Mil Borboletas – SEMIFINAL

POV HOLLY

Combinei de encontrar Dianna no Shooping em frente à loja de celulares.
Fiquei procurando por ela um bom tempo até que senti alguém me abraçar.
– Não me reconheceu? – Quando virei era ela. Tão linda! Diferente, com roupas diferentes, o cabelo bem mais curto de quando chegou e mais loira! – Gostou? – Ela parecia uma criança quando coloca um vestido novo.

– Amor, você está incrível! – Dei um beijo nela. – Amei, amei amei. Dá mais uma voltinha. – Falei segurando em sua mão. – Meu Deus, que mulher linda.

– Fico feliz que gostou. Eu tô me sentindo até mais leve.
– Imagino… Nossa, você é realmente muita areia para o meu caminhão.

– Para de besteira, você é incrível. – Ela me deu um beijo. – Você pode me ajudar a comprar mais roupas? Preciso comprar acessórios também. Roupas intimas, esse tipo de coisa.
– Claro, mas estou com fome. Já comeu MC DONALD, hoje?

– Faz cinco anos que não como!

– Vamos comer, então! Depois fazemos isso e no final do dia, vou te levar a um mecânico de motos, o pessoal da sala que tem moto me passou o contato dele. Dizem que ele é excelente, então você conversa com ele.

– Tá bom. – Vamos comer.

– Vamos!

POV DIANNA

Eu comi MC Donald, nem acredito nisso. Mas ainda prefiro Burguer King.
O dia passou rápido, Holly me ajudou em um monte de coisas, inclusive com a minha moto. Fico feliz que ela ficará pronta em algumas semanas, não vejo a hora de finalmente pilota-la.

É estranho estar andando livremente por aí. Sem se preocupar se terá minas explosivas, ou alguém em tocaia esperando para atirar em sua cabeça. Não acho que a guerra seja algo certo, mas, se as pessoas soubessem, ou se elas perdessem as coisas que eu perdi em cinco anos. Talvez elas dessem mais valor a cada segundo respirando. Pelo menos comigo foi assim.

É triste saber que para estar andando tranquilamente pela rua, tem alguém em outro lugar, andando com cautela, carregando uma mochila imensa. Alguém com saudades de casa.

Ontem, quando transamos, senti que Holly gostou. Eu também, não vou mentir. Acho que a parte carnal estava tão latente em ambas que as duas queriam sanar, um pouco que seja, a vontade o desejo. Eu realmente queria ter chegado ontem e feito amor com ela, mas meu corpo pedia por ela com uma urgência que não me permitiu ser romântica. Mas quero ser diferente essa noite, antes de encontrá-la passei em uma loja e comprei uma lingerie. Quero ser o mais romântica possível na nossa segunda noite.

– Amor, vem deitar. – Holly me gritou. – Você está passando bem?

– Estou sim, porque amor?

– Sei lá, comemos tantas coisas hoje, eu estou acostumada mas sei lá, faz cinco anos que você não come fast food.

– Estou bem. Já estou indo.

– Está bem, estou te esperando.

Me olhei no espelho, até que a lingerie ficou boa. Meu corpo está diferente, eu sei. Parece absurdo, eu convivi com ele em todo o tempo de guerra, mas, acredite, a última coisa que você pensa nesses casos é na estética. Sempre tomei banhos correndo, com medo de sofrer um ataque ou alguém estar olhando, então era algo mecânico, não tinha muito tempo para me olhar, me curtir.

A barriga está bem definida, mas tenho algumas cicatrizes pelo corpo… Uma bem grande na barriga, de uma vez que o cara me enfiou uma faca no corpo. Essa cicatriz fez meu corpo perder a magia, não sei o que a Holly vai achar.

Desliguei a luz do banheiro. Me arrependi do plano, de seduzi-la mas, agora já era tarde eu não poderia ficar aqui no banheiro pra sempre.

POV HOLLY

Quando ela saiu do banheiro pensei estar sonhando. Dianna toda tímida, com uma das mãos na lateral da barriga. Andando calmamente, vindo em minha direção com uma lingerie lilás.

– Nossa. – Foi a única coisa que consegui dizer, eu nunca me esqueci da beleza dela, mas, naquele momento parecia algo inédito. – Você está linda. – Ela corou mais ainda. – Vem aqui, amor. – Ela subiu na cama e veio até mim.

– Surpresa. – Ela disse completamente tímida.

– Você é tão linda, mas tão linda… Parece que foi pintada. – Me ajoelhei ficando da mesma altura do que ela. – Me deixe repetir que você é linda? – Ela sorriu e negou. – Mas você é – Insisti. – Linda quando te vi entrar na piscina na nossa aula de natação, linda quando te via passar nos corredores do colégio, linda de vestido de gala, linda nua na minha frente pela primeira vez… Linda na nossa última noite antes de você ir, linda com a farda de guerra. Linda com as roupas novas. Linda agora, na minha frente.

– Algumas coisas mudaram Holly, em meu corpo.

– Eu sei… E eu amo cada mudança. – Reparei que ela não tirava a mão daquela região, então devagarinho tirei sua mão… Uma cicatriz grande agora habitava sua pele. Não vou mentir, me assustei um pouco. Eu poderia muito bem perguntar, como, onde… Quem¿  Mas, eu não faria isso agora. Senti que sua insegurança vinha dessa cicatriz, então me abaixei olhando em seus olhos e beijei sua marca de dor, do começo ao fim, senti sua respiração ficando mais leve, seu corpo mais relaxado, voltei a encará-la.

 

– Quando disse que te amo e amo tudo o que há em você, isso inclui cada marca que seu corpo possa ter. E não há nada no mundo que me faça te amar menos, ou te achar menos linda. Você é minha linda.

– Obrigada por não se assustar.

– Vem aqui, deixa eu te mostrar como eu te amo. – Eu disse fazendo-a se aproximar. Me curvei e comecei a dar vários beijos em sua cicatriz e em todas as marcas possíveis que poderia encontrar em seu corpo.

– Você realmente é incrível. – Sorri para ela. – Me deixa tirar sua lingerie?

– Deixo.

Tirei com cuidado peça por peça, enchendo-a de beijos, uns cálidos outros bem afoitos, fui trazendo-a para se deitar na cama. Distribui beijos, mordidas e lambidas pelos seus seios… Dianna não faz nenhuma questão de controlar suas reações e seus gemidos. Ela abriu suas pernas quando entendeu aonde queria chegar. Lentamente fui me agachando e me encaixando a ela. Suas mãos passaram por toda extensão de minhas costas. Seus dedos passearam na base da minha coluna, perto da minha bunda e com uma pressão extra ela me apertava mais e mais. Seu sexo tão cheiroso, tão convidativo… Beijei seu clitóris e toda sua boceta. Me concentrei em sugar e lamber até faze-la gozar. Fui devagar, foi difícil me manter calma, mas, eu queria que fosse assim… Queria que fosse lento para ela sentir tudo aos poucos, para ela se lembrar o quão bom é ser chupada por alguém que a ama e a deseja.

Sua mão guiando minha cabeça, sua boca repetindo meu nome em diversos volumes me deixou louca, assim que a senti gozar em minha boca, entrei nela com meus dedos, ela ficou ainda mais louca, ainda mais entregue. A comi gostoso, seu corpo tão melado e quente. Tão meu. Eu quero fazer com que ela sinta, todos e mais orgasmos que ela me deu ontem à noite… Não seria uma árdua tarefa, uma mulher linda como Dianna, não seria um sacrifício me perder em seu corpo.

 

POV DIANNA

Três semanas depois.

Desde que cheguei, estou morando no apartamento de Holly. Venho tendo pesadelos todas as noites. Na maioria delas, acordo assustada, lembrando o que vivi em território de combate.

Mas graças a Deus, Holly não acorda, aí me levanto e vou para sala ou cozinha. Como agora, sentada no chão frio (isso tem me acalmado).
Me curvei e baixei a cabeça em silêncio. Até que senti uma presença, alguém se sentando do meu lado.

– Oi. – Holly com carinha de sono.

– Desculpa te acordar.

– Tudo bem, caso você não saiba, eu venho percebendo que você se levanta e vem para cá.

– Desculpe.

– Não peça desculpas por isso. Tem pesadelos, não é?

– Tenho… Durmo e sonho com a guerra, sonho com as pessoas que vi morrer.

– Imagino. – Ela segurou minha mão. – Está gostando da sua nova psicóloga?

– Sim, já noto melhoras em mim.

– Que bom.

– Sonho muito com Fred, acho que isso tem a ver com o fato de não ter ido ainda visitar Ashley, eu prometi que iria… Mas, estou sem a mínima coragem. Desde que cheguei, ela não te procurou mais, deve ser por isso.

– Pode ser, mas ela também está perdida… Tentando estudar muito, focar em algo para seguir em frente.

– Preciso visitar o tumulo dos meus pais, visitar o do Fred, visitar Ashley e os pais dele.

– Faça um de cada vez.

– Não, quero fazer tudo amanhã, não para me livrar disso, mas, é que prefiro… Entende?

– Entendo.

– Você pode ir comigo, Holly?

– Claro, amor… Sente-se segura para se levantar e voltar a dormir?

– Posso tentar.

– Vem, vamos dormir, amanhã você terá fortes emoções. – Acompanhei-a em silêncio, me deitei do lado dela sobre seu peito enquanto recebia carinho. – Sabe, eu não canto muito bem… E por não cantar muito bem, vou recitar o trecho de uma música para você, da Lady Gaga.

– Poker Face? – A interrompi, pude sentir que ela sorria.

– É dela mesma. Mas, as coisas mudaram um pouco. Já que você adora pesquisar o que aconteceu em cinco anos, tome como nota pesquisar sobre ela, você vai se surpreender… Essa música chama-se The cure.

– Dica anotada no meu caderno mental. Então, recite para mim.

– Irei te despir, porque você está cansado, te cobrirei como você desejar. Quando você adormecer em meus braços, posso não ter as coisas extravagantes… Mas eu vou te dar tudo que você poderia querer, está em meus braços, se eu não puder encontrar a cura, vou… Vou consertar você com meu amor. Não importa o que você sabe, vou, vou consertar você com meu amor. E se você disser que está bem, vou curá-lo mesmo assim. Prometo que sempre estarei lá. Prometo que serei a cura. Massagear seus pés, suas mãos, suas pernas, deixe-me cuidar de tudo, amor, feche os olhos, vou cantar sua música favorita. Escrevi esta canção de ninar para você, faça silêncio agora, amor, não chore… Tudo que você quiser não poderia estar errado. Vou consertar você com meu amor. Não importa o que você sabe, vou, vou consertar você com meu amor. E se você disser que está bem, vou curá-lo mesmo assim. Prometo que sempre estarei lá. Prometo que serei a cura.
– É lindo, Holly.

– É uma música linda sim, amor… Quero que se lembre dela todas as vezes que não se sentir bem, me procure, me acorde, me abrace, me beije, me use, mas me inclua, me deixa te ajudar, te amparar até tudo passar. Eu estou aqui por você. Sempre vou estar.

– Obrigada, meu amor.

– Durma meu bem, eu vou estar aqui.

 

Acordei disposta, até que dormi bem depois que ela conversou comigo.
Me vesti e fui até a floricultura comprei flores. Holly ligou para Ashley, e ela aceitou nos receber no fim da tarde, tenho certeza que será uma das conversas mais difíceis.

Entrei no cemitério, fui para a lapide dos meus pais, lembro-me da última vez que estive aqui, um dia antes de ir para a guerra, vim me despedir deles, tendo a certeza que seria enterrada aqui com eles. Mesmo assim, pedi proteção e tenho certeza que eles me protegeram. Não há outra explicação na minha mente que não seja a proteção deles.

Fred está enterrado no mesmo cemitério, fui até ele.

– Já tinha vindo aqui? – Perguntei a Holly. Enquanto caminhávamos de mãos dadas.

– Não depois do enterro. Estamos próximas, tem certeza amor?

– Tenho… Será que, bom, você pode ficar do meu lado. Para você talvez seja só uma lapide, mas, para mim é como se fosse o Fred sabe? Sempre me imaginei encontrando com ele pós guerra… Ele, jogado largado em cima de algum capô de carro, com o cabelo um pouco mais comprido do que na época que servíamos. Um cigarro na boca, com aquela pose de eu sou o cara… Isso soa tão estranho.

– Juro que não vou a lugar algum, não vou soltar a sua mão… E bom, se você imagina ele dessa forma… Fale com ele. Vai lhe fazer bem, vai fazer bem para ele também.

– Não vai me achar louca?

– De jeito nenhum. – Holly nos parou perto de uma arvore, quando olhei para o tumulo, lá estava a foto do meu amigo, ele sorrindo. Eu fiquei muda, eu não sabia o que fazer. Holly me olhou e começou. – Oi Fred. – Olhei espantada para ela. – Pois é, eu já não sou tão nerd quanto na escola, e vamos admitir minhas roupas melhoraram não é mesmo? Olha, eu nunca achei que iria te dizer isso, mas, obrigada. Se não fosse sua carta contando para Ashley sobre o lance do Facebook, sem dúvidas hoje eu não estaria segurando a mãos da Dianna. Te devo essa. Não sei como te agradecer, mas, posso começar prometendo que estarei do lado da Ashley para o que ela precisar, sempre que ela me chamar… Afinal, enfim, você sabe… Ela é bem birrenta. E pode deixar que eu cuidarei da sua melhor amiga. – Holly me olhou sorrindo. – Bom, acho que está na hora de você falar com ele também meu amor.

– E ai irmão… Pois é, vim te ver. Sei que você sabe, mas, ainda não fui fazer o que você me pediu, desculpe… Vacilo meu, mas, hoje vou concertar isso ok? Espero que você esteja bem. Prometo vir conversar com você… Te trazer flores, eu comprei as suas prediletas, sei que você não falava isso para ninguém te zoar, mas, um dia você me contou que era louco com begônias… Prometo não sair espalhando isso em cartazes por ai… Sem ressentimentos por aquele lance no colegial ok? Sobre flores eu lembro daquela história que você me contou, cara, você não perdia a pose, não é? Comprou e deu desculpa que era para sua mãe… Mas você plantou todas no fundo do quintal, até deixava de ir com a galera em alguns momentos só para cuidar das flores… Mas, para a galera, falava que ia fazer luta, ou falava que ia encontrar alguma garota, na época que era solteiro. Isso é patético Fred, a gente achando que você estava transando loucamente no seu carro com alguma garota e você estava no jardim dos fundos da sua casa, regando flores! Ok, vou parar de te zoar. Sempre vou trazer begônias ok? Bom, eu não fiquei mais que dois anos depois que você se foi. Fui dispensada… Eu honestamente não sei muito o que te falar, as coisas estão se ajeitando aso poucos e sem pressa… Quero fazer tudo com calma. Mas vou estudar. Prometo. – Holly me olhava com um sorriso no rosto. – Preciso ir, visitar seus pais e sua garota, espero que ela não me receba com um tiro. – Comecei a sorrir. – Você conhece bem a namorada que tem, poderia por gentileza ir acalmando-a…Quebra essa para mim. Não se preocupe, darei aquele recado especial. Fique com Deus. – Coloquei as flores em seu túmulo, fiz um carinho em sua foto. – Eu volto mais vezes para conversarmos, ok? Te amo.

Quando cheguei na casa dos pais deles, os dois começaram a chorar ao me ver, conversamos muito, tomamos um café. Disse tudo o que Fred me disse antes de morrer. E me despedi na promessa de visita-los, e iria cumprir.

– É aqui. – Holly disse segurando minhas mãos, esse é o apartamento dela… Pronta? – Afirmei com a cabeça, ela me deu um beijo e apertou a campainha, não demorou muito para Ashley abrir. Recuei quando vi. Seus olhos fixaram nos meus, seu semblante sério. – Podemos entrar, amiga? – Holly perguntou.

– Claro. – Ela respondeu seca.

– Oi, Ashley.

– Oi, Dianna. – Aquele silêncio que incomoda chegou. – São para mim as flores? – Afirmei com um gesto. – Obrigada, Dianna.
– Eu, é… Eu posso te dar um abraço, Ashley? – Perguntei com todo o medo, ela me encarou e veio me abraçar, seu corpo colidiu com o meu, ela começou a chorar, eu também não consegui me controlar. – Desculpe por não trazer ele para você.

– Não vou mentir, te odiei muito. Sem motivos, te odiei por você estar respirando. Mas, hoje eu sei. Sei que fez o que pode. Vamos nos sentar, é bom ver vocês duas juntas.

– Como você está? – Perguntei, me sentando ao lado de Holly, que enxugava minhas lagrimas com cuidado.

– Destruída, inconformada… Mas sonho sempre com ele, e nele conversamos muito. Rimos muito, é o que me conforta.

– Tem lido o diário?

– Sim, uma página por dia.

– Está em que pagina?

– 102.

– Ele me pediu algumas coisas, coisas que eu falei com os pais dele, recados… Antes de morrer, ele pediu para lhe dar alguns recados, está disposta a ouvir?

– Claro. – Ela se endireitou no sofá.

– Ele que pediu para enviar o diário dele para você, pediu para te dizer que ele te ama mais do que tudo… E que o maior desejo e plano de vocês, vai acontecer mesmo ele não estando mais aqui.

– Filhos? – Ela matou a charada na hora, percebi que realmente era um plano deles.

– Filhos… Duas semanas antes dele ir para o Iraque, ele foi em uma clínica de fertilização congelou seu material genético. Se um dia você estiver preparada para ser mãe… De um filho dele, é só ela ir até a clínica.

– Isso é sério, Dianna? – Holly me interrompeu.

– Foi o que ele me disse, disse que maiores detalhes estão na pagina 197 desse diário. – Ashley saiu correndo pegar o mesmo, e voltou passando as folhas com rapidez – Meu Deus… Ele pensou em tudo.

– Foi o que eu disse para ele.

– Quero ir o quanto antes nessa clínica.

– Ashley, não precisa ser agora, o material genético dele sempre estará lá, não precisa ser agora. – Holly disse segurando a mãos dela.

– Eu sei, não pensem que eu estou fazendo isso no impulso ou desespero.  Sempre foi meu sonho ter filhos com ele, antes dele ser convocado, eu parei de tomar a pílula e ele de usar camisinha, sempre quisemos… Eu quero muito gerar uma vida, não para substituir ele e nem para me entreter, era nosso sonho. É meu sonho. Eu me sinto preparada para ser mãe.

– Converse com os pais dele, creio que eles vão te dar total apoio. – Holly abraçou Ashley apertado.

– Também acho, falarei com eles… Falarei com meus pais, me formo no meio do ano que vem, assim que me formar, vou até a clínica… Amanhã vou ligar para eles, confirmar isso, ver como funciona.

– Faça isso. – Holly se sentou do lado dela.

– Eu não sei se vou conseguir, apesar de querer… Não sei se vou conseguir passar por isso sozinha. – Ela estava chorando, segurando firme o diário.

– Se você quiser, eu posso acompanhar você em todo o processo. – Eu me manifestei.

– Dianna tem razão, eu também quero acompanhar, você não está só, jamais esteve e nunca vai ficar sozinha, nós estamos aqui. – Holly disse e as duas se abraçaram novamente, acho que nem em mil anos imaginaria ver essa cena.

– Posso? – Perguntei me aproximando com cautela. Elas afirmaram com um gesto, então me juntei em um abraço. Nunca fui de ver espíritos ou sentir coisas. Mas nesse momento eu senti Fred tão presente que minha adrenalina subiu, eu escutei um obrigado. Uma voz de homem, a voz do meu amigo. Eu fiquei paralisada, arrepiada eu senti medo misturado com alegria, eu não tinha dúvidas, ele estava conosco. Ele estava aqui.

Duas semanas depois

Hoje vamos sair para ir ao show do DNCE, Estou fazendo intensivo para decorar todas as músicas, creio que o show será maravilhoso.

Fomos com a turma da faculdade de Holly, meus antigos colegas de sala.

Chegando no estádio, segurança por todos os lados, assim que todos passaram, Holly e eu ficamos por último. Ela passou, e quando pediram minha documentação, entreguei minha carteira, os oficiais pararam, se uniram e bateram continência para mim.

E se recusavam a me revistar, eu insisti, afinal, sou como qualquer um ali.
Eles continuaram se recusando, bom, aquilo estava me irritando de uma forma, meus colegas e outras pessoas me olhando. Eu não sei se tenho alguma autoridade perante aos guardas, mas para acabar com isso logo. Resolvi tentar. Eu só queria entrar e curtir em paz.

– Guardas! – Disse em tom firme. – Como capitã que serviu nosso país exijo que você me reviste agora, cumpra com o seu dever! Isso é uma ordem, entendido?

– Sim, senhora. – O rapaz veio correndo me revistar. – Com licença, senhora. – Deixei ele fazer seu trabalho. – Está tudo ok senhora, bom show.

– Obrigada. – Passei morrendo de vergonha, Holly me olhava curiosa estendendo as mãos para mim.

– Calma, não fica nervosa. Uma vez capitã… Sempre capitã.

– Isso é um saco.

– Isso é sexy. – Ela me olhou de um jeito atrevido. – Será que dá para falar desse jeito comigo em casa? Adoraria receber ordens suas. – Ela estava flertando comigo, me seduzindo e me deixando vermelha. Desde que voltei, eu voltei muito engessada, o que é normal. Voltei muito formal e sem humor algum, estou reaprendendo. Resolvi retrucar.

– Somente em casa? – Lancei um sorriso sacana. – Posso falar com você assim em qualquer lugar, me ouviu bem?

– Sim, senhora. – Ela se esticou me roubando um beijo. – Não vejo a hora de terminar esse show. – Ela disse rindo, acompanhei-a pela multidão.
O show foi incrível, a vida tem sido boa, fiz o vestibular, passei… E bom, não decidi voltar para publicidade, vejo Holly estudando e não me vejo mais me pertencendo a este mundo de criatividade, metas e paletas de cores.

Psicologia é algo fascinante, estudar a mente das pessoas, se desprender de qualquer julgamento, analisar os fatos, ajudar as pessoas a se reerguer de um episódio (meu caso). E tantas outras coisas que é possível.

Vou estudar psicologia.

Comprei uma casa, em um condomínio fechado, é uma casa bem grande.

Não contei para Holly, até porque ela vai achar que isso significa que quero ficar longe dela… O que não é verdade.

Hoje ela se forma, uma grande festa. Ela é meu orgulho, meu amor e minha motivação de ser alguém melhor. Tenho um plano. Depois da festa, já avisei que vou leva-la para um lugar especial, mas não disse onde. Espero que dê tudo certo.

– FINALMENTE PUBLICITÁRIA! – Holly veio até nós assim que a cerimonia terminou e a festa começou. Seus pais, seus amigos de trabalho, Ashley e eu a sua espera comemorando com cartazes.

– Isso ai miga! – Ashley levantou a taça! –  MARAVILHOSA!

– Estamos tão orgulhosas de você querida! – Seus pais abraçaram apertado.

– E você, Dianna? – Ashley me chamou atenção. – Não vai falar nada? Ela se formou, poxa vida!

– Vou. – Disse calmamente. Nossos amigos e familiares ficaram nos olhando atentamente. – Holly, lembra uma das nossas ultimas conversas antes de partir para o Iraque?

– Mais ou menos. – Ela disse descontraída, fazendo todos rir enquanto eu continuava séria. – Mas o que tem?

– Eu te disse, que tinha me dado conta, que nunca te pedi em namoro. – Eles começaram a rir. – Disse que desde a primeira vez que te beijei senti que seria sua para sempre. Sabe Holly, eu estava louca para te pedir em namoro. Mas, não vou fazer isso hoje. – Todos começaram a rir, como se eu tivesse contando uma piada, talvez seja porque ninguém sabe o que estou prestes a fazer. – Então. – Me ajoelhei, sobre olhares atentos dos amigos.

– AI MEU DEUS. – Frank, o pai dela, gritou.

– Não vou te pedir em namoro… Mas, hoje eu quero te pedir em casamento. – Abri uma caixinha com o anel de brilhantes dentro. – Casa comigo, Holly? – Todos olharam esperando Holly fazer ou falar algo, fiquei olhando para ela.

– Casar? – Ela perguntou emocionada. – Casar mesmo? No papel? Nossa casa? Vestido branco e buques?

– Com tudo o que temos direito. – Disse tentando passar segurança, mas tremendo por dentro.

– Levanta, Di. – Me levantei me aproximando dela. – É claro que eu aceito!

Os amigos explodiram de alegria, coloquei o anel no seu dedo e ela fez o mesmo. Ela me roubou um beijo na frente de todos. Que se não tivesse ninguém ali, incluindo os pais dela, esse beijo iria longe.

Comemoramos pela noite inteira, quase cinco da manhã todos resolvemos ir, seus pais foram de carona com Ashley, pois eles beberam demais… Estava até engraçado.

– Onde vamos, amor? – Holly curiosa.

– Surpresa… Confia em mim, minha noiva? – Beijei sua mão.

– Ouvir noiva saindo da sua boca é tão bom. – Ela se aproximou se encaixando no meu corpo. – Foi o melhor presente de formatura de todos.

– E você, é o melhor presente que a vida me deu… Agora deixa eu vendar seus olhos. – Ela não se opôs então continuei. – Está apertado?

– Não amor.

– Agora sente-se, deixa eu colocar o cinto de segurança em você.

– Isso me parece sequestro hein. – Ela disse divertida. – Chegamos?

– Ainda não… Mais cinco minutinhos e vamos chegar.

POV HOLLY

A noite nem terminou, mas eu já posso dizer que é uma das noites mais felizes da minha vida.

– Chegamos? – Perguntei assim que senti o carro parar.

– Sim, espere que vou te ajudar. – Ela deu a volta no carro. – Pronto, me dá sua mão. – Ela andou um pouco comigo e depois nós paramos. – Está pronta?

– Estou.

– Continue com os olhos fechados, eu vou tirar a venda, mas só abra os olhos quando eu autorizar. – Senti ela parada atrás de mim. – Amor… Pode abrir. – Quando abri os olhos, ví uma casa grande, não me lembro de ter passado por ali antes.

– Onde estamos? Casa de quem? – Perguntei curiosa.

– Bom, estamos em um condomínio fechado no bairro de Chelsea, e… essa casa é nossa. Eu comprei ela faz uma semana. Olha, eu sei que não é a casa dos teus sonhos, mas amor, ela é muito grande, muitos cômodos e bom… Nada que uma boa mão de tinta e uns moveis do nosso gosto não faça isso aqui virar o paraíso.

– É perfeito… É a nossa casa amor! Será nossa! É perfeito, o bairro é maravilhoso! Enfim, tudo lindo.

– Gostou mesmo?

– Eu amei, amor! – Me pendurei em seu pescoço distribuindo beijos que a fizeram rir.

– Vem, vamos entrar. – Abrirmos a porta juntas. – Bem vinda.

A casa está totalmente vazia, com paciência e entusiasmo Dianna foi me mostrando os cômodos e fomos fazendo planos e mais planos sobre decoração em cada lugar.

– Esse é o quarto maior, tem um mega closet e um máster banheiro… Estava pensando em aqui ser o nosso quarto.

– Parece ser perfeito.

– Vem aqui. – Ela me roubou um beijo. – Vamos descer, tem um cômodo menor que não te mostrei.

– E o que tem lá?

– Você já vai saber. – Descemos com calma, de mãos dadas. – Entre. – Ela pediu então entrei primeiro, tudo escuro. Então ela acendeu a luz, não acreditei quando vi, um colchão no chão… Um balde com champagne e taças, pétalas de flores por todos os lados.

 

 

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