Mil Borboletas – Parte XI

POV DIANNA.

7 dias depois.

A psicóloga tem me ajudado muito a me tratar, me perdoar, eu estou encantada pela profissão e como ela ajuda as pessoas.

Ainda ouço a voz de Holly, e isso faz um carinho em meu coração.

Ela me faz tão bem, foi um raio de sol no meio de tanta treva e escuridão.
POV HOLLY

Duas semanas depois

Ashley está ganhando forças, depois que ela recebeu o diário de Fred, ela tem lido um pouco a cada dia, até eu mesma li… E meu Deus, como ele era e ainda era apaixonado. Como eles conversam, o diário dele inteiro ele escreveu como era a rotina, os pensamentos dele… É comovente, é lindo.

– Como está?

– Melhor, me recuperando o mais breve possível, não quero atrapalhar sua rotina.

– Não me atrapalha, estou fazendo o que você faria por mim.

– Sabe, eu estive pensando, no velório, eu não perguntei para você. Quando Dianna apareceu na tela, o que você sentiu?

– Uma vontade de chorar, e de abraça-la.

– Ela está bem diferente.

– Sim, mas mesmo assim, ela é a mulher mais linda do mundo.

– Sua história terá um final mais feliz do que o meu.

– Sinto muito.

– Eu sei que sente… Hoje recebi o laudo da morte dele, tudo indica que ele pisou em uma mina, e na hora ficou sem as duas pernas, com isso foi perdendo sangue e morreu. – Ashley disse com os olhos cheios de lagrimas. – Lamento ele ter sentido tanta dor, ele não merecia uma morte assim.

– Eu lamento, sei que pareço uma vitrola quebrada, mas eu não consigo dizer nada mais do que isso. Dianna se sente muito culpada, mesmo não sendo culpa dela. – Ashley me olhou e abaixou a cabeça.

– Preciso me deitar.

– Ashley, você acha que ela foi culpada?

– Bom, ela estava lá com ele… Porque não o socorreu? Porque não saiu correndo com ele a procura de ajuda? Porque não usou um detector de minas? Se nos filmes tem, provavelmente na guerra teria… Olha, eu não acho que ela é culpada, não foi ela que armou a cilada. Mas, eu também não consigo achar que ela não tenha ajudado para o resultado final.

– Acho que é melhor mesmo você ir dormir. – Me subiu uma raiva, como ela poderia culpar Dianna? Por mais que, ok. Ela é a viúva, o luto dói. Eu não vou permitir que Dianna saia como vilã de algo que ela não cometeu, eu tenho certeza que ela fez de tudo para salva-lo.

POV JENNA

– Veja só quem voltou, achei que tinha me abandonado. –  Abracei-a por trás.

– Oi, Jenna. – Ela se soltou.

– Está tudo bem?

– Está sim, só com um pouco de pressa, precisa de alguma coisa?

– Tá me tratando como se fosse uma cliente sua… Eu preciso de você, eu estou com saudades.

– Jenna… Por favor, pare.

– Parar com o que?

– Com isso! Jenna você não quer só minha amizade, mas eu namoro!

– NAMORA? – Fiquei tão nervosa que comecei a rir. – Namora com alguém que não vê a mais de quatro anos? Alguém que não te toca! Alguém que não está aqui quando você mais precisa?

– Terminou?

– Terminei o que?

– De falar… Tudo o que você disse é verdade e não é novidade para mim. Mas mesmo assim, eu afirmo… Eu namoro. Agora, se me dá licença. – Não falei nada, acho que já perdi bastante o controle.

Esperei alguns dias passar, não posso por tudo a perder. É claro que ela iria ficar mais sensível, com esse lance do namorado da Ashley ter morrido. Mas, é questão de honra leva-la pelo menos para cama. Não é possível alguém não fraquejar. Eu vou conseguir e já tenho um bom plano.

Liguei para Holly, pedi desculpas pelo modo como falei, ela diz ter aceitado. Mas eu disse que queria provas, e que só acreditaria se ela aceitasse em fazer uma noite do pijama na casa dela.

No começo ela achou melhor não, mas a convenci usando Ashley como motivo, disse para chamar a amiga dela. Ok, não seria como eu planejava, mas uma hora Ashley dormiria e ai sim, eu colocaria meu plano em pratica.
A noite passou rápido, e para melhorar, Ashley não vai com a minha cara. Então ela foi dormir cedo, assistimos um filme aproveitei para me alojar no corpo de Holly, as coisas não estão boas, nem mesmo um carinho ela fez em mim como antigamente.

– Vou dormir Jenna, você se ajeita por aqui?

– Claro, já sou de casa.

– Está bem, boa noite.

– Boa noite.

POV HOLLY

Adormeci de maneira rápida, estou tão cansada e ainda Jenna inventou essa festa do pijama. A única coisa realmente boa foi Ashley ter vindo, desde que sai da casa dela, pois ela já se sentia bem para ficar sozinha, desde então eu não há vi mais.

Ela evita ligações, no começo achei que era algo comigo mas depois, conversando com outros amigos e até com a família dela, constatei que é algo que ela está fazendo com todos.

Eu não sei o que se afastar de todos que te amam ajuda a passar por um período difícil, mas eu também não posso julga-la, não sou eu que perdi quem amo.

Dormindo de bruços senti mãos me acarinhando, isso só pode ser mais um sonho bom com Dianna. Minha orelha se arrepiou, um beijo foi depositado na minha nuca, senti uma mão passando por debaixo da minha blusa de dormir em um carinho calmo nas costas.

Quando ascendi o abajur não podia acreditar era Jenna, completamente nua, na minha cama. Fiquei sem reação… Ela veio se aproximando, me descobriu.

– Relaxa, nós sabemos que você também quer. – Ela disse eu fiquei muda, eu não quero ela, mas sua atitude me deixou sem reação. Ela pegou minha mão e levou até seus seios. – Sente, sente como são macios, sente meu corpo inteiro Holly.

– NÃO! – Dei um pulo da cama. – Você está louca Jenna? – Falei baixinho para não acordar Ashley.

– Sou louca por você, vamos… Pare de cerimônia. Você precisa transar, eu vou te dar vários orgasmos.

– Você está realmente louca, por favor se vista.

– Porque? Está com tesão de me ver nua.

– NÃO! SAI AGORA DO QUARTO, se você sair eu prometo fingir que nada disso aconteceu.

– Só vou sair depois de te fazer minha. – Ela veio se aproximando me deixando sem saída.

– Eu já disse que não quero, se me encostar eu grito, eu chamo a polícia eu faço um escândalo eu tenho namorada Jenna.

– Ela está bem longe… Deixe ela cuidar do nosso país, que eu cuido de você.

– Cala a boca Jenna, não me faça perder o resto de respeito que tenho por você. Agora, por favor.

– Fica comigo… Nós sabemos, sua namorada não vai voltar. Ela vai acabar uma hora morrendo por lá. – Não deixei ela terminar de falar, quando dei por mim, tinha dado um belo tapa em sua cara. Ela me olhava espantada.

– Eu te avisei para sair do meu quarto… Cale sua boca, vista sua roupa e por favor saia do meu apartamento.

Jenna apenas saiu bufando de raiva, me tranquei no quarto caso ela resolvesse voltar.

Ela passou de todos os limites.

POV DIANNA

Onze meses depois

Hoje faz cinco anos e três meses que vim parar aqui… Desde que o Fred, morreu eu me sinto bem sozinha, voltei para algumas missões, hoje lidero uma tropa, mas eu não quero isso pra mim.

Espero ansiosamente minha vez de ir embora desse lugar.

Um oficial disse que estava à caminho da base, na qual eu lidero, não sei qual problema deu, preciso aguardar.

O Helicóptero posou na base no meio da noite, bati continência assim que ví meu superior.

– Capitã, por favor, reúna toda sua equipe.

– Sim, senhor! – Assim fiz, chamei todos da minha equipe, ao todo quatorze soldados. – Todos presentes, senhor sargento.

– Ótimo, está com um número grande de pessoas em suas mãos, capitã Thompson, é uma grande responsabilidade.

– Realmente, senhor.

– Sei como é. – Ele sorriu abertamente. – Me diga capitã, quem dentre eles, é capaz de coordenar uma equipe. Ser um capitão ou capitã.

– Todos são. – Disse firme, não para fazer média, mas realmente todos ali são capazes.

– Mas, deve ter algum que você ache mais gabaritado ou gabaritada.

– A soldada Anne.

– Porque? – Ele perguntou curioso.

– Porque ela está aqui porque quer, ela me conta que seu pai, serviu ao nosso país, e ela também gostaria de ter a mesma carreira como seu pai. E dedicada, destemida e muito organizada e tem um ótimo senso de tática.

– Ótimo… Soldada Anne, se levante.

– Sim, senhor! – Ela veio em minha direção sorrindo. – Obrigada capitã pelos elogios.

– Só falei verdades. – Sorri educadamente.

– Pois bem, capitã Dianna, arrume suas coisas… Anne irá lhe substituir. – Ele apertou a mão de Anne. – Bem vinda capitã Anne.

– Serei transferida?

– Sim, para uma missão mais especial e altamente perigosa, precisa de quanto tempo para arrumar suas coisas?

– Me dê trinta minutos é o necessário para colocar as coisas em minha mochila e despedir da equipe.

– Aguardo no helicóptero. Capitã Anne, cuide de maneira sábia dessa equipe, cuide como a capitã Thompson cuidou.

– Muito obrigada senhor!

Arrumei minha mochila com tudo o que tenho, e conquistei nesse tempo todo, me despedi da minha equipe e entrei no helicóptero. Durante todo voo um silêncio perturbador, preferi não falar nada… Se o sargento não quer conversa, preciso respeita-lo. Percebi que chegamos á base.

– Não esperava vir para cá capitã? – Ele me olhou curioso.

– Admito que não senhor.

– Vem, vamos conversar. – Entramos em uma sala, onde estava mais quatro sargentos. – Capitã, você está aqui por um motivo muito especial. Sabe qual é?

– Sim senhor,  o sargento me disse que é uma missão altamente perigosa.

– É, ele tem razão. Preciso saber se está preparada. Será a missão mais importante de sua vida.

– Estou aqui para servir o país senhor.

– É missão mais esperada por você capitã. – Um deles disse. – Você vai para casa. – Ele disse com um enorme sorriso. Eu não acreditei, perdi as forças nas pernas e cai no chão. Comecei a chorar, sem pensar, perdi minha postura, eu só poderia estar sonhando. Eu sonhei tanto para isso acontecer, os quatro saíram da pose de durões, e vieram me abraçar sorrindo. – Você ficará mais quatro dias aqui, na base, mais para acertos finais, depois, um avião levará você até sua casa.

– Obrigada, senhores, muito muito obrigada.

– Nós que agradecemos por tudo o que você fez pela nação… Quer que avisamos a sua família?

– Prefiro fazer surpresa, senhor. – Disse tentando conter o choro, eu sei que choraria por longos minutos assim que eles saíssem.

– Ótimo! – O capitão se manifestou. – Saiba que não brincamos quando dissemos que será uma missão altamente difícil, voltar a sociedade é mais difícil do que se imagina, voltar à rotina, você verá tudo de um jeito novo, quase que inédito. Você verá o mundo e as pessoas diferentes, e não espere que elas te olhem como antes. Tudo muda… Agora vamos comer, estou com fome! – O sargento disse sorrindo. – E precisamos comemorar. Venha conosco.

– Vamos sim senhor.

Quatro dias se passaram rápido, eles tentaram me convencer a não assinar o papel dizendo que eu sairia para nunca mais voltar.

Me ofereceram um cargo maior… Um salário bem maior, e até que eu ficasse apenas trabalhando coordenando aqui da base, em local seguro, com luxo e sem confronto. Com o direito de ver minha família durante sete dias de três em três meses… Obviamente não aceitei.

– Não temos roupas de civis para lhe entregar, capitã. – Um soldado novato me disse sem jeito batendo continência para mim.

– Não precisa se desculpar, está tudo bem. Não precisa bater continências para mim ok?

– Precisa sim, capitã. – Sargento apareceu. – Sempre que vemos quem serviu nosso país, nós cumprimentamos com uma continência e tratamos como se ele ainda estivesse em serviço… E você, de garota atrapalhada de 19 anos assustada com tudo, te chamávamos de cavalo azarão… Hoje sai daqui com todas as honras, como capitã… Não é à toa que seu nome é Dianna, o mesmo nome da heroína mulher maravilha. – Ele sorriu. – Quantos anos, capitã?

– Quase 26 anos, senhor.

– Tem muito o que viver, e muito o que contar. Nos vemos no fim de tudo isso, na cerimônia de entrega de medalhas, quando essa maldita guerra acabar.

– Estarei lá.

– Espero que nós também… Agora vá.

– Até logo, sargento. – Bati continência.

– Até capitã. – Ele fez o mesmo gesto.

Entrei no avião, tomei um remédio para dormir, não queria ficar ansiosa a viagem inteira e não queria ver aquele território.

Chegando finalmente nos EUA, fui recebida bem, tirei documentos atuais, e sai com eles prontos de lá. Finalmente uma civil.

Pelo dia e horário, Holly deveria estar na faculdade, resolvi pegar um taxi e ir até lá, eu preciso vê-la.

Segui andando pelo campus sobre os olhares atentos de todos… Alguns lembravam ter visto, até porque eles apontavam o dedo pra mim, como se tivessem vendo um fantasma.

Os que não conhecia só me olhava, talvez pensando o porque de uma oficial do exército (já que ainda estou fardada) estava fazendo ali.

Olhei na porta do prédio de publicidade o cronograma de aulas, Holly está no último período e estava tendo aula.

Fui caminhando calmamente até a direção, falar com a diretora da faculdade é sempre complicado, mas, quando se está fardada, tudo fica fácil.

Perguntei se ela autorizava que eu interrompesse a aula para ver Holly.
Ela afirmou que sim, mandou chamar a professora que estava dando aula.

Quando a senhora Melani me viu, começou a chorar, ela sempre foi minha professora predileta, engraçada, de bem com a vida e extremamente profissional e criativa.

– Vem, vou te levar até a sala. – Ela segurou em minhas mãos. – Meu Deus, ver você aqui comigo é como ver um milagre, sabia?

– Também não botava fé que conseguiria passar por isso professora.

– Mas conseguiu! Vamos fazer o seguinte, eu vou entrar, dizer que tenho uma pessoa que quer dar um recado. Ai você entra! Será emocionante! Não só pela Holly, mas pelos outros… Dianna, essa é a sua turma, os que iniciaram com você, 96% ainda estão aqui, eles são muito solidários com a Holly, sempre perguntam como você está… Vão ficar felizes em te ver de volta.

– Fico feliz em saber disso professora.

– Me espere aqui. – Ela entrou na sala eu fiquei escondida, ouvindo algumas vozes, eu estou tremendo de ansiedade. – Galera, eu… Eu estou visivelmente emocionada e ansiosa, nós temos uma visita. – Ouvi um burburinho. – Visita, por favor, entre! – Ela gritou.

Entrei timidamente, avistei Holly, no meio da sala entretida em um projeto. Assim que a classe me viu, começou a gritar e a chamar por ela.

Percebi que ela ficou sem entender, ela olhou para todos os lados menos para frente… Quando ela resolveu olhar e me viu, colocou as mãos na boca, começou a chorar. Não se mexia.

Eu também estava por um fio de uma crise de choro, mas me segurei, respirei fundo e fui andando até sua mesa. No meio do caminho ela se levantou e veio correndo me abraçar, pulou no meu colo a segurei com força.

As pessoas aplaudiam de pé, eu apenas fechei os meus olhos e me permiti sentir o cheiro da minha Holly.

– Eu te amo, te amo te amo te amo te amo te amo. – Ela disse repetidas vezes me fazendo sorrir. – Eu não acredito que você está aqui! Eu simplesmente não acredito, é um sonho.

– Olha para mim, eu estou aqui. – Peguei seu rosto, e coloquei suas mãos no meu rosto. – Viu? Sou eu. – Ela sorriu de alegria, e começou a fazer carinho em mim.

A galera gritando para nos beijarmos. Eu iria perguntar se ela queria me beijar, mas ela me atacou em um beijo demorado, escutamos os gritos de comemoração dos colegas.

– Professora. Se importa se eu…

– Vai Holly, tudo bem… Vá curtir sua namorada. Mata essa saudade, aproveita muito!

Ela juntou suas coisas rapidamente enquanto alguns me cumprimentavam animados com a minha volta.

– Gente, me dá licença, depois damos uma festa para comemorar, agora vem amor! – Ela saiu me puxando pela sala.

– Tchau professora. – Dizemos ao mesmo tempo.

– Tchau queridas, até mais.

– Até.
 

 

Continua…

Já leu?

Mil Borboletas – Parte I

Mil Borboletas – Parte II

Mil Borboletas – Parte III

Mil Borboletas – Parte IV

Mil Borboletas – Parte V

Mil Borboletas – Parte VI

Mil Borboletas – Parte VII

Mil Borboletas – Parte VIII

Mil Borboletas – Parte IX

Mil Borboletas – Parte X

 

 

 

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