#ContoRápido Princesa de cavalo branco

A vida na cidade pode ser cansativa, o transito, o trabalho, as pessoas, cobranças e compromissos são coisas que esgotam o psicológico de qualquer ser vivo na face da terra, ainda mais de uma pessoa como eu, que cresci em uma fazenda.

Minha família tinha uma pequena propriedade na zona rural, do interior do Paraná. Trabalhávamos com gado leiteiro, então desde sempre eu andei a cavalo, o que era a minha maior paixão.

Mas no alto de meus 28 anos de idade, eu já não andava mais a cavalo, estava presa em uma sala, em uma selva de pedra, na gerência de uma empresa de exportações agrícola, completamente surtada, sem tirar férias a 18 meses. Foi quando joguei tudo para o alto, fui até meu chefe e disse “estou tirando um mês férias, não suporto mais entrar neste escritório”. Ele não se opôs, afinal, eram 18 meses de quase escravidão.

Cheguei em casa em uma ânsia de liberdade, um frio na barriga, como uma criança que espera pelo presente de aniversário. Juntei algumas roupas do armário, coloquei na mala e parti rumo ao interior, para casa de meus pais, com a pretensão de me internar naquele lugar rodeado de verde, respirar ar puro, acordar com o cheiro do café da mamãe, comer aquele frango caipira com polenta preparado no fogão a lenha, enfim, retornar às origens e limpar minha alma e também meus pulmões.  Seria uma viagem de 02 horas, em completa solidão, mas eu precisava desse momento também, dirigindo sem rumo, ouvindo Paula Mattos, reavaliando minha vida e minhas escolhas.

Era incrível como ao avançar pelas estradas rumo ao interior era gratificante, já era possível sentir o ar mais puro, o barulho ia diminuindo, diminuía também a quantidade de carros e o verde aumentava.

Eu não havia avisado minha mãe, e nem ninguém da minha família, de que estava indo para casa, queria fazer uma surpresa. Sai de casa as 17:00hrs, então, às 19:00hrs, eu estaria em casa, a tempo para o jantar.

banner.fw (Cópia em conflito de Celine 2015-09-24)

Cheguei na cidade e a nostalgia tomou conta de mim, passei devagar pelas ruas do centro, reavivando as memórias que ainda restavam. A Igreja matriz no coração da cidade, aquela tradicional sorveteria, o bar que meu Pai me ensinara a jogar sinuca ainda se encontrava no mesmo lugar, com as paredes da mesma cor, talvez nunca tivessem sido pintadas mesmo.  Cruzei a cidade e continuei o meu caminho, saí em direção a velha estrada do bairro da paineira, onde se localizava a propriedade de minha família, somente 20km de estrada de chão me separavam do abraço apertado do meu Pai e da comida quentinha da minha Mãe.

A noite estava caindo e eu continuava passeando pelas estradas que marcaram minha infância, procurando cada detalhe. A velha paineira, que dava nome aquele bairro rural, continuava imponente à beira da estrada. As 3 araucárias, que eram apelidadas de três marias, continuavam lá de “mãos dadas”. A velha ponte por onde passava um riozinho estava exatamente igual. Tudo naquele caminho tinha gosto de infância e como era bom reviver aquilo.

Faltava pouco mais de 10km para chegar em casa, e meu carro começou a falhar, amaldiçoei mentalmente, parei à beira da estrada, houve um estouro, e a fumaça tomou conta do capô. Eu não acreditava no que estava acontecendo. Peguei meu celular e não havia sinal, olhei no relógio e já eram 19:00hrs, a noite estava caindo aos poucos.

Peguei o celular, liguei o flash para usá-lo como lanterna, abri o capô e fiquei observando o motor, na esperança de algo brilhar demonstrando a solução do problema, mas nada aconteceu. Lá dentro do meu cérebro eu sabia o que tinha acontecido, eu não tinha conferido itens básicos como água, óleo, pressão dos pneus, assim como meu pai me ensinará e me recomendou tantas vezes.

Fechei o capô, sentei dentro do carro e tentei pensar em uma solução para meu problema. Ninguém se preocuparia em me procurar, afinal, eu não havia avisado a ninguém que estava indo, era para ser surpresa, e eu não aguentaria caminhar esses 10 km que restavam, eu era uma completa sedentária. A bateria do meu celular estava no fim, e para completar a situação, um temporal parecia estar a caminho, o que me pareceu mais sensato foi sentar no carro e aguardar por um príncipe num cavalo branco, que viesse me socorrer, e assim o fiz.

Liguei o rádio do carro e continuei a ouvir a seleção gravada em meu pendrive, somente mulheres do sertanejo, Paula Mattos, Nayara Azevedo, Maiara e Maraisa entre outras.

Foi quando ao fundo escutei um barulho que me fez ter esperanças, era alguém vindo a cavalo, o que era muito comum na região. Em meu intimo eu rezei e pedi para que fosse alguém de bem, que me ajudasse, e que me levasse para casa de alguma forma.

O som da marcha foi ficando mais alto a medida que esse cavaleiro se aproximava, percebi que diminuiu o passo, talvez desconfiado com aquele carro parado ali, o cavalo parou, ouvi aquele barulho característico de esporas batendo no chão, e os passos se aproximando, abri o vidro do carro, ascendi a luz interna, e esperei a figura se aproximar. Para minha surpresa era uma mulher, talvez feliz por ver outra mulher no caminho.

–  Boa noite moça, precisa de ajuda?

– Oi, boa noite. Meu carro quebrou aqui, acho que ferveu, estou indo para casa do Joaquim dos Anjos, ele é meu pai, conhece ele?!

– Ah sim, conheço ele bem, somos vizinhos de sítio.

– Que legal, será que você poderia avisa-lo que estou aqui?

– Posso fazer melhor. Se você tiver coragem de ir na minha garupa eu te levo, amanhã você busca o carro. Tenho certeza de que ninguém irá mexer nele por aqui, assim você pode chegar em casa, tomar um banho e descansar mais rápido.

Ponderei a proposta por alguns minutos, e resolvi aceitar.

– Você está certa, aceito a proposta, mas primeiro me diga seu nome, nem nos apresentamos.

– Certo, meu nome é Dani, e o seu?

– Prazer, Luiza.

Sorri e estendi a mão para ela, apertamos as mãos e sorrimos mutuamente.

– Luiza, é um prazer te conhecer, mas vamos andar? Parece que vem chuva aí e eu quero chegar em casa antes dela.

– Vamos sim, só vou trancar o carro.

E assim fizemos, Dani montou no cavalo, me estendeu a mão para dar apoio. Montei, passei os braços por sua cintura e senti um frio na barriga, com a proximidade de nossos corpos. Atribui aquele sentimento a emoção de cavalgar depois de tanto tempo, e assim fomos cavalgando rumo ao sitio Monte Alto. O trote do cavalo fazia nossos corpos esbarrar um no outro, me causando uma excitação. Apesar do escuro, os meus braços envoltos nela denunciavam que era um belo corpo.   Os relâmpagos estavam se tornando mais frequentes, e iluminavam o horizonte, trovões ecoavam, e um medo começou a dominar meu coração, abracei mais forte a cintura de Dani e ela fez um carinho na minha mão, tentando me acalmar.

Gotas de chuva começaram a cair, aumentando meu desespero.

– Luiza, acho melhor a gente se abrigar, é perigoso estarmos nesse descampado em meio a tantos raios, e a chuva também não está muito convidativa. Tem uma chácara logo em frente, que também é propriedade da minha família, lá tem uma casa que podemos ficar até a chuva passar, você topa?!

– Dani, te confesso que estou morrendo de medo e topo sim, já estou com frio.

Paramos naquela casinha pequena, Dani pegou uma chave escondida, abriu a porta e me pediu para entrar enquanto ela ia soltar o cavalo na baia. Entrei, ascendi as luzes e me sentei em uma mesa que havia na pequena cozinha, havia também um fogão a lenha, um pequeno armário e um banco de madeira.

Esperei até que Dani voltasse, estávamos molhadas devido à chuva no caminho, e quando ela adentrou a cozinha vi o quão linda ela era. Vestia uma camisa branca, que estava molhada da chuva revelando seu sutiã de renda, calça apertada, cinto com fivela de cowboy e botina. Cabelos loiro, ondulados um pouco abaixo dos ombros, olhos castanho esverdeado, e um cheiro de perfume masculino dava um ar todo sensual àquela figura.

Acho que fiquei tempo demais hipnotizada, olhando aquela bela mulher. Logo eu que nunca tinha pensado na possibilidade, estava ali, desejando beijar aqueles lábios rosados. Sai do transe quando Dani chamou por meu nome.

– Luiza… Você está bem?! Há algo errado?!

– Não Dani, está tudo bem, só estava imaginando…

– Imaginando o que?!

– Que você está toda molhada, pode pegar um resfriado.

– Não só eu Dani, você também está ensopada. Vou acender o fogão de lenha para aquecer o ambiente e também ver se acho umas toalhas, ou qualquer coisa para a gente se secar. Essa casinha só é usa pelos boias frias que vem trabalhar na colheita do café, usam ela como pouso.

Assenti com a cabeça e Dani pegou alguns pedaços de madeira que estavam empilhados num canto, ajeitou dentro da boca do fogão, colocou alguns pedaços de jornal, riscou um fosforo e observou a chama consumir aos poucos o papel e se fixar na madeira. Saiu em direção ao que parecia ser um quarto, e eu corri para a beira do fogão, estava tremendo de frio.

– Luiza, encontrei apenas um cobertor, e também trouxe um colchonete, podemos nos aquecer aqui perto do fogo. Você se importa se eu tirar a roupa molhada?! Não quero pegar uma pneumonia.

– Tudo bem Dani, fica tranquila, a casa é sua. Sorri para ela.

– Acho que você deveria fazer o mesmo, vai se aquecer mais rápido. Daí a gente estende as roupas em cima do banco pertinho do fogão, que seca rapidinho.

– Acho que vou aceitar a proposta, Dani.

E assim o fizemos, tiramos a roupa, estendemos em cima do banco próximo ao fogão sentamos lado a lado, dividindo o cobertor e conversando banalidades. O ritmo da chuva só aumentava, os raios e trovoes cada vez mais altos, o vento batia a porteira, fazendo um barulho que só se ouvia em filme de terror.

Olhei no relógio, já eram 22:00horas, Dani também esticou os olhos para o relógio na parede.

– É Luiza, não sei se te salvei ou te coloquei em uma situação pior ainda. Acho que hoje não sairemos daqui, já está tarde, escuro, perigoso e a chuva não cessa. Me desculpe.

– Dani, acho que você me salvou, eu estaria apavorada sozinha naquele carro, aqui do seu lado já estou com o coração acelerado.

– Quem bom que eu estava lá para salvar a donzela em apuros.

– Sim, agradeço, você foi e está sendo um anjo.

Dani abaixou a cabeça, ruborizada e eu continuei olhando para seu rosto. Não resisti e fiz um elogio, espontâneo, que saiu do fundo da alma.

– Você é linda sabia, estou encantada nesse seu sorriso.

Dani continuou com a cabeça baixa, mas com um sorriso largo no rosto. Nesse instante um raio caiu, ecoando por todos os cômodos da casa e num impulso eu a abracei, assustada, buscando proteção em seus braços. Ela me abraçou de volta me acalmando.

– Calma Lu, estou aqui, você está segura comigo, vou cuidar de você.

Eu estava protegida em seu peito, ela me acalmando, me segurando contra seu corpo quase nu. Olhei em seus olhos, e eles queimavam feito brasa, num impulso peguei seu rosto e puxei colando meus lábios junto aos dela, iniciando um beijo quente e cheio de vontade. No mesmo impulso que a beijei eu também encerrei esse beijo cheio de urgência, pedindo desculpas.

– Perdão eu não sei o que deu em mim, eu nunca havia beijado uma mulher antes. Me desculpe, realmente foi um equívoco.

– Foi o equívoco mais gostoso da minha vida. Eu adorei.

Diante dessa confissão eu não pensei duas vezes, retomei o beijo a pouco interrompido. Suas mãos passaram pela minha cintura, passeando pelo meu corpo, e eu fiz o mesmo, deixei minhas mãos explorarem suas curvas, e descobri coxas bem torneadas, uma barriga chapada, seios médios e firmes. Em um movimento certeiro ela me puxou para seu colo, com certeza não era a primeira vez que ela tomava uma mulher em seus braços. Eu estava ofegante, perdida em desejos.

Dani me deitou, retirou meu sutiã e sugou meus seios com vontade, chupando com força, alternando com movimentos circulares no bico do seio, me fazendo gemer baixinho.

– Lu, você realmente nunca esteve com uma mulher?

– Não, nunca tive uma experiência assim.

– Se você quiser a gente para.

– Dani, essa é a única coisa que eu não quero no momento.

Assim voltamos aos beijos e amassos, aos poucos Dani foi tomando o resto do meu corpo, tirou o pouco de roupa que ainda restava em seu corpo, ficando completamente nua e me deixou totalmente nua também.

– Já que você nunca ficou com uma mulher, hoje eu vou te mostrar tudo o que perdeu até hoje.

Dani desceu dando beijo na minha barriga, até chegar no meio das minhas pernas, e sem avisar lambeu lentamente meu sexo, nesse momento eu gemi, mergulhada em prazer. Dani continuou me chupando, alternando o ritmo, entre um chupão mais intenso e uma lambida delicada. Movimentos delicados em meu clitóris, desenhando o símbolo do infinito e me causando um prazer inimaginável.

E assim continuamos não sei por quanto tempo. Gozei pelo menos umas 8 vezes, sob os lábios daquela mulher incrível.

Acordei envolvida em seus braços, corpos nus abraçados, compartilhando o calor da pele. Olhei seu rosto, era angelical, tinha uma expressão de felicidade, satisfação e calmaria. Eu não me importaria em passar o resto dos meus dias naquele abraço.

Olhei no relógio na parede, eram 07 horas da manhã, por mais que eu não quisera sair daquele paraíso, eu precisava ir para casa antes que alguém encontrasse meu carro e chama-se a polícia.

Resolvi acordar aquele anjo que dormia comigo.

– Dani, acorde – fui depositando beijos em seu rosto.

– Oi, linda. Bom dia – ela me respondeu com uma voz rouca e incrivelmente sexy.

– Precisamos ir, já amanheceu.

– Serio?! Ela me olhou com um sorriso maroto.

– Sim, sério.

– Ok gata, vamos, mas com uma condição!

– Qual?

– Vamos nos ver mais tarde.

– Combinado, não será nenhum sacrifício – Dei meu sorriso mais safado de todos em resposta e ela sorriu de volta.

Levantamos, arreamos o cavalo, e seguimos para casa. Ela parou na casa de meus pais e foi recebida como se fosse da família, afinal, ela era vizinha, eles a conheciam há muitos anos. Tomamos café da manhã e nos despedimos.

Minhas férias foram as melhores possíveis, passeamos todos os dias, andamos a cavalo, nadamos na cachoeira, fizemos fogueiras a noite e nos amamos muito.

E assim começou uma linda história de amor, mas essa história fica para uma outra vez.

 

assinatura.Gi Medeiros.fw

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