Mil Borboletas – Parte IX

Um mês depois.

POV HOLLY

Tem algo errado, hoje é dia de carta, o carteiro do governo é o primeiro a chegar. Cadê minha carta? Passei a tarde inteira esperando dentro de casa.

Do nada bateram na porta, olhei no olho magico e era Ashley.

– Recebeu sua carta? – Ashley perguntou.

– Ainda não, você já?

– Sim, faz uma hora que peguei, porque, sabe como é, eu estava trabalhando… Pelo visto, já sei porque você não recebeu a carta.

– Não fala assim! O que você quer dizer? Se Dianna estivesse ferida eles avisariam!

– Calma, ela está viva. Ela socou o Fred e deixou ele com vários pontos na cara e nariz quebrado…foi bem feio.

– Como assim?

– O Fred conta tudo na carta, eu vou dar um puxão de orelha nele. Ele pegou pesado com ela!

– Como assim Ashley conta logo! Eu sei que ele é seu namorado mas eu juro que se ele a machucou, eu quebro a cara dele!

– Calma ai… Tudo indica que, eles receberam uma premiação por avançarem o território. E tiveram acesso à internet, ao Facebook. Ela entrou no Facebook, viu sua foto com a Jenna, viu os comentários de casal lindo e viu que você colocou relacionamento sério. Ela ligou os pontos e acha que você não a quer mais e que está namorando com Jenna.

– O QUE? COMO? MAS EU RESPONDI A CARTA DELA!

– Bom, ainda não deve ter chegado nossas cartas respostas. E para quem está esse tempo todo distante, ver o que viu, é isso que parece. Ainda mais levando em consideração que a carta que ela recebeu de você foi uma Holly indecisa quanto ao relacionamento de vocês.

– Mas não é! Não é isso que eu sinto!

– Amiga, entende… É isso que parece.

– Meu Deus, como ela chegou a bater no Fred?

– Ele tirou onda com ela, a chamou de órfã e chifruda, ela não aguentou e avançou pra cima dele. Fred me conta tudo. Inclusive o comandante da tropa, como castigo deixou os dois de dupla, estão avançando em território inimigo um cuidando do outro.

– Meu Deus… Eu preciso falar com ela! Eu preciso reaver esse mal entendido!

– Calma, vamos dar um jeito de mudar essa situação!

– Eu não posso perde ela! Ela é o amor da minha vida!

– Calma, amiga.

– Calma nada! Eu vou até o exército eu vou até o vaticano mais eu preciso falar com ela. Nem que seja por cinco minutos.

POV DIANNA

Eu vou surtar, faz quase um mês que Fred e eu somos dupla… É RIDICULO ISSO.

Recebi uma carta de Holly, não sei se quero ler… Tenho medo de ler mentiras, dela fingir que estamos juntas. Sei que ela não deve estar fazendo isso por mal, ela sabe, sempre escrevi que tiro forças de onde não tenho por ela, por nós.

“ Oi… Fred mandou uma carta pra Ashley, ele contou da briga de vocês dois e o que motivou… Agora entendo porque não me escreveu, olha, o que tenho pra te dizer talvez você não acredite, mas, juro, é verdade.

Quando você entrou viu uma foto minha, com Jenna, aquilo não significa o que parece, os comentários são apenas uma brincadeira do pessoal da faculdade. Eu não tenho e nem pretendo ter nada com ela, ou com qualquer outra mulher que não seja você.  Sei que quando você estava aqui, nunca mudamos nosso status de Facebook, mas mudei, até pela dica da Ashley, e eu achei que deveria. Ainda mais depois da carta linda que você me escreveu. Eu te conheci no escuro, você me acendeu. Você me fez sentir como se eu fosse o suficiente, lembra que dançamos pela noite toda? Eu te puxei para mais perto do meu peito, e você me pediu para passar a noite contigo. Eu sabia que te amava, ali, eu já sabia… Eu queria te apresentar uma pessoa… Essa pessoa sou eu. Não foi só você que mudou. Hoje eu tenho algumas mechas no cabelo, como você viu nas fotos. Hoje eu sei andar melhor de salto alto, adoro ver série de terror, aprendi a apreciar um bom vinho e adoro roupas de frios, ainda mais aquelas que são de estampa xadrez. Eu tenho um peixinho, acho que nunca te contei isso. Mas eu tenho um peixe, chama-se Poseidon. Quando você voltar, vou te ensinar a alimenta-lo. Eu já não bebo mais refrigerante de cola… Eu aprendi a gostar de torta de maça e de pêssego. Lembra como eu odiava? Eu também tenho sonhos, sonho em ter você do meu lado queria sair para acampar com você uma noite.  Eu quero ficar com você, Até ficarmos grisalhas e velhas. Apenas diga que você não vai embora… Eu vou te acordar com um café da manhã na cama, vou lhe trazer café com um beijo em sua cabeça. Sobre a Dianna que me foi apresentada, eu estou apaixonada por ela, eu estou apaixonada pelo o que você se tornou. Eu espero que você saiba que eu quero ficar com você, eu quero viver com você, mesmo quando virarmos fantasma.

Eu vou te amar até meus pulmões desistirem eu prometo, até que a morte nos separe apenas diga que você não vai embora, que posso esperar por suas cartas, que posso esperar você aparecer do outro lado da calçada.
Nesse jogo eu apostei minhas cartas em nós e também dobrei a aposta, e ai, vamos jogar em dupla?
Te amo.
Da sua, sempre sua… Holly

Fui atrás do Fred.

– Porque? – Entrei em sua barraca sem pedir licença.

– Hummm pelo visto você recebeu uma carta, você estava certa? Ou eu estou certo?

– Como assim?

– Você está certa, ela te traiu. Ou assim como eu achei desde o princípio foi um mal entendido.

– Tudo indica que foi um mal entendido.

– Posso ler? – Fiquei olhando desconfiada. – Qual é, eu não vou rasgar, prometo. – Entreguei a carta em sua mão, ele se sentou e começou a ler em silêncio. – É, eu realmente estou certo.

– Acho que sim. – Disse tímida.

– Tenha certeza, ela é muito nerd certinha pra fazer isso com você, fora que, é nítido que ela te ama. Relaxa, você não perdeu sua garota. – Ele me entregou a carta e ficou a me observar. – Seus olhos estão brilhando, acho que está feliz, não é?

– Porque fez isso?

– Porque não gosto de te ver triste. Sério, acho que peguei pesado com você. Você não teria feito isso se eu estivesse mal com a Ashley.

– Poxa…

– Eu gosto de você Dianna, de verdade, eu sinto falta da sua amizade, eu sei que durante anos estou sendo um bosta com você mas, eu realmente sinto saudade da cumplicidade que tínhamos.

– Isso é um pedido de desculpas?

– É…Pode ser que sim. – Ele deu um sorriso tímido. – Essa é a hora do abraço?

– Acho que sim.

– Paz, irmã? – Ele estendeu o braço.

– Paz, irmão. – Abracei-o apertado.

Três meses depois.

– Aí eu disse para ele, achou mesmo que eu ia te deixar aqui? – Fred dizia arrancando risos de todo o comando.

– Está decretado, dentre os 13 você é o mais palhaço, Fred. – Karla disse enquanto tomava mais um pouco do suco.

– Agradeço o título, sempre soube, sou o rei daqui. – Ele fez uma pose engraçada.

– Ei, menos ai, o rei aqui é o capitão. – Jarry disse.

– Puxa saco. – Fred mostrou o dedo do meio, fazendo todos rirem.

– Vai dizer que ele está mentindo, soldado? – Capitão fingiu irritação, fazendo todos cair na risada.

– Tudo bem capitão, para você eu aceito perder.

– Bem melhor assim. – Ele entrou na brincadeira. –  Bom, eu como rei, gostaria de dizer algumas palavras, sei que nunca fiz isso, nem quando necessário, mas acho que essa limonada está batizada. – Todos rimos. – É sobre isso que quero falar. Somos treze, treze pessoas diferentes, de cultura, religião, orientação sexual e histórias diferentes. Em quase quatro anos nunca estivemos em tanta harmonia. Acho que isso deve-se ao fato de Fred ter parado de encher o saco da soldada Dianna. – Caímos na risada. – A amizade desses dois está em lua de mel. Eu sei que todos aqui tem alguém para voltar. Bom, eu também tenho. Meu esposo está a minha espera… Essa será minha ultima missão em guerra. Pedi transferência para uma base em São Francisco, onde moro. Meu esposo e eu, nós entramos com pedido de adoção e fomos contemplados, é um menino de três anos, chama Giuliard. Eu terei em meses uma família completa. – Ele disse com os olhos marejados e um sorriso no rosto. – Eu poderia contar isso somente na véspera de ir embora, mas eu estou tão feliz que não pude me conter.

– Isso é ótimo capitão, parabéns. – Fred disse animado, porém chorando. Na verdade o comando inteiro chorando.

– Eu vejo a alegria de vocês, sempre estamos falando em coordenadas, em como avançar em como passar, em como matar. Em como sobreviver, mas nunca falamos do que nos espera quando isso tudo acabar, ou, pelo menos acabar para nós.

–  Eu tenho duas meninas lindas, uma de 13 e outra de 14 me esperando… Elas moram com meus pais. – Karla disse.

– Eu tenho minha mãe me esperando, ela é uma senhorinha de idade muito fofa, vocês irão conhecer ela cozinha muito bem, e eu faço um excelente churrasco, vamos combinar de todos irem me visitar no Texas.

– Eu tenho pai, mãe, irmão e namorada me esperando… Assim que voltar quero terminar minha faculdade, mas o primeiro passo é me casar. Quero me casar o quanto antes. Ashley é a mulher da minha vida.

– Meu pai tem uma oficina mecânica, eu trabalhava com ele, quando voltar, prometi arrumar o carro dele.

– Eu tenho uma namorada, o nome dela é Holly ela está me esperando e bom, quando voltar… Eu provavelmente devo me casar com ela. Já passamos muito tempo longe.

E durante toda a noite foi assim, os treze em perfeita harmonia, sem hierarquia ou coisa do tipo, só treze pessoas jogando conversa fora, contando como é a vida fora desse cenário de guerra. Um bate papo regado a limonada e muita bolacha.

De manhã

Bombas explodindo por todos os lados, nossos soldados correndo e atirando em inimigos a menos de dois metros de distância.
Fomos pegos, mesmo escondidos e camuflados, um grupo terrorista nos achou, armou uma emboscada, e quando, dos treze, apenas quatro fazia a ronda para o resto descansar, eles nos atacaram. A adrenalina correndo, transpirando muito, gritos por todos os lados, de dor… Raiva tiros e mais tiros.

Até que ouvimos o chamado do comandante.

– PELOTÃO! REUNIR! CORDENADAS 1.96.4852. AO LESTE, REPETINDO AO LESTE.– Fomos correndo seguindo sua voz. – Vamos ver quantos somos. – O comandante contou em silêncio. – Estamos todos aqui, os treze, graças a Deus… Alguém ferido?

– Eu senhor! Tiro de raspão. – Karla disse.

– Eu cuido disso. – Me manifestei.

– Ótimo soldada, obrigado.

– Agora vamos sair correndo daqui, eles vão nos rastrear, nos caçar, precisamos descansar porque amanhã será bem pior.

– Capitão, eles vão nos achar? – Fred perguntou assustado.

– Infelizmente. Acreditem amanhã será pior… Revezamos na hora de dormir. Sete acordados, seis dormindo. Mas antes vamos entrar nos carros e sair daqui o quanto antes.

Saímos correndo, entramos em atrito com um bando deles, mais uma vez, mas conseguimos sair de lá. Mudamos as coordenadas, montamos todo um esquema, e nos afastamos bastante da área vermelha. Mas, infelizmente não foi o suficiente.

Acordei com gritos da cabana ao lado, peguei meu rifle e acordei os outros, saímos correndo afinal sempre dormimos equipados e vestidos, em território. Atirei no primeiro que ví, assim que sai, o comandante sumiu não respondeu ao chamado no rádio. Fiquei preocupada. Saímos em confronto rápido.

– Me dá cobertura, Di! – Fred me chamou.

– Calma ai, vamos juntos.

– Não vai funcionar um do lado do outro eu vou na linha de frente.

– Cadê o Jack e a Soraya? – Perguntei.

– Estão mortos! – Jarry respondeu se juntando a nós dois. – Vem!

Entramos em confronto com mais seis terroristas, levamos a melhor.

– Fred, me espera!

– Vamos porra! Entra no carro logo! Bora Karla! Bora Jarry!

– Vão indo para um lado, eu e Karla pegaremos o outro carro, vamos para outro para despista-los.

– E os outros? E o comandante?

– Eles sabem se cuidar, bora bora bora– Entrei correndo dando mais alguns tiros. – Depois voltamos para procurar os outros.

Andamos por horas em direção a um local vazio e tranquilo.

– Aquela casa está vazia. – Ele disse.

– Aquilo está destruído, nem dá para chamar aquilo de casa.

– Eu sei, mas você me entendeu, vamos.

– Melhor não, pode ser uma armadilha. – Retruquei-o.

– Armadilha de que? Vamos!

– Pode ter gente escondida, pode ter minas ou algo do tipo.

– Acho que não, vem logo. – Ele saiu do carro com o rifle em mãos. – Vamos tentar contato, traga os aparelhos. Precisamos falar com o capitão.

– Vou pegar o detector de minas.

– PARA COM ESSA PALHAÇADA DIANNA, NÃO TEM PORRA DE MINA NENHUMA AQUI. – Fred estava extremamente nervoso.

– Isso, grita mais! Grita que está pouco, chama mais atenção. – Perdi minha paciência com ele. – Para de ser inconsequente! Você não é mais um moleque! Tem noção que nos perdemos do resto? Tem noção que não sabemos como o nosso capitão está?

– Amo te ver nervosa. – Ele sorriu.

– Vai se foder.

– Na crise de sexo que eu estou, acredite, se tivesse como me comer, eu já teria feito.

– Credo, Fred! –  Fiz careta e ele deu risada. – Olha, eu estou tão preocupado quanto você, mas eu não aguento mais correr. Vamos tentar descansar, depois damos meia volta e tentamos comunicação.

Ele foi andando olhando para os lados, menos de oito metros nos separava. Eu estava de costas pra ele, quando escutei uma explosão e seu grito. Ele tinha pisado em uma mina, próximo aos escombros da casa.

– FRED! – Saí correndo em sua direção, um homem rindo da situação surgiu, eu nunca matei ninguém nesta vida por raiva. Sempre foi questão de minha vida ou a dele, mas neste caso… É diferente, essa morte eu vou me permitir levar. Atirei contra o cara sem piedade na cabeça, e fui correndo até o Fred, ver o quão ferido ele está. – Fred…

– Ei, garota. – Ele estava chorando. – Perdi minha perna inteira.

– Se você me ouvisse! – Falei irritada. – Calma, controle sua respiração.

– Isso não se resolve com uma leve costurada.

– Cala a boca e me obedece!

– Sabe que sou teimoso, esqueceu que nos conhecemos desde os 11 anos?

– É. – Fiquei em choque em vê-lo daquela forma, preciso agir rápido. – Vem, coloca seus braços em volta do meu pescoço, vou te por no carro, vou te levar para um lugar seguro.

– Não.

– Não é o caralho! Se segura em mim!

– NÃO! Eu não quero viver como um amputado.

– Não me faça perder a paciência, você sabe que existem próteses ai, existe um monte de coisa! Fora que você poderá ir para casa.

– Dianna… Apenas converse comigo.

– Ham?

– Eu vou morrer! Eu já estou sentindo e não tem nada que você ou eu possamos fazer.

– Cala sua boca.

– Apenas fique aqui comigo. Já morrerei sem pernas, não quero morrer sem um amigo por perto. – Ele tentou sorrir. – Sabe o que veio na minha cabeça? – Neguei com um gesto. – Lembra que quando éramos só eu e você brincando na vizinhança, brincávamos de guerra. Tínhamos até uma música predileta. E agora, onde estamos? Em plena guerra, com você, me segurando em seu colo… Como tantas vezes nas brincadeiras.

– Fred…

– Eu ainda escuto aquela música, eu escuto ela todos os dias desde que entrei para o comando, eu escuto ela todos os dias na minha mente. Se lembra da letra?

– Não muito.

– Um aviso para as pessoas… O bem e o mal… Essa é a Guerra, ao soldado, o civil, o mártir, a vítima. Essa é a guerra, é o momento da verdade e o momento para mentir, é o momento para viver, e o momento para morrer. É o momento para lutar.

– À direita . –Comecei a falar a letra. – Á esquerda, vamos lutar até a morte… Vamos lutar até o fim da terra… Um admirável mundo novo do último até o primeiro, essa é a guerra. – Comecei a chorar.

– Eu não acredito em nada, nem no fim nem no início… Eu não acredito em nada, nem na Terra nem nas estrelas. Eu não acredito em nada, só no bater dos nossos corações… Eu não acredito em nada, só na verdade de quem somos. – Ficamos em silêncio, eu não sabia o que dizer.

– Só que eu acredito em Deus. – Ele riu divertido.

– Mentiroso. – Tentei rir, enquanto fiquei fazendo carinho no rosto dele, tentando não olhar para baixo de sua cintura.

– É verdade, sempre fui ás missas…

– Que mentira! – Gargalhamos.

– Qual é, me ajuda, faz uma cena ai, daqui a pouco vou me encontrar com ele. – Ele falou e eu desmanchei o sorriso. – Para com isso, você estava se saindo bem, me tratando como se eu tivesse duas pernas, como se não estivesse morrendo de dor e nem morrendo de verdade. – Ele disse, eu voltei a chorar. – Pelo amor de Deus engula o choro! Posso te pedir favores?

– Claro.

– Isso fará você chorar. – Ele já me olhou fazendo graça.

– Primeiro, quando voltar para casa, eu gostaria que você visitasse meus pais.

– Claro que irei.

– Conte para eles como tudo aconteceu, e diga que eu os amo muito. Agora o mais importante. – Ele retorceu de dor. – Na minha mochila, tem um caderno grosso, está meio sujo mas… Quero que entregue para Asheley, é meu diário, como se o caderno fosse ela. Tem de tudo, desde desenhos e poesias. Acredite, com ela eu sou romântico. Diga que eu a amo mais do que tudo. E que o nosso maior desejo e plano, vai acontecer mesmo eu não estando mais aqui.

– Qual era o plano?

– Filhos.

– Duas semanas antes de vir, eu fui até uma clínica, congelei meu material, se um dia ela estiver preparada para ser mãe… De um filho meu, é só ela ir até a clínica, escrevi isso na página 197.

– Você realmente pensa em tudo.

– Penso… Desculpas por tudo o que te causei no colegial e aqui também, todo aborrecimento.

– Não peça desculpas.

– Você é a irmã que eu não tive… Diga ao meu irmão que amo ele apesar de toda briga também.

– Você sempre será meu melhor amigo.

– Algum recado? – Ele disse com dificuldade.

– Como assim?

– Ah, bom, eu sei que seus pais foram pessoas boas, e nunca mataram ninguém, mas sei que essa parte de matar, Deus vai me perdoar… Enfim, se um dia eu encontrar com os dois ou com um dos dois, algo que deva dizer?

– Só diga que eu os amo muito.

– Está bem, direi… Se importa se ficarmos em silêncio escutando tudo o que há em volta?

– Eu te amo, Fred.

– Eu te amo também mana… Obrigado por tudo. – Ele sorriu.

Ficamos em silêncio, por um tempo, escutando tudo a nossa volta, o vento, os pássaros e o barulho das poucas arvores que temem em ficar ali.

Quando olhei novamente, seu olhar estava completamente parado, perdido.

– Fred? Fred? FRED!

Ele se foi.

 

 

Continua…

 

Já leu?

Mil Borboletas – Parte I

Mil Borboletas – Parte II

Mil Borboletas – Parte III

Mil Borboletas – Parte IV

Mil Borboletas – Parte V

Mil Borboletas – Parte VI

Mil Borboletas – Parte VII

Mil Borboletas – Parte VIII

 

 

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