Visibilidade na TV aberta. É preciso.

Aquele desejo urgente de desligar a TV e boicotar a mídia que fecha os olhos para a minoria, violência contra LGBTs, mulheres e negrxs. Mas também aquela consciência de que ainda estamos numa sociedade onde a maioria da população assiste a TV para se informar, e muitos acreditam piamente no que está sendo dito nela.

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A TV no Brasil tem um longo histórico de manipulação dos fatos e de criação de verdades. De programinha em programinha, passando por novelas sucesso absoluto de ibope, notícias tendenciosas em jornais, personagens que reforçam estereótipos, o Brasil foi se alimentando desses padrões, vilões e mocinhos, lugar de mulher, lugar de preto, lugar de religião de matriz africana, lugar de LGBT.  A internet surgiu recentemente e nos permite a utópica liberdade de expressão, direito de todos. Mas ela não atinge a todo mundo nesse país. Não atinge pessoas vivendo em situação de pobreza, e também não atinge boa parte da sua família e conhecidos. Muita gente não usa a internet além de Facebook e Whatsapp e isso significa informação filtrada pelo círculo em que vive. Enquanto a gente acha que tá todo mundo discutindo o caso da lésbica expulsa do bar a pontapés, na verdade no grupo da família quase ninguém ouviu falar. E no grupo das amigas de nossa tia também não. E nossa vó nem sequer sonha. E aquele grupinho de boys topzeros nem viu o link passar pela sua timeline.

Assistir a TV para a gente é algo que vem cheio de análise das merdas que estão passando por lá sem filtro e sem nenhum cuidado com quem é violentamente atingido. E sabemos o quanto a visibilidade e o espaço de fala em  escala nacional é importante. Um personagem gay em destaque na novela das oito faz o país inteiro falar sobre o tema, daí começam as discussões que pode chegar numa mudança. Programas e personalidades LGBTs sendo ouvidas traz o tema para a pauta da família tradicional e empodera quem se identifica. Definitivamente, é importante.

O programa Amor&Sexo exibido dia 02/03, pela Globo, remexeu a internet (até onde eu pude ver), porque trouxe o tema LGBT, principalmente as trans e travestis em pauta principal. Nossos artistas da MPBTrans estavam lá falando e cantando, colocando a cara no sol. Teve drag performando, explicação sobre as diversas formas de identidade de gênero e sexualidade, lésbicas, gays e recado para geral: Estamos aqui, nenhum passo atrás será dado. Poderia ser tooodxs xs personalidades LGBTs no palco e não só um grupo que acaba ocupando a maioria dos lugares de fala na grande mídia? Poderia ter tido mais espaço para lésbicas, gays e bi? Deveria. Mas estamos saindo do 0 para todas as tias, avós, vizinhas, machistinha, homofobicozinho terem acesso à nossa mensagem pela voz das trans, drags e travestis.

Valeu Liniker, As Bahias e a Cozinha Mineira, Lorelay Fox, MC Linn da Quebrada, dentre outrxs artistas da cena LGBT.

E por favor, Liniker cantando Geni é só coraçãozinho <3 <3 <3

Celine Ramos
Baiana, feminista, negra e publicitária. Fundadora do SouBetina. Vivo na ponte-aérea Salvador-São Paulo. <3