijo.

– De agora em diante vamos poder nos beijar todos os dias. – Comecei a fazer carinho em seu rosto.

– Durante a vida toda.

– Humrum. – Ela me agarrou me deitando no sofá se deitando por cima de mim. – Amor.

– O que tem? Está todo mundo dormindo.

– Esqueceu que agora só depois do casamento?

– Amor, pelo amor de Deus faltam dois dias para o casamento.

– já aguentamos mais de quatro meses.

– Eu sei, mas é diferente. Estávamos longe, apesar de que. – Isa me lançou um olhar safado.

– Já até sei o que vai falar. Vai falar do strip tease que fiz para você na cam e do sexo que fizemos por telefone.

– Humrum… Pensa amor, o quanto a gente já desejou estar perto uma da outra, agora estamos, pra que esperar dois dias.

– Porque foi o que combinamos.

– Você combinou.

– É, pode ser, mas como minha mãe diz, quando um não quer, dois não brigam.

– Tem certeza que não quer? – Ela colocou suas mãos por debaixo da minha blusa.

– Isabelle, se comporte.

– Está bem. Mas na lua de mel, você me aguarde.

– Me aguarde você! Tenho planos.

– Adoro seus planos.

– Agora vamos dormir, está tarde.

– Vamos dormir juntas?

– Amor, seus pais colocaram eu e um quarto e você em outro. Acho que devemos respeitar isso.

– Que saco.

– Temos a vida inteira. Relaxe.

– Tentarei, amanhã tem algum compromisso?

– Só precisamos ir na joalheria, ver se precisa ajustar sua aliança.

– Tudo bem, depois quero te levar em um lugar importante.

– Tudo bem. Boa noite, amor.

– Boa noite, meu amor.

Dormi como um anjo, sei que poderia ter dormido melhor, poderia ter dormido com ela, mas, tudo bem. Acordei feliz, pude ir ate seu quarto e acorda-la enchendo de beijinhos.

Tomamos um rápido café, porque ela não queria me deixar sair da cama, usou todos os artifícios e quase que conseguiu o que queria. Mas faz parte do meu plano deixa-la louca.

Fomos na joalheria, a aliança dela não precisou de nenhum ajuste.

– Vamos comigo na floricultura?

– Vamos, é do outro lado da rua… O que pretende?

– Quero comprar umas flores, desta vez não é para você amor.

– Para quem é? – Fingi ficar brava.

– Logo saberá. –Ela me deu um selinho.
Fomos para a floricultura, ela escolheu um buquê lindo de flores do campo, entramos dentro do carro e ela dirigiu até um lugar afastado da cidade.

– Amor. – Ela parou o carro. – Chegamos.

– Você está bem? Você está tensa, amor.

– Preciso te dizer onde estamos.

– Tá estou te ouvindo.

– É um lugar que eu sempre me recusei a vir, é o cemitério da cidade. Minha mãe está enterrada aqui.

– Nossa.

– Eu nunca vim aqui, desde que ela se foi, me recusei a visita-la aqui… E amanhã nos casamos, e eu não queria me casar sem dizer isso a ela.

– Eu entendo. – Dei total apoio. – Posso ir com você?

– Pode sim, eu só peço que você me perdoe, eu vou acabar chorando.

– Tudo bem amor, chore se quiser… Eu vou estar do seu lado.

– Vamos antes que eu perca a coragem.

– Vamos.

Caminhamos em silêncio até uma lápide, uma foto linda de uma mulher sorrindo, o sobre nome de Isa estampado ali.

– Oi, mãe. – Isa me olhou esperando que talvez a julgasse por estar conversando com um tumulo.  – Sou eu, sua Belle… Sei que estou lhe devendo uma visita… Sei que cresci, me desculpe mãezinha por não ter vindo antes, juro que não me esqueci de você. Tanta coisa aconteceu… Coisas boas, outras nem tanto. Eu já estou com 31 anos.  A mesma idade que você tinha quando partiu. – Isa começou a chorar, e eu também, ela estava visivelmente emocionada. – Essas flores são para senhora, flores do campo como a senhora gosta. O pai está bem, sei que sabe disso, ele sempre vem aqui no seu aniversário e no dia de finados, você deve saber também que ele está casado, com uma boa mulher, que a considero como mãe… Não ache que ela tomou seu lugar, nunca tentou, ela respeita muito a sua memoria e o que você significa para nós e sempre vai significar. Eu me formei, não sou professora como você, sou oceanógrafa. Moro na Irlanda, voltei por um bom motivo. – Isa me olhou. – Chegue mais perto. – Me ajoelhei ao seu lado, segurei sua mão. – Voltei para buscar essa linda mulher. Mãe, eu não sei o que a senhora acha de um relacionamento homossexual, mas eu sou lésbica, nasci assim. Espero que não fique brava comigo. Eu tive outros relacionamentos mas, Rosa… Sim, ela tem o mesmo nome que o seu. É dela meu coração… Amanhã vamos nos casar, vamos para uma lua de mel e depois levarei comigo para Irlanda, prometo vir uma vez por ano visitar aqui, e prometo voltar para visitar você. – Ela estava chorando.

– Eu prometo cuidar da sua filha, fazer ela a mulher mais feliz do mundo. – Tomei a palavra. – Sua filha é uma mulher incrível e eu tenho muita sorte de tê-la comigo. Ela é uma boa filha, boa amiga, é uma boa noiva e tenho certeza que será uma boa mãe assim como a senhora. – Ela me deu um beijo no rosto.
– Obrigada por dizer isso.

– Sua mãe precisa saber que você se tornou uma grande mulher.

– Obrigada.

Saímos de lá, verdadeiramente emocionadas. Ela não conseguiu dirigir, ficamos paradas dentro do carro durante um bom tempo. Quando voltamos, Isa conversou com seu pai, os dois ficaram emocionados, fiquei observando de longe. Uma cena linda…

Feliz.
Feliz por me casar com uma pessoa como ela, de coração nobre, humilde e que dá valor as pequenas coisas.

Os pais dela separam algumas coisas que ela tem guardada, tiramos a noite para ver se levaríamos algo para Irlanda.

– Violão? Você sabe tocar violão amor?

– Sei sim.
– Porque não me contou?

– Sei lá… Mas eu toco sim, o violão foi meu companheiro quando ficava com saudades suas, até cheguei á compor uma musica para você.

– Sério? – Ela afirmou com um gesto. – Quero ouvir.

– Não.

– Amor!

– Não amor, a musica nem é boa.

– Deixa eu ouvir, se for ruim, eu digo.

– Promete.

– Juro que prometo. – Ela pegou o violão e foi afinando rapidamente. – Você é cheia de surpresas… Como não me apaixonar?

– Que bom que ainda consigo te surpreender… Pronto, tá afinadinho, tem certeza que quer ouvir?

– Sim, tenho. – Parei tudo o que estava fazendo e fiquei olhando-a dedilhar as primeiras notas.

Mais uma flor nasce sem intenção
Em meio ao caos do tempo
Se descuidar e não deixar o sol bater
Respirar pra deixar a flor crescer
Não deixe que o vento leve
Não deixe que o tempo cure
Não deixe perdida ao acaso
Com muita chuva ela morre
Se morrer, resseca e perde a cor

A chuva é o vento que leva
O sol é o vento que trás
Me diz porque tanto
Bem-me-que ou mal-me-quer
Não diga que plantou e não deu
A flor mal nasceu, morreu
E ao deixar o chão, suspirou e se rendeu

Mais uma flor nasce sem intenção
Em meio ao caos do tempo
Se descuidar e não deixar o sol bater
Respirar pra deixar a flor crescer
Não deixe que o vento leve
Não deixe que o tempo cure
Não deixe perdida ao acaso
Com muita chuva ela morre
Se morrer, resseca e perde a cor

A chuva é o vento que leva
O sol é o vento que trás
Me diz porque tanto
Bem-me-que ou mal-me-quer
Não diga que plantou e não deu
A flor mal nasceu, morreu
E ao deixar o chão, suspirou e se rendeu

Fiquei em silêncio, ela canta tão bem… Toca tão bem.
A letra é linda.

– Gostou? – Não disse nada, tirei o violão do seu colo e me sentei no mesmo lugar, e a beijei… De um jeito calmo, lento e apaixonado. Porque é exatamente isso, eu sou apaixonada por ela. – Acho que isso é que você gostou.

– Eu amei, por favor, leve o violão, quero ouvir você cantando e tocando.

– Esse está velhinho, amor… Eu tenho um lá comigo, mas vou levar esse aqui, é meu primeiro violão, vou pendurar em algum lugar.

– Tudo bem, mas prometa cantar mais vezes.

– Prometo, vou cantar, vou compor só para você. Vamos continuar olhando as coisas? Precisamos dormir cedo… Amanhã essa hora você já será oficialmente minha esposa.

– Nem fala assim, já fico nervosa.

– Não fique, a cerimonia vai ser linda, você estará linda… Tudo vai ocorrer da melhor forma possível.

– Pelo menos, você está calma.

– Sou a zen do relacionamento.

– Tô achando que tem razão mesmo. Agora vamos terminar de ver essas coisas.

POV ISA

O dia amanheceu lindo, uma vontade imensa de vê-la, mas se eu me atrevesse a ir até ela, provavelmente ela me bateria e até cancelaria o casamento.

Prefiro não arriscar.

Coloquei meu vestido, me maquiei e fui até o jardim onde os convidados esperavam ansiosos, fui bem recebida quando entrei com meu pai.

Minutos depois Rosa surgiu linda, entrando com seu pai e sua mãe, sorrindo e visivelmente emocionada. Fiquei nervosa.

– Você está linda. – Disse assim que abracei. – Te amo.

– Você está perfeita. – Ela sorriu toda boba. – Te amo muito.

– Me dê sua mão. – Eu disse e ela entregou sua mão.

A cerimônia foi emocionante. Nossos pais comandaram a celebração, os dois homens das nossas vidas literalmente nos abençoando.

Juras de amor feitas, promessas… Nossas mães trouxeram as nossas alianças, por um momento pude ver minha mãe biológica sorrindo. Sei que é impossível, mas prefiro acreditar que ela estava ali, como sempre a senti junto comigo nos momentos difíceis.

Como a vida é imprevisível. Três anos atrás eu era apenas uma nerd, com vida monótona, sem amigos, vivendo para o trabalho. Me apaixonei pela pessoa mais improvável do mundo. E para minha sorte fui correspondida. Sofri, chorei… Quantas vezes dormi pedindo para esquecê-la. Ou para nem acordar.

Passaria tudo de novo, e quantas vezes fosse preciso, para agora estar olhando para ela me sorrindo, dizendo que me ama. Me enchendo de beijos e carinhos.
Acho que enquanto você estiver com o mínimo de esperança, você deve tentar.

Não deixe que o vento leve;
Não deixe que o tempo cure;
Não deixe perdida ao acaso;

Corra atrás, as vezes mesmo ferida, sofrendo. Se ainda sentir algo, corra atrás.
Não posso estar mais feliz por ter tomado a decisão certa.
Agora eu tenho alguém, eu a tenho e nada me faz mais feliz.

Atualmente dizem que existem 7 bilhões de pessoas no mundo, e eu tive tremenda sorte. Em meio a sete bilhões de pessoas, eu encontrei a minha. E eu só preciso dela para ser completamente feliz.

Minha Rosa.
Minha flor.
Meu amor.

*FIM

 

FIM! <3 <3 <3

 

Já leu?

A flor – Parte I

A flor – Parte II

A flor – Parte III

A flor – Parte IV

A FLOR – PARTE V

A FLOR – PARTE VI

A FLOR – PARTE VII

A FLOR – PARTE VIII

A FLOR – PARTE IX

A FLOR – PARTE X

A FLOR – PARTE XI

A FLOR – PARTE XII

A FLOR – PARTE XIII

A FLOR – PARTE XIV

A FLOR – PARTE XV (PENULTIMA PARTE)

 

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