A história de um amor como tantos outros…

 

O amor é algo surpreendente, nasce e morre em cada esquina todos os dias. Nasce de olhares, de sorrisos, de gestos, de carinhos, de palavras, se fortalece e vive enquanto é nutrido, como uma flor, que é regada todos os dias.

Da mesma forma que ele nasce tão simples e tão belo, e que se mantem com tão pouco, ele também é frágil. Tal qual uma flor, ele também é acometido por pragas, ou pela falta de luz, cuidado e água. Sempre que penso no amor, na relação entre duas pessoas, seja qualquer casal, me vem à mente a analogia das flores, que quando não são regadas, morrem, e parafraseando Skank, amores imperfeitos são as flores da estação.

E assim contarei uma história de amor.

Era um casal como outro qualquer, um casal de meninas jovens, de bem com a vida, que se amavam, pelo menos é o que transparecia e o que todos observavam. Apesar da relação estar dentro do armário, a maioria das pessoas sabiam que ali havia amor, carinho, compreensão e cuidado.
Juliana era a mais apaixonada, não media esforços por sua parceira, estava sempre a postos, com seu jeito de moleca que não se importa com a vida, mas que daria a vida pelo seu amor, Priscila. Priscila era mais contida, uma pessoa sem igual, de riso fácil e beleza extrema.

Como qualquer história de amor, essa nasceu de um acaso, um encontro de almas, que se olham e se identificam, que se encontram e se aproximam, que se acalmam mutuamente, que se fazem abrigo.

E o amor floriu, elas se amaram e viveram. Juliana levou Priscila pra dentro de sua vida, apresentou para a família, era visível o amor e o orgulho presentes no sorriso e nas atitudes de Juliana, mas Priscila, por motivos nunca explicados antes, nunca fez o mesmo, mas como o amor tudo perdoa e tudo suporta, Juliana aceitou e se adaptou.

Assim elas viveram por um ano, cheio de felicidade, de vida, de aventuras e viagens, até que, como com qualquer casal houve uma crise, e Priscila, resolveu que aquele amor não cabia mais em sua vida e decidiu terminar.

Mas que casal não briga, não se desentende, não se ofende e depois se arrepende, voltam correndo para a morada do amor, se curam nos braços um do outro, se fazendo de abrigo e proteção? Mas não foi assim que aconteceu, as duas ainda mantiveram contato, e Juliana nutriu esperanças, confiou no futuro, acreditou no amor e lutou, com todas as forças que tinha, esperou e serenou.

Priscila por sua vez, fugiu da verdade, se escondeu atrás da mentira. Não, ela não suportaria ter sua sexualidade questionada, ela não lutaria por esse amor que um dia lhe fez tão bem, que lhe foi tanto, que lhe deu colo e abrigo.

Juliana continuou esperando, e dentro de todo seu egoísmo Priscila alimentou, mesmo que inconsciente, as esperanças de Juliana, até que um belo dia, num golpe de misericórdia, Juliana procurou sua amada, e a encontrou nos braços de um homem. Ali morreram as esperanças, e com a morte da esperança veio a morte de uma alma, do orgulho, o fim de uma história de amor. Essa história tão inocente não teve uma segunda chance de construir um final feliz.
Não foi a falta de amor que matou essa relação, mas sim a falta de coragem, a não aceitação de si própria, a falta de gratidão pelo outro, a falta de reciprocidade.

Com o coração quebrado, esvaiu-se o amor, e também, esvaiu-se a vida. Por mais que o coração ainda bata, a mágoa matou Juliana, que hoje não vive mais, apenas existe, contemplando as memórias passadas e esperando que um dia, essa flor tão delicada que ela tinha cultivado com tanto carinho por tanto tempo, possa voltar a brotar, ou que suas sementes se tornem pó.

 

assinatura.Gi Medeiros.fw

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Time limit is exhausted. Please reload CAPTCHA.