Mil Borboletas – Parte VI

Cinco dias depois

Eu estou em choque ainda, eu fecho os olhos e vejo a imagem dela saindo sem olhar para trás. Eu não tive nenhuma notícia dela, o governo é bem criterioso com isso, a comunicação é feita por carta, todo mês. isso vai ser complicado, não só escrever, mas sim, pelo fato de que vai ser como se ela mandasse um whatsapp e só depois de um mês ela terá a resposta.

Eu não quero ficar sozinha ainda, então meus pais estão morando aqui no meu apartamento, eles ficam de olho em mim o tempo todo.

Inclusive me confortam nas noites que passo chorando vendo minhas fotos com ela, vídeos e ouvindo a nossa música. Closer, música que tocou na nossa primeira noite de amor. Não faz uma semana que ela foi, e eu já estou surtada. Eu não sei se vou aguentar ficar longe dela.

POV DIANNA

Três semanas e meia depois.

Saudades de Holly me mata todos os dias, sempre tento usar meu bom humor para camuflar o que sinto, mas isso não funciona aqui. Eu estou em Uzbequistão, cidade próxima ao Paquistão. Ainda não ví o que os soldados voltam dizendo ver. Primeiro serei treinada, na verdade já estou sendo, em todos os sentidos. Carregando peso. Malhando. Aprendendo a mexer com armas pesadas e até bombas. Curso de como sobreviver com falta de comida ou água.

Tenho aprendido a língua local caso seja necessário falar com algum civil. Civil… é estranho falar assim, mas sinto que muita coisa mudou em mim, hoje tenho hora para comer e dormir. Tenho que pedir permissão para falar, tenho que bater continência para todos os meus superiores sempre que os vejo e sempre andar com postura correta.

Estava pensando em como a vida se mostrou cruel comigo. Eu tenho 20 anos, antes minha preocupação era qual filme eu veria no fim de semana, minhas notas na faculdade e como fazer Holly se sentir feliz por estar comigo todos os dias. Mas, quando você vê, outra leva chegando com mais pessoas e dentre elas pessoas que tem 18 anos… É triste, é desesperador.

Além de Holly sinto falta da faculdade, de pilotar minha moto, ir ao cinema. Ouvir música, MEU DEUS QUE SAUDADES DE OUVIR MÚSICA.
Eu tenho me preocupado em aprender mais do que socializar, afinal, independente do meu desempenho no fim do treinamento, eu irei para linha de frente, então tento assimilar tudo o mais rápido possível.

Hoje vou escrever a minha primeira carta para ela, terei a resposta só depois. Se eu pudesse ser bem sincera, eu escreveria: Socorro me tire daqui, mas vou tentar passar que está tudo bem, e no fundo está, sei que vai piorar quando eu realmente estiver em combate.

Duas semanas depois

POV HOLLY

Eu não paro de olhar na minha caixa de correio, faz uns quatro dias que estou paranoica com isso, e hoje pra minha sorte, o porteiro disse que já está subindo com a carta. Peguei da mão dele sem muito agradecer, devido a ansiedade, depois farei isso com mais calma. Me sentei no sofá, e comecei a chorar. Só de saber que são notícias dela.

Oi amor, saudades chega a doer… Espero que você esteja bem, te conheço, sei que deve ter ficado na fossa comendo coisas calóricas e escutando Lana Del Rey na deprê… Por favor não faça isso. E se já fez, pare imediatamente!

(sei que deve estar rindo pelo o que eu te escrevi, mas é isso que eu quero sentir, que você tem sorrido. Meu coração anda apertado e não é só pela saudade, sei que você está mal, então apenas pare, respire e sorria).

Bom, sei que você vai me matar se eu não te contar como tem sido a minha rotina então, como eu já imagino que você esteja jogada no seu sofá, vou te contar. Eu acordo ás cinco da manhã… Sei, é espantoso, mas acho que só estando em guerra para alguém ter essa moral de me acordar. E vou dormir as 9 da noite em ponto. Pois é! Eu sei, quem dorme 9 da noite??? Euzinha.

Acordo, tomo banho, tomo café com todos os companheiros. Falando deles, eles são legais, há muitas pessoas que assim como eu, caíram aqui de para quedas. Eles são legais, somos uma família. Já os que são soldados porque quiseram, esses são bem chatos, se sentem melhores do que nós. O que não deixa de ser verdade mas, enfim… Chatos.

Eu tenho feito vários tipos de luta, sei agora manusear facas e espadas para combate, eu me cortei na primeira aula, mas estou bem, já até cicatrizou e eu prometo tomar mais cuidado. Sei atirar e manusear armas de pequeno e médio porte. Ainda não cheguei nas grandes como metralhadoras e bazucas.

Pelo o que entendi vou aprender a dirigir tanque de guerra também, acho que será legal. Depois de uma manhã exaustiva, comemos descansamos por uma hora e meia, depois é mais aula. Dessa vez de técnicas de combate, primeiros socorros e aprender a linguagem de guerra (aqueles códigos bem loucos que a gente costuma ver em filmes) Tô aprendendo a falar o idioma dos civis… Aramaico, Aziri, Qashaqui, Shabaki, Mandeia, Curda, Caldeia e Iuri…Essas eu já falo até bem, apesar de serem muitas, o que muda é pouco. O que influencia mais é a região.

A comida daqui não é nada boa… A maioria das coisas em lata. Eca.
Como vai seus pais? Nossos amigos? Como tem ido os estudos? Tem se dedicado? Quando voltar, vou olhar atentamente seu histórico! Sinto saudades de você, sei que isso é reciproco também ,mas eu preciso escrever… Saudades de nós andando de mãos dadas por ai.

Bom, o governo já te explicou como funciona o esquema de cartas… Fico aguardando ansiosa pela sua. Quero que me conte tudo nos mínimos detalhes, a ponto de imaginar tudo como em um livro bom que o autor escreve até a folha caindo da arvore no chão.

أنا أحبك  (esse desenho é, eu te amo em árabe). Fique com Deus e se cuide meu amor.

Ass: Dianna.

Abracei a carta tentando em vão senti-la ali comigo, daqui duas semanas o carteiro do governo passará pegando minha carta, pensarei bem no que escrever para ela.

POV DIANNA

Quatro semanas depois.

O meu sargento disse que estou pronta, isso significa que pisarei em território de guerra. Estou com medo, nervosa pelas coisas que vejo aqui. Onde estou é um lugar seguro, mas toda sexta tem a cerimonia de botas.
São colocadas em fileiras as botas de soldados mortos durante a semana, ao lado suas fotos sorrindo. Geralmente os corpos são enviados para família e as botas ficam simbolicamente não há velório para nós nos despedirmos. Eu nunca senti essa dor, por incrível que pareça, todos são unidos e vejo alguns colegas desesperados quando vem a foto do amigo ali.

– Soldada. – Uma voz invadiu.

– Sim, capitão – Respondi o mais firme que pude.

– Desculpe atrapalhar seu momento de folga. Mas preciso falar com você, lhe dar os parabéns, você tem feito um excelente trabalho aqui, feito muito progresso. É admirável.

– Obrigada, capitão.

– Sei que não é o lugar que você gostaria de estar, mas, acredite, você nasceu pra isso.

– Desculpe capitão, se me permite… Eu jamais vou me sentir feliz por estar aqui, eu tinha uma vida perfeita ao lado dos meus. Faculdade, namorada e amigos.

– Imagino… Sinto muito por isso, se pudesse também estaria ao lado dos meus dois filhos e esposo. –Ele ficou me olhando atentamente. – Enfim, eu queria te dizer que esta será a sua última semana aqui na base, você está pronta para se juntar aos outros na ilha de confronto.

– Senhor, eu não me sinto pronta.

– Eu sei, eu também não me sentia. Você parte na sexta ao fim do dia. Agora descanse. – Ele saiu.

– Merda.

Sexta Feira

acabei de acordar com uma excelente notícia, uma carta de Holly.

Oi amor, saudades chega a doer aqui também. Espero que você esteja bem. Você me conhece bem, e sim escutei Lana Del Rey na deprê, mas parei devido ao seu pedido. Admito não consigo sorrir ainda, mas juro que estou me esforçando. Agora entendo aquilo que você me disse certa vez sobre morar onde você sempre morou com seus pais… Eu ando pelas ruas que sempre andamos juntas, vou ao café. Entro na loja de discos e bom, isso me lembra você e me lembra sua ausência.

Quando lí a sua carta, eu comecei a chorar e rir, e fiquei espantada porque você me conhece milimetricamente bem! Eu realmente estava jogada no sofá quando abri sua carta. E fico feliz de você me contar sua rotina, meu Deus, eu jamais poderia imaginar você indo pra cama tão cedo e acordando mais cedo ainda… Posso imaginar seu bom humor (estou sendo completamente sarcástica). Olha eu não consigo imaginar você treinando pesado, com armas e lutando, espero que não se corte mais.

Meus pais estão ótimos, estão animados com o fato de saírem para viajar, pois é, vão viajar, cruzeiro gay. Me chamaram mas eu tenho provas e principalmente, não quero ir e não se preocupe eu vou ficar bem.

Nossos amigos estão bem, e sempre lembram de você, em como você agiria em tal situação… Eles vem me arrastando para o cinema e teatro, tem cuidado de mim direitinho e quando contesto dizendo que não eles a usam como desculpa, como você ficará brava quando voltar e saber que eu não saí com eles… Aí eu vou.

Tenho ido bem na faculdade, agora estamos nos aprofundando na área gráfica, muito ilustrator, photoshop e até corel draw… Tenho me dedicado e pode ver minhas notas são boas!

Sinto saudades de você,  saudades de nós duas juntas fazendo qualquer coisa, mas, juntas! Quero que o tempo passe logo, quero te ver aqui comigo brigando por qual serie vamos assistir no Netflix.

Eu sei sim como funciona o esquema de cartas, sei que posso te mandar fotos. Por isso mandei duas, prometo sempre mandar! Sei que você não pode mandar, mas tudo bem, eu entendo. Eu te amo muito, mais do que tudo nessa vida por favor, se cuide, e volte logo pra nossa vida.

Eu te amo… Minha borboleta.

Da sua, sempre sua…

Ass: Holly.

Meu Deus como ela está linda na foto. Na verdade ela é linda de todas as formas. Esse sorriso me mata e me dá uma força gigante pra fazer coisas… Ai que saudades dessas coisas. Preciso escrever pra ela agora, não sei se em combate terei chance de escrever. Ainda mais em fase de adaptação.

Três dias depois.

Depois de dois dias na base um em território de guerra, eu serei entregue a um pelotão que está no sul do país, em uma faixa de risco amarela. O major me entregou ao capitão, um cara ranzinza. Assim que o capitão saiu se manifestou.

– Nossa graças a Deus, não aguentava mais fazer cara de mal na presença do capitão. Sou seu comandante, me chamo Luke. – Ele estendeu a mão. – Ouvi muito falar de você, disse que dessa leva, é a melhor. É o que nosso país precisa.

– Obrigada, comandante.

– Você é a segunda que recebo hoje.

– É mesmo? Quem foi o primeiro?

– Não sei o nome dele ao certo, mas como vou te apresentar, você conhecerá ele. Pelo menos sei que você não está tão assustada quanto ele. – Ele deu uma risada divertida, quis rir, mas me contive.

Entramos em uma imensa cabana, corri os olhos por todos os lados, pessoas descansando.

– Soldados, gostaria da atenção de vocês, essa é Dianna e é a última a se juntar ao nosso grupo, por favor recebam-na como gostaria de ser recebidos. Somos um time, uma família agora. Dianna seja bem vinda.

– Obrigada.

– Quando olhei para o lado tinha um homem parado me olhando atentamente. Quando firmei meu olhar não pude acreditar, era o Fred, meu ex melhor amigo.

– Não acredito que vou ter que te aturar até aqui. – Ele disse se aproximando.

– Acredite, por mim não estava aqui. – Disse firme.

– Vai dizer que foi influenciada por mim, Dianna? – Ele deu um sorriso malicioso.

– De jeito nenhum, sou responsável pelos meus atos, e você também.

– Quem diria hein, que fim… Depois da escola achei que me livraria de você, até fiquei sabendo que continua namorando a nerd com dois pais.

– Não fala assim dela, seu imbecil.

– Falo sim, você traiu a galera… Por causa de uma nerd.

– Cala sua boca, Fred.

– Vamos terminar juntos, ou pela mesma causa… Vamos morrer aqui.

– Cala sua boca, eu não pretendo morrer aqui.

– Qual é? Estamos em uma guerra, não éramos soldados a dois meses atrás, eu nunca mais vou ver a Ashley e você nunca mais vai ver a Holly, aceita e saiba pelo menos morrer com dignidade.

– Eu não vou morrer aqui. Eu tenho uma vida inteira pela frente, e você também. Agora, se me der licença, vou conhecer os outros.

– Está bem. – Ele se afastou.

– E se possível, converse comigo somente o necessário.

– Sim, senhora. – Ele deu uma risada e saiu.

Realmente não poderia ficar pior.

Os dias se passaram e meu Deus isso é assustador, na primeira noite não dormi com o barulho de bombas e tiros, não consegui distinguir se estávamos próximos a zona de confronto ou não. Mas fui vencida pelo cansaço de dois dias seguidos sem dormir.

Avançamos território e foi bem triste ver o que sobrou daquelas cidades com pessoas saindo dos escombros, a maioria civis, é a nossa função ajudá-los e é isso que fazemos a maior parte do tempo.

Todos pensam que guerra é como nos filmes do Silvester Stalone, mas não… É mais ajuda do que ação.

POV HOLLY.

Recebi mais uma carta da minha Dianna, ela está bem, tudo indica que ela iria para zona de perigo, no caso, deve estar já lá. Meu Deus, meus pais sempre me ensinaram a rezar, quando era pequena, os dois sempre rezavam comigo, mas sabe como é, quando se cresce, perde-se alguns costumes. Eu perdi esse, mas adquiri novamente.

Não dá pra acreditar… Simplesmente não dá. Entrei na capela, igreja vazia como o de costume, aprendi a gostar de vir aqui. Me sentei em um banco vazio, e quando olhei para o banco ao lado não acreditei, era Ashely namorada do Fred. Ela não faz o tipo igreja, eu também não mas eu estou aqui porque quero que Deus proteja minha namorada. E talvez, ela também.

Eu me lembrei de quando ví Dianna e Frederick assinando aquele maldito papel na época do colegial, será que ele também está por lá? Terminei de rezar, sei que ela me viu, pois ficou me olhando por um bom tempo. Eu e ela nunca nos demos bem, devido ela ser da turminha do Fred, não teria motivo de conversarmos agora.

– Holly! – Ela me gritou, olhei esperando-a me alcançar. – Oi.

– Oi, Ashley.
– Sei que não conversamos muito e meio que você deve ter raiva de mim, mas, você estava dentro da igreja… Dianna, ela também foi levada?

– Foi… Fred também?

– Ele também. – Ela disse chorando. – Olha, eu sei que nossa turma fez o que fez com a sua, e depois teve o lance de expulsarmos a Dianna do nosso convívio, mas eu realmente gosto dela.

– Ela falava muito pouco da turma, mas, quando falava, demonstrava muito carinho por você.

– Olha, eu sei que o Fred e nós que ficamos do lado dele somos os errados… E você não sabe como o meu peito está cheio de dor por saber que meu noivo e uma das minhas melhores amigas estão em guerra… Você está com pressa?

– Não porque?

– Olha, eu e você ficamos aqui. Eu noiva do Fred, você namorada da Dianna… Acho que seria bom conversar com quem está passando pela mesma coisa. Aceita tomar um café comigo ali na lanchonete da esquina?

– Acho que será bom, pode ser… Vamos agora?

– Vamos. – Atravessamos em silêncio a rua e entramos no bar. – Não acredito que levaram ela.

– Nem eu

– Eu e Fred estávamos dormindo quando dois soldados chegaram.

– Eu e ela estávamos chegando da faculdade.

– Tudo acontece tão rápido, não é? Tipo, passou tão rápido… É como colocar um pouco de areia nas mãos e ver ela escorrendo pelos dedos.

– Verdade.

– Como você está, Holly?

– Perdida… Tenho amigos, tenho meus pais, mas… Nada ocupa o lugar da falta dela.

– Te entendo, sinto falta do Fred até nos sonhos, quando sonho com ele, fico com medo de acordar… Sabe, eu sei que estou sonhando, que ele está longe, sozinho e em perigo. As vezes choro porque acordei.

– Eu passo por isso também, acho que guerra é algo que não só mexe com quem está lá. Mexe com quem fica também.

– Pois é, eu tenho plena certeza disso, antes eu via vídeos de guerra e até via vídeos no Youtube. Agora eu não consigo, me entende? – Ashley estava com olhos marejados.

– Te entendo, eu não consigo. É estranho.

– Desculpa te encher, mas é que bom, por mais que eu converse com os meus amigos ninguém entende de verdade isso o que estou sentindo.

– Eu também tenho amigos e sinto que ninguém me entende se eu realmente me expressar.

– Acho que precisamos nos ver mais. – Ela sugeriu.

– Tipo um clubinho? Aqueles clubes de pessoas com interesses em comum? – Perguntei curiosa.

– Exatamente, Holly.

– É, pode ser.

– Me desculpa. – Ela disse.

– Pelo oque?

– Pelo o que eu fiz com você, no colegial sabe? Sei que não fui legal… O Fred, ele também está mudado, creio que quando eles voltarem, nós quatro estaremos aqui, ou em outro lugar bebendo, conversando e rindo.

– Será ótimo quando isso acontecer.

– Daqui dois anos isso acontecerá Holly.

– Tenho certeza que sim.

POV DIANNA

– Isso aqui é o inferno. – Me joguei no meu saco de dormir.

– Pelo menos não precisaremos viajar depois da morte, já estamos no purgatório. – Fred se intrometeu no meu pensamento.

– Qual é seu problema?

– Meus problemas começam por em um dia eu estar fazendo faculdade de Arquitetura e no outro segurando um rifle em território de guerra.

– Eu também tenho os mesmos problemas que você, e nem por isso fico anunciando que vamos morrer, até porque não vamos.

– Desculpa pessoa positiva.

– Soldados!

– Sim, comandante! – Respondemos juntos batendo continência.

– Eu estou observando que vocês dois já se conhecem, e pelo visto não se gostam, eu só quero que vocês entendam que… Aqui não é a escola de vocês. Então no meio da guerra em território perigoso lutando pela vida.
Se vocês continuarem com essa palhaçada eu coloco vocês na linha de frente ouviram? OUVIRAM, SOLDADOS?

– SIM. SENHOR! – Dissemos juntos.

– Ótimo, agora vão descansar.

– Fica longe de mim Fred, não vou parar na linha de frente por conta de molequice sua.

– Vai à merda, Dianna!

 

Continua…

Já leu?

Mil Borboletas – Parte I

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Mil Borboletas – Parte IV

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